Como tirar proveito de um logo que parece feder?

Pedro Burgos - 8 set 2014 Pedro Burgos - 8 set 2014
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Semana passada, a tradicional marca de chocolates americana Hershey’s mudou o seu logotipo. A marca está mais moderna, minimalista e, bem, parecendo um cocô esfumaçante (ou o emoji de codinome Hankey, para os mais modernos). O “desastre” é dos grandes assuntos entre designers nos últimos dias. Em um grupo no Facebook sobre startups de qual participo, vários empreendedores colecionavam histórias de como estúdios de design especializados em marcas cobravam fortunas para entregar algo feio ou não-associado à empresa. O chocholate-cocô da Hershey seria só mais um exemplo de que algo tão importante não podia ser terceirizado.

Mas talvez estejamos levando isso a sério demais. Porque, mesmo que seja um logo sugestivo, qual será a consequência real da mudança, passada a polêmica?

Um monte de publicidade gratuita, se a empresa tiver o bom humor necessário. Ela só precisa se espelhar no caso do AirBnB, que em julho mudou seu logo para algo que parece muitas coisas, inclusive uma vagina, e nada imediatamente relacionável ao negócio do AirBnB. Logo depois do anúncio surgiram diversas piadas, posts do tipo “o que diabos a empresa está pensando??” e remixes do Bélo (o logo tem nome) ganharam o obrigatório Tumblr. Mas, no fim de tudo, veio uma boa resposta do AirBnB, na forma desse infográfico:

 

Airbnb_Belo_infographic

É difícil imaginar que alguém deixou de se hospedar no AirBnB por causa do símbolo rosa. Na verdade, um mês depois da reformulação da marca, o CEO da empresa, Brian Chesky, comemorava no Twitter que 425 mil pessoas se hospedaram em quartos negociados pelo AirBnB.

Semanas depois do incidente, especialistas encheram o LinkedIn de posts elencando “o que o incidente com a logo do AirBnB nos ensina”. E há coisas básicas: é preciso fazer testes antes de soltar a marca ao mundo, ver se há alguma empresa com algo parecido (havia) e nunca confiar em “experts de marca”.

Mas o principal ensinamento talvez seja o mais antigo. “Só há uma coisa no mundo pior do que falarem de nós: é que de nós ninguém fale”, escreveu Oscar Wilde em O Retrato de Dorian Gray. Uma mudança de logo pode criar um novo assunto, e fazer pessoas falarem sobre a marca. Porque, ao menos aqui para mim (e alguns designers que opinaram sobre), os dois logos são esteticamente bonitos, e dão uma ideia de empresa moderna, conectada aos seus tempos, sem excessos. Uma hora a piada perde a graça, mas, no lugar dela, fica um ícone.

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