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O fim do banco tradicional: entenda como os dados estão atuando na mudança de rota dessa instituição

Daniella Grinbergas - 28 jul 2022 Daniella Grinbergas - 28 jul 2022
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Há séculos os bancos vinham seguindo seu tradicional modelo focado em transações financeiras. E tudo ia bem até que o mercado se abriu para as empresas focadas em inovação, que provocaram um tsunami no setor. Com sua atividade principal sendo atropelada pela concorrência, principalmente pelas fintechs e empresas de pagamento, os bancos começaram a entender que era preciso uma reinvenção do sistema para que continuassem sendo relevantes para os clientes.

O mais interessante é que a saída para essa crise se encontra dentro das próprias instituições, em um ativo valiosíssimo que sempre esteve ali, mas nunca foi usado como moeda. Estamos falando de dados.

De formal geral, em qualquer setor, os dados são os ativos mais poderosos da atualidade. Isso porque, com posse de informações reais é possível tomar decisões e criar estratégias muito mais fundamentadas e assertivas em qualquer negócio.

“Agora pense: as informações de compra dos clientes são valiosíssimas. E onde eu poderia entender melhor o comportamento deles do que no cartão de crédito e nas transações diárias? Sendo assim, por que não oferecer os dados de quem transaciona comigo como um serviço para o varejista?”

É o que questiona Ivan Habe, Diretor Executivo da área de Consultoria em Serviços Financeiros da EY LAS. Pois foi exatamente nessa linha que os bancos e as instituições de pagamento passaram a ver valor além da transação em si.

Como monetizar os dados e oferecer a melhor experiência

O uso de dados dos clientes já vem sendo aplicado internamente para venda de produtos e serviços do próprio banco. Por exemplo: entendendo o momento de vida de cada um para oferecer o serviço financeiro adequado – para ajudar a pagar a faculdade, financiar o primeiro carro, quando chegam os filhos e por aí vai.

O segredo para proporcionar a melhor experiência é adaptar as ofertas de acordo com as necessidades que vêm com as mudanças de fase.

“A partir daí, abre-se para um contexto mais amplo: se a pessoa financiou a casa, certamente, precisará fazer um seguro, comprar itens para o novo lar, enfim, é possível pensar em ofertas customizadas. Esse cruzamento de dados é fundamental para inteligência do negócio”.

E a tecnologia permite ir muito além. Ao analisar a avalanche de dados de clientes dos quais o banco tem posse, dá para abrir essas possibilidades para todo os setores. Estamos falando de oferecer informações muito personalizadas de produtos e serviços relacionados ao comércio geral.

Segundo a última pesquisa NextWave Consumer Financial Services, 63% dos consumidores entrevistados afirmaram que “valorizariam muito” soluções bancárias abertas e financeiras que conectam e personalizam suas experiências em ecossistemas de terceiros.

Aqui entra o data analytics, que transforma dados em informações relevantes. A partir dessa análise é possível se chegar ao comportamento de compra de cada consumidor, alimentando os mais diversos comerciantes com visão estratégica. Percebe o valor disso?

Nesse sentido, os bancos, bem como os adquirentes, têm a oportunidade de usar os pagamentos como centro de sua estratégia de crescimento, com uma proposta voltada ao comércio de forma muito abrangente.

Lá fora, essas medidas já estão sendo praticadas e há transações que vão além. Um exemplo muito significativo foi a aquisição da Applied Predictive Technologies (APT), especialista em software de análise de negócios, pela Mastercard. A proposta da união era a de fornecer aos comerciantes informações sobre locais, consumidores e tendências de compras. Desde então, a Mastercard vem utilizando a inteligência de dados para ajudar a impulsionar os negócios.

“O banco precisa parar de pensar em seu core e olhar mais para a ponta, como oferecer inteligência e diversificação de serviços, podendo alimentar os negócios de seus clientes comerciais. Forma-se assim um ecossistema”, explica Ivan.

Exatamente na linha que o mundo vem seguindo em que, cada vez mais, é preciso apostar em uma convergência de setores e negócios.

Vale ressaltar que o procedimento é assegurado pela Lei Geral de Proteção de Dados, pela qual tudo só é realizado com consentimento do cliente. Todo o processo deve ser amparado pelo uso ético das informações.

E quer saber quando essas mudanças devem acontecer? Agora mesmo.

“A velocidade de transformação dos negócios é muito rápida. Antigamente, a gente tinha expectativas e projeções para uns dez anos, mas hoje, a cada dois anos tudo já mudou. Acredito que daqui a dois anos o mercado em pagamentos não será mais o mesmo”, aposta Ivan.

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