Verbete Draft: o que é Art of Hosting

Isabela Mena - 9 set 2015
O Art of Hosting mexe com a crença de que conversa é perda de tempo. (Imagem: Reprodução Art of Hosting Denmark)
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

ART OF HOSTING

 

O que acham que é: Técnica para receber convidados socialmente

O que realmente é: Art of Hosting ou Arte de Anfitriar – tradução que, se valendo de um neologismo (oficialmente, o verbo “anfitriar” não existe), é praticamente literal e comumente utilizada no Brasil, assim como Arte da Liderança Participativa – é uma comunidade de prática de conversas significativas (que geram ação e resultado) em grupo que objetivam desde a aceleração de projetos pessoais e transformações em comunidades a mudanças estratégicas em empresas, ONGs ou governos. Dentre as práticas propostas pelo Art of Hosting estão o Circle Peer Spirit, o Open Space Technology, o Pro Action Café e o World Café – essas três últimas já publicadas pelo Draft. Ou seja, o Art of Hosting é um conceito guarda-chuva na comunidade de práticas de conversas em grupo. “O Art of Hosting mexe com a crença de que conversa é perda de tempo. Mostra que a prática da conversa pode gerar ações e efeitos mas que, para isso, precisamos reaprender essa habilidade que fomos perdendo ao longo do tempo. Por isso, propõe métodos e técnicas que tornem a conversa significativa”, diz Maria Eugênia Camargo, criadora do blog Conversa em Ação. Ela é mestra em Ciência Ambiental e, em junho deste ano, defendeu um doutorado sobre World Café na Faculdade de Educação da USP e, por conta disso, passou um ano na cidade de Columbus, nos Estados Unidos, estudando o tema. “De um lado tem o que a gente chama de metodologia (as práticas) e, de outro, e isso é fundamental, são os princípios que costuram toda a comunidade”, diz Tamara Azevedo, co-fundadora da CoCriar, organização pioneira em espaços de colaboração, aprendizagem coletiva e inovação organizacional. Ela cita o princípio da liderança compartilhada (a mesma pessoa é líder e liderada em momentos diferentes), o da confiança no que surge no momento (mesmo que sejam situações inusitadas, que podem gerar desconforto), o da observação das sutilezas (como, por exemplo, o estado de espírito das pessoas e o cuidado para que o espaço seja convidativo), o da confiança no potencial da inteligência coletiva (no grupo reside a sabedoria para encaminhar a situação no contexto em que ela acontece) e o de que a participação é voluntária (pressupõe que os participantes estão aceitando um convite e não a uma convocação).

Quem inventou: “Não tem um criador ou autoria, vem da comunidade de prática”, fala Camargo. No site oficial, o texto de apresentação diz que o Art of Hosting não tem estrutura legal ou formal tampouco líder nomeado ou órgão de controle.

Quando foi inventado: Segundo este texto de Kathy Jourdain, canadense da Nova Escócia praticante e guardiã internacional do Art of Hosting e criadora da Shape Shift Strategies, que presta consultoria, treinamento e coaching em estratégias colaborativas, a rede do Art of Hosting emergiu organicamente (e ainda antes de ser chamada de Art of Hosting) quando praticantes de processos de conversa em grupo se reuniram para investigar o que faziam de diferente e quais elementos contribuíam para o sucesso de seus trabalhos. Perceberam que as condições que criaram para essas conversas e os impactos que elas tinham eram ainda mais relevantes dos que os originavam. Esses encontros-treinamento, sempre “anfitriados” por um time, começaram a ser um espaço de co-aprendizado e compartilhamento de conhecimentos; times de anfitriões começaram a ser chamados para replicar a prática e outros times a fazê-la à medida em que mais pessoas eram introduzidas. Com o tempo, passou a ser chamado de Art of Hosting.”O nome surge na virada do milênio”, diz Azevedo.

Para que serve: Serve para promover participação em grupo e lidar com questões complexas em que uma pessoa só não tem a solução, é preciso da inteligência coletiva.

Quem usa: Qualquer esfera de poder e cultura; de bancos, empresas e setores do governo a comunidades não-urbanas (ribeirinhas, indígenas, amazônicas). Maria Eugênia Camargo acompanhou durante um ano práticas de Art of Hosting na cidade americana de Columbus, para seu doutorado, e conta que foram aplicadas em diversos setores, inclusive públicos, de Saúde e Educação. “Houve prática em um projeto grande de saúde Our Optimal Health, outro no Food Bank, que é o banco de alimentos, outro na Ohio State University, no curso de serviço social e no centro de mulheres, onde a diretora queria mudar a cultura e, para isso, fez vários encontros de World Café”, diz.

Efeitos colaterais: Camargo diz que é possível haver conflito de agenda com órgãos do governo e até boicote. “Isso ocorre quando as pessoas usam a técnica pela técnica ao pretenderem fazer uma dinâmica. Fazem um encontro para descontrair, para criar um clima melhor, mas não exploram o real potencial que a prática oferece, porque não sabem ou não querem que gere um real engajamento”, fala.

Quem é contra: “Sistemas em que é muito importante a manutenção do controle de uns sobre outros e sistemas muito vitimizantes, já que as práticas do Art of Hosting são para protagonistas, não para vítimas”, diz Azevedo, da CoCriar. Ela acredita que algumas pessoas sejam contra apenas por não entenderem o funcionamento. “Elas acreditam que uma prática mais empoderadora significa desqualificar princípios importantes de seu negócio. Pelo contrário, a prática empoderadora pode aumentar a aderência a esses princípios, mas para chegar nisso é preciso, antes, ouvir o outro, o funcionário, o grupo”, conclui Azevedo.

 

Para saber mais:

Assista, no The Art of Hosting chanel, no Vimeo, a uma série de vídeos sobre a comunidade e suas práticas.

Veja, na home da página oficial do Art of Hosting uma lista com os eventos que acontecem em todas as cidades do mundo. É possível fazer inscrição.

Leia, no Huffington Post, o texto The Future of Work: the Art of Collaborative Leadership, escrito por Monique Svazlian, executiva e coach que criou o evento  Women & Power: The Next Evolution of Leadership Forum, apresentado no Vale do Silício, com práticas de Art of Hosting.

 

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