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Sempre fui idealista e acreditei em um mundo melhor e uma vida com significado. Passei grande parte da minha vida buscando um propósito, tentando realizar algo que de fato fosse relevante e que melhorasse o mundo.
Mas a realidade me fez adiar esses sonhos e ideias, precisava me sustentar e fui trabalhar sem pensar muito neste propósito.
Acabei entrando como trainee de uma grande multinacional na área de marketing. E em algum momento conquistei a vida de sucesso que era esperada pela nossa sociedade.
Era executiva de uma multinacional, ganhava bem, tinha ótimo bônus, tinha estabilidade, um apartamento confortável, uma relação segura e duas cachorras. E neste momento comecei a me questionar se a vida com prazeres e conquistas materiais era ou não uma vida feliz.
Se eu tinha tudo o que havia sonhado, por que mesmo assim ainda achava que faltava algo?
Desde os filósofos gregos, a busca pela felicidade é a questão chave do ser humano. Aristóteles dizia que “a felicidade é o significado e o propósito da vida, todo objetivo e fim da existência humana”.
Ou seja, quando buscamos uma relação, sucesso, prosperidade, um propósito, conforto, poder, na verdade estamos sempre buscando a felicidade como fim.
Mas se eu tinha tudo o que era sugerido pela sociedade, o que estava faltando na minha vida? Foi com mais esse questionamento, que saí em busca de respostas e mudanças
Comecei a meditar, estudar Kabbalah, psicologia positiva e filosofia e a conversar com mestres (que às vezes são pessoas bem normais em suas vidas cotidianas) pelo caminho da vida, sempre questionando “qual o sentido da nossa vida?”.
Conversei com monges no Butão, Tailândia, Mianmar, fui a locais sagrados em Israel, Brasil, Turquia, Japão, sempre observando, questionando e aprendendo com diferentes culturas, religiões e filosofias de vida, o que de fato faz uma pessoa mais feliz.
E fui percebendo o que todos os estudos sobre longevidade e felicidade falam, a vida feliz não virá somente de conquistas materiais.
A vida hedônica, de prazeres e conquistas materiais é importante. Mas se for somente essa busca, em algum momento faltará algo
Foi o que percebi anos atrás quando parecia ter uma vida perfeita, mas sentia um vazio e falta de significado.
E assim, fui entendendo que para sermos felizes precisamos integrar uma vida hedônica com uma vida, que Aristóteles chamava de eudaimônica, uma vida de virtudes e autorrealização, uma vida com significado.
Com essa reflexão e motivação, senti o chamado para a mudança. Não era sobre deixar o marketing somente, mas conseguir alcançar o meu máximo potencial de acordo com os meus valores e com o que me trazia sentido.
E neste momento da minha vida, após anos de terapia, meditação e buscas, concluí algo óbvio: o que sempre me moveu foi a possibilidade de compartilhar algo, e no meu caso, o que eu tinha de melhor para compartilhar era conhecimento e ferramentas práticas, acreditando que cada um pode melhorar sua vida, com hábitos, rotinas, autoconhecimento, autorresponsabilidade, intenção e disciplina.
O mundo não vai deixar de ser desafiador, mas cada um de nós pode cultivar uma vida com mais alegria, realização e significado. Com a ressalva óbvia de que estou falando de quem tem as necessidades básicas atendidas — e não de pessoas em situação de vulnerabilidade, como tantas em nosso país…
Com isso, saí do marketing, confiante de que poderia ser quem queria ser e trazer para o mercado corporativo caminhos mais saudáveis para nossa relação com o trabalho
Fundei a minha empresa, Reconnect, comecei a palestrar, levar para as empresas conteúdos sobre a construção de culturas mais saudáveis, treinamentos para liderança humanizada, consultoria sobre o tema.
Além disso, trouxe com meu parceiro de Portugal, a Happiness Business School, a certificação de felicidade no trabalho, que desde 2020 tem sido super aceita e reconhecida pelo mercado.
Em 2023, trouxe também o piloto da semana de 4 dias para o Brasil, em parceria com a 4 Day Week Global, e conseguimos depois de um ano comprovar que é possível aprendermos a trabalhar menos e melhor, sendo mais produtivos e menos ineficazes com a sobrecarga de trabalho. Falei sobre esse tema para o Drafters.
Hoje, após anos com projetos com empresas como Unilever, Heineken, Itaú, Nestlé, Stellantis, Secretaria da Fazenda do Governo de São Paulo, DASA e outras, consigo ter clareza de que o caminho ainda é longo.
Estamos apenas começando a realmente questionar modelos que adoecem e a conscientizar a liderança para uma gestão mais humana e empática
Toda esta construção é sobre pessoas, saúde mental, bem-estar — e as consequências são melhora para o indivíduo, sociedade, mas também para as organizações.
Tenho palestrado também nos maiores eventos do país, como Gramado Summit, Rio2C, Rio Innovation Week, CONARH, entre outros, trazendo a ciência da felicidade para um olhar mais individual de como cada um pode cuidar de si e construir essa vida com mais sentido, relações mais profundas, realização e significado. Além de já ter realizado 2 TEDx talks, na Faap SP e em Blumenau.
E em 2025, uma nova realização: lançar O poder do bem-estar: um guia para redesenhar o futuro do trabalho, pelo selo Objetiva da Companhia das Letras.
E agora? O que segue me movendo ainda é entender o ser humano, refletir sobre as grandes questões da humanidade e construir caminhos melhores para todos.
Não penso mais em transformar o mundo, mas sigo coerente, autêntica e vivendo a minha vida com significado, esperando que ela sirva de inspiração para outros me acompanharem
A verdade é que felicidade é simples. Tem a ver com dia a dia, com sermos verdadeiros conosco mesmos e nos conhecermos.
Tem a ver com termos o que sonhar, fazermos atos de bondade constantes, sermos mais positivos, cuidarmos do nosso emocional, espiritual, intelectual, físico e das nossas relações.
O mundo não será perfeito nunca. É um mundo ansioso, frágil, inseguro. A vida trará desafios. As relações não são fáceis. E nós, como seres humanos, temos desafios emocionais. Temos um viés negativo, uma mente divagante, temos medos e ansiedades.
Mas podemos buscar autoconhecimento para olhar tudo isso e escolher sermos felizes. Para viver o aqui agora, com conexões profundas, emoções positivas e claro, uma jornada com significado.
Depende de nós.
Renata Rivetti é especialista na ciência da felicidade, TEDx speaker, LinkedIn Top Voice, colunista e autora do “O Poder do bem-estar: um guia para redesenhar o futuro do trabalho” pelo selo Objetiva da Companhia das Letras. Após anos como executiva de marketing, fez uma transição de carreira e hoje é referência nos temas felicidade, relações humanas, liderança humanizada, saúde mental e futuro do trabalho.
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