“As empresas não deverão mais ter cargos fixos, mas contratar profissionais flexíveis e alocá-los de acordo com projetos”

Sergio Agudo - 28 fev 2020
Sergio Agudo, diretor da Udemy para a América Latina, destaca dados do relatório “2020 Workplace Learning Trends”.
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por Sergio Agudo

Para os negócios de alto crescimento não faz mais sentido organizar a força de trabalho em cargos fixos. Optar, já na contratação, por profissionais flexíveis e organizá-los em times de acordo com cada projeto é uma atitude que as empresas deverão passar a tomar neste e nos próximos anos com o objetivo de tornar o trabalho mais ágil e eficaz.

Essa é uma das previsões que o relatório “2020 Workplace Learning Trends”, da Udemy — plataforma de ensino e aprendizado online com sede na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos — fez para o treinamento corporativo em 2020.

Como já é prática em algumas startups, consultorias empresariais e agências de publicidade, nesse modelo de gestão, os profissionais não precisam ter necessariamente uma função fixa (por exemplo, diretor de arte), mas, sim, são contratados porque possuem competências específicas (Adobe Photoshop, motion design, criatividade e liderança). E, de acordo com essas habilidades, são escolhidos para participar de determinados projetos.

Desse modo, os profissionais podem participar de inúmeros projetos diferentes — e ocupando funções diferentes — ao longo de um mesmo ano.

Essa rotina dinâmica pode agradar quem costuma ser mais inquieto (característica dos millennials, por exemplo) e, inclusive, ajudar a reduzir a rotatividade de funcionários nas empresas

A lógica para gerenciar essas novas equipes flexíveis, é claro, deve ser diferente da usada pelas empresas até então. Uma sugestão interessante foi dada pelo autor de livros de RH John Bersin, durante uma palestra no congresso HR Technology, em Las Vegas, nos Estados Unidos, no ano passado.

Segundo ele, as empresas devem criar um marketplace interno de talentos, ou seja, uma solução interna (e até mesmo digital) para os gestores encontrarem os profissionais certos para desempenharem os papéis necessários em cada projeto.

Outra previsão do estudo para o treinamento corporativo nos próximos anos é que os departamentos de RH deverão passar a mapear as habilidades de que o negócio precisa antes de contratar profissionais — e não apenas procurar as pessoas certas para ocupar os cargos em aberto

Por exemplo, na área de TI de uma empresa, podem existir diversas pessoas com competências técnicas, em temas como machine learning e inteligência artificial, mas ninguém com perfil de liderança. Se a competência de liderança for uma necessidade para a área, o responsável pela contratação pode priorizá-la, em vez de habilidades técnicas, na hora de escolher um profissional.

Para se adequar ao ambiente de trabalho do futuro, os profissionais devem possuir certas competências. E, numa época em que as habilidades necessárias para trabalhar numa empresa mudam com frequência, principalmente por causa dos avanços tecnológicos, é preciso estudar sempre para se manter atualizado.

O mesmo relatório apontou quais devem ser as habilidades mais estudadas pelos alunos na plataforma da Udemy neste ano em áreas como marketing, TI e mercado financeiro. Os profissionais de marketing, por exemplo, deverão aprender principalmente marketing digital, Python (linguagem de programação) e desenvolvimento web, nesta ordem.

O Brasil é um dos três países que mais devem aprender habilidades tecnológicas neste ano, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Índia (segundo lugar). Para chegar ao resultado, nossa pesquisa se baseou no consumo total de cada país de cursos nas dez habilidades tecnológicas mais populares na plataforma em 2019, que devem se manter como tendência em 2020. São elas:

1) Python
2) React (web)
3) Angular
4) Machine Learning
5) Docker
6) Django
7) CompTIA
8) Amazon AWS
9) Deep Learning
10) React Native (mobile)O relatório também aborda habilidades que podem ser utilizadas pelos profissionais de todos os setores e níveis hierárquicos – as soft skills, como são chamadas as habilidades comportamentais como liderança, inovação e inteligência emocional. Ao contrário do que muitos pensam, essas competências podem ser estudadas e aprendidas como quaisquer outras.

Segundo a pesquisa, as três soft skills que mais devem ser demandadas em 2020, com base nos últimos dois anos, são mentalidade voltada para o crescimento, criatividade e domínio do foco

Como destaca o levantamento da Udemy, os funcionários estão se apoiando cada vez mais naquilo que os diferencia dos robôs: sua natureza humana!

O mundo do trabalho está mudando e quem quer acompanhar precisa se manter atualizado. Algumas formas clássicas de fazer isso são cursos e livros. Independentemente do meio, o importante é nunca parar de aprender!

 

Sergio Agudo, 46, é administrador formado pela EAESP-FGV, com MBA pela Thunderbird School of Global Management, em Phoenix, nos Estados Unidos. Ocupou cargos de liderança nas instituições financeiras Visa e American Express e trabalhou em startups no Vale do Silício. Desde 2015, é o responsável pelo desenvolvimento da Udemy no Brasil. Hoje é diretor da empresa para a América Latina.

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