Sim, você continuará malhando na academia. Mas as vídeoaulas vieram para ficar (e vão desenhar o futuro da atividade física)

Renato Leal - 22 Maio 2020
Renato Leal, diretor executivo da Weburn.
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por Renato Leal

A pandemia do novo coronavírus nos trouxe novas realidades e maneiras de nos relacionar com as pessoas. Lives no Instagram se tornaram fonte de entretenimento e espaço para entrevistas descontraídas, mas também, informativas.

Chamadas de vídeo agora são mais utilizadas para se conectar com os amigos. A academia também mudou. Agora é em casa, com um colchonete, um tênis confortável e uma vídeoaula transmitida na televisão, ou pelo celular, com o passo a passo para as pessoas acompanharem.

O processo digital para as academias se encaixarem na quarentena aconteceu de maneira repentina. O que vinha sendo trabalhado visando o médio a longo prazo teve de ser acelerado para que os empreendimentos na área de atividades físicas mantivessem seus alunos, mesmo que à distância.

A pandemia mostrou às academias que elas terão que se adaptar para atender seus clientes. Para aquelas que não investirem em conteúdo digital, a tendência é perder terreno no mercado

A crise só veio acelerar as mudanças. Mesmo em um momento pós-pandemia, as plataformas fitness digitais têm tudo para se manter ativas e com destaque nesse setor. Elas são importantes para auxiliar os alunos em uma preparação fora do alcance da academia física, acompanhando seus usuários em viagens, por exemplo.

As academias presenciais ainda vão existir, claro. As pessoas querem ir até o local, ter um contato mais próximo com os equipamentos, o acompanhamento dos professores e a relação de proximidade com outros. Isso não vai mudar.

O que vai mudar, sim, é o modo como os alunos consomem esse tipo de programação. Os conteúdos em vídeo trazem mais versatilidade na rotina — e flexibilizam o “onde” e o “como” os exercícios podem ser feitos.

Essa nova forma de consumo do universo das academias fortalece outras vertentes, como acompanhamento de dieta e demais serviços para deixar o aluno munido de informações.

A tecnologia não substitui o exercício presencial, ela é apenas um complemento. Os empreendedores do setor devem entender que as duas vertentes terão que se unir e disponibilizar seus melhores conteúdos ao usuário para se manter relevantes

E mesmo que as plataformas digitais tenham de fato o objetivo de substituir uma academia, não creio que isso possa acontecer. Não somos concorrentes, mas juntos, seremos o futuro da atividade física. 

Um exemplo parecido com o que pode ocorrer no setor fitness é a relação com os aplicativos de delivery de comida ou supermercados. Estamos enxergando um movimento gigante desses serviços, que mesmo antes da quarentena já eram muito utilizados.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, as compras online cresceram mais de 100% até o mês de março, na comparação com o ano passado. O primeiro semestre apresentou um avanço de 35% nesse setor. 

Já a pesquisa da RankMyApp revelou que, entre fevereiro e março, as instalações de aplicativos de entregas, como iFood, Uber Eats e Rappi, cresceram 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

O pico de instalações aconteceu em 6 de março, um aumento de 126% em relação ao mesmo dia em 2019. Foi nessa data que o Ministério da Saúde anunciou que a transmissão comunitária do vírus no país era questão de tempo. 

O movimento não foi diferente com o nosso aplicativo, o Weburn. Desde o anúncio da quarentena, começamos a ter mais de 1 000 downloads por dia. As visualizações das aulas praticamente triplicaram.

Plataformas digitais fitness, como a nossa, estão ajudando pessoas que mantinham uma rotina diária de exercícios — e também fizeram com que quem não estava praticando comece a se exercitar. 

Não é porque eu peço uma refeição em um restaurante pelo app, solicito delivery do supermercado ou compro uma peça de roupa online que vou deixar de frequentar o espaço físico.

Assim como os aplicativos de entrega e os restaurantes, as academias físicas e as plataformas com vídeoaulas se complementam. Haverá dias em que você vai querer treinar sozinho. E outros em que vai preferir fazer uma aula de spinning na academia, até para bater um papo com outras pessoas

Com mais opções, nossa ideia é somente uma: fazer com que o exercício seja visto como algo prazeroso e dinâmico, independente do local da prática.

 

 

Renato Leal tem 30 anos de experiência na área de tecnologia e passagem por empresas como X Corp Tecnologia, Potenza, Certified e Yavox Latin América (vendida em 2008 para o grupo Movile). Hoje, é diretor-executivo do Weburn, empresa de conteúdo digital focada em exercícios físicos, saúde e bem-estar.

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