Cansada de esperar emprego, ela foi à luta: as histórias do Itaú Mulher Empreendedora, que acaba de virar livro

Helaine Martins - 21 nov 2019
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Vanessa Berrouiguet fundou o Mon Petit, bazar de moda a baixo custo do Capão Redondo, ao se ver, após a morte do marido, sem dinheiro para comprar comida. Dani Junco plantou a semente da B2Mamy, sua empresa de capacitação, mentoria e networking para mães empreendedoras, quando, grávida, descobriu a palavra “propósito” — e foi entender qual era o seu. Priscila Vaiciunas arregaçou as mangas e quebrou paradigmas para criar a Manas à Obra, que presta serviços de reforma e reparos domésticos realizados por mulheres e pessoas LGBTs.

Essas são algumas das histórias que compõem Somos Empreendedoras. Lançado na última terça, 19, Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, o livro comemora os 5 anos do Itaú Mulher Empreendedora e traz 25 depoimentos em primeira pessoa: cinco inéditos e 20 escolhidos dentre as dezenas de relatos coletados pela plataforma do programa.

 

 

O Draft é parceiro do Itaú Mulher Empreendedora desde o comecinho. As histórias inspiradoras da plataforma reverberam também aqui, no canal da marca em nosso site. Agora, com a The Factory, agência de estratégia e conteúdo por trás do Draft, assumimos a missão de compilar alguns desses depoimentos e produzir o livro — disponível gratuitamente na versão digital, em PDF e ePUB.

Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes assina o prefácio. Há anos, ela acompanha de perto a conquista de autonomia de mulheres que não se conformam com a dependência financeira.

“Todas as 25 personagens deste livro são transformadoras. Cada uma vem contribuindo, seja gerando empregos e movimentando a economia, seja defendendo a diversidade ou estimulando a sustentabilidade, seja desenvolvendo produtos ou serviços inovadores para o mercado, para mudar a realidade ao seu redor e fazer do mundo um lugar melhor”, assinala.

A obra é estruturada em cinco capítulos. No primeiro, há histórias de fracassos, recomeços e superação. A maternidade como razão para empreender é o mote do segundo, e o terceiro tem foco nos negócios de impacto social. O capítulo quatro fala de diversidade, com empreendedoras que rompem, diariamente, preconceitos e estereótipos. E o quinto traz cinco mulheres à frente de empresas inovadoras.

Superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú-Unibanco, Luciana Nicola escreve (na introdução) sobre o desafio de pinçar os depoimentos mais marcantes:

“Não foi nada fácil selecionar as empreendedoras que compõem o livro. Quantas histórias lindas e emocionantes tínhamos em mãos. Mas todas elas representam cada empreendedora de norte a sul do Brasil, mulheres que se arriscam, que ousam, caem, recomeçam, mas nunca desistem de seus sonhos.”

A seguir, uma amostra de cinco histórias do livro, uma por capítulo, só para dar um gostinho. Confira:

SEM EMPREGO, ELA PEGOU O TACHO E FOI VENDER DOCE NA RUA

A mineira Maria José de Lima trabalhava como faxineira em uma agência bancária, mas foi demitida na volta da licença-maternidade do segundo filho. Depois de mais de um ano procurando emprego, Mazé cansou de esperar que alguém lhe desse uma oportunidade. E decidiu que era hora de se virar sozinha.

Lembrando dos tempos de infância, na roça, ela pegou um tacho, comprou alguns ingredientes e se pôs a preparar um doce para vender na rua, tal qual fazia quando criança. E, com os primeiros R$ 20 que ganhou, começou seu negócio: a Mazé Doces, loja e fábrica de doces caseiros com sede em Carmópolis, Minas Gerais.

“O que me move é olhar para trás e ver que o tacho e o fogão transformaram a minha vida. E essas mulheres que trabalham comigo também veem o que fui no passado e o que faço hoje e se espelham nisso”

“Essas mulheres”, no caso, são as 23 funcionárias da empresa, responsáveis por produzir até 5 toneladas de guloseimas por mês. Em oito anos, a Mazé Doces virou referência em frutas cristalizadas, compotas, geleias, doces em calda e cremosos. O campeão de vendas? Doce de figo com nozes.

SER MÃE É… ENCARAR O CÂNCER E EMPREENDER PELA SAÚDE DO FILHO

Em 2015, no curto espaço de duas semanas, Cristiane Carvalho recebeu um baque duplo, na forma de dois diagnósticos: seu filho tinha Transtorno de Espectro Autista (TEA) e ela própria precisaria enfrentar um câncer de mama.

Enquanto cuidava de sua saúde, Cristiane se pôs paralelamente a pesquisar sobre o TEA, para descobrir como poderia melhorar a vida do filho. Assim, ficou sabendo que um dos maiores desafios para autistas é reconhecer as emoções — as próprias e as das pessoas ao redor.

“Não era falta de sensibilidade, meu filho só não sabia exatamente como agir em determinados momentos. Procurei em lojas especializadas por produtos que pudessem atendê-lo, mas não encontrei. Eu mesma teria que criar a solução”

Assim nasceu a TeraPlay, uma loja online de produtos que ajudam pessoas, autistas ou não, a lidarem com suas emoções. São brinquedos e recursos terapêuticos — como bolinhas antiestresse e mordedores de estimulação sensorial — para crianças, adolescentes e adultos típicos e atípicos (autismo ou TEA, TDHA, Síndrome de Down, entre outros).

UM PROJETO NO ENSINO MÉDIO FOI A SEMENTE DO EMPREENDEDORISMO

Empreendedora mais jovem do livro, a carioca Bia Santos, 23, é a CEO da Barkus, que visa levar a educação financeira para jovens e adultos.

“O impacto disso é enorme, especialmente em um país onde mais de 12 milhões de jovens entre 18 e 29 anos estão inadimplentes. Número crescente, ano após ano”

Durante o Ensino Médio, em um projeto na escola, Bia e dois colegas — Marden Rodrigues e Wallace Marques — propuseram a educação financeira como resposta para o problema de consumo exagerado e sem planejamento, depois de realizarem uma pesquisa com mais de 200 jovens.

Em 2015, eles se reencontraram. E perceberam o quanto ter tido acesso àqueles conhecimentos foi importantíssimo. Mesmo ganhando pouco, os três jovens adultos já tinham um controle financeiro, um planejamento organizado de curto, médio e longo prazo, e buscavam aplicações inteligentes para seu dinheiro.

A Barkus surgiu um ano depois. Com foco em grupos minorizados, a empresa tem o propósito de democratizar o acesso a conhecimentos de finanças pessoais, evitar o endividamento e incentivar a população a investir.

A MODA PODE E DEVE SER UM INSTRUMENTO DE COMBATE À GORDOFOBIA

Algumas mulheres empreendem empoderando outras mulheres. Empunhando, no dia a dia do negócio, a bandeira da diversidade e da inclusão, seja combatendo a homofobia, o racismo — ou a gordofobia.

É o caso de Amanda Momente e Marioli Oliveira, fundadoras da WonderSize, marca fitness plus size com roupas que vestem até o tamanho 66. Marioli explica:

“Pensamos nossas peças para que as clientes também se sintam assim, seguras e confortáveis com seus corpos, que elas entendam que podem e merecem ocupar todos os espaços públicos e fazer suas próprias escolhas”

Em 2016, após sua gestação e pesando cerca de 140 quilos, Amanda queria voltar a praticar exercícios. Teve de começar a criar suas próprias roupas já que nenhuma loja vestia seu manequim. Coincidentemente, Marioli voltava da licença-maternidade com o desejo de empreender.

Elas juntaram as experiências e vontades e criaram a primeira peça, uma legging batizada de Joana Dark, para as “batalhas” do cotidiano. Depois de montar toda a coleção em um mês, lançaram a marca em grande estilo, em 2017, num desfile do São Paulo Fashion Weekend Plus Size.

ELA DECIDIU INOVAR NO SETOR DE MATERNIDADE — ANTES DE SER MÃE

Ana Paula Prati trabalhou por sete anos em duas fabricantes de berços, carrinhos e cadeirinhas para bebês. Traçando estratégias de marketing voltadas para mães, entendeu que o pacote “filhos” inclui uma série de perrengues. Sair de casa com as crianças, por exemplo, é um desafio logístico.

Uma luzinha se acendeu em sua cabeça, e assim ela começou a esboçar o Baby Check-in, um aplicativo que mapeia locais, serviços e profissionais adequados para crianças, gestantes e familiares. Este ano, Ana Paulo se tornou mãe, aguçando mais o olhar para seu público-alvo.

“Hoje, tenho um contato muito mais pessoal com tudo o que envolve a empresa e vivo na pele as dificuldades que motivaram a criação da Baby Check-in. Mas uma coisa não muda: continuo acreditando na construção de ambientes e atividades para toda a família”

Desde 2014, a empresa ajustou o foco algumas vezes para se adaptar a demandas do setor. Atualmente, o app indica profissionais e serviços para atender gestantes e famílias com crianças de 0 a 6 anos. São cerca de 600 cadastros e 9 mil usuários de várias partes do país.

***

O livro digital Somos Empreendedoras traz as versões completas das histórias acima e mais 20 relatos inspiradores. O download é gratuito e está disponível em duas versões:

Baixe aqui o livro em formato PDF
(Para ler no computador, no Kindle ou no mobile)

Baixe aqui o livro em formato ePub
(Para acessar em apps leitores desse formato, além de Kindle, Kobo etc.)

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