Como o agronegócio testa seus produtos para garantir sua segurança?

Fernanda Cury - 11 set 2015
Centro de pesquisa da Monsanto em Uberlândia: testes rigorosos para garantir a confiabilidade dos produtos
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Muito se discute sobre a segurança dos produtos agrícolas, principalmente em relação aos transgênicos. Há quem torça o nariz e acredite que eles oferecem riscos para a saúde e para o planeta, e há aqueles que confiam tranquilamente no seu consumo. Como o assunto desperta discussões acaloradas e envolve questões relacionadas a saúde e proteção ambiental, a melhor saída para apagar o fogo e acalmar os ânimos é esclarecer os fatos como eles realmente são, embasados em pesquisas e estudos.

Talvez você não saiba: assim como a indústria farmacêutica, as empresas de insumos são obrigadas por lei a testar exaustivamente seus produtos antes de colocá-los no mercado. Para se ter uma ideia, um transgênico passa em média por 10 anos de testes até que possa vir a ser comercializado. Segundo Luciano Fonseca, gerente de Regulamentação-Segurança de Produtos da Monsanto, qualquer produto agrícola, seja geneticamente modificado ou não, passa por uma longa bateria de testes e deve atender a uma série de requisitos exigidos pelas agências regulatórias responsáveis pelas aprovações. “E todos estes resultados suportam a segurança do produto para o consumo humano, animal e para o meio ambiente”, diz.  

Controle absoluto em todo o mundo

Há quem questione o fato de as pesquisas contarem com o patrocínio das próprias empresas. Sim, elas precisam apresentar uma série de análises, assim como acontece na indústria farmacêutica. Mas não tem por que questionar a veracidade e autenticidade destes resultados, uma vez que eles posteriormente ainda passam pela aprovação de diversos órgãos reguladores em todo o mundo, com regras rígidas, que acompanham todos as investigações até a aprovação final. Nos EUA, por exemplo, estes testes são analisados pelo Departamento de Agricultura (USDA), pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) e pelo Órgão de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA). A União Europeia, que regula fortemente os transgênicos, também realiza vários estudos de biossegurança: foram mais de 130 projetos de pesquisa abrangendo um quarto de século e envolvendo mais de 500 grupos independentes até que a comissão europeia concluísse que a biotecnologia, em particular os OGM (organismos geneticamente modificados), não oferece mais riscos que as tecnologias convencionais de cruzamento de plantas. Este, aliás, foi o mesmo resultado de todas as análises realizadas pelos grandes órgãos científicos e agências reguladoras do planeta: as culturas derivadas da biotecnologia e os alimentos atualmente disponíveis no mercado são seguros.

No Brasil, controle rigoroso

Por aqui, a Lei de Biossegurança (Lei no 11.105/05) exige que qualquer organismo geneticamente modificado passe pela avaliação criteriosa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e todas as empresas que comercializam estes produtos devem seguir suas normas e análises à risca. Para descartar impactos à saúde humana, por exemplo, são feitas avaliações toxicológicas e nutricionais, entre outras. Já em relação ao meio ambiente, experimentos de laboratório e de campo verificam se o organismo transgênico interage com plantas, insetos e outros animais da mesma forma que o não-transgênico. A forma como o material genético do OGM se dispersa no ambiente também é observada, assim como as possibilidades de cruzamento com plantas nativas. “Além da segurança propriamente dita, os testes também são conduzidos no campo para comprovar a efetividade dos genes de interesse no ambiente produtivo do País”, diz Luciano.

Um exemplo interessante foi registrado na publicação Monitoramento Ambiental – Soja Roundup Ready. Baseado em resultados de 05 anos de estudos sobre o impacto da soja transgênica ao meio ambiente, o estudo mostrou que a tecnologia é tão segura quanto a soja convencional e que não há evidência alguma de riscos ambientais decorrentes do seu plantio. O levantamento é considerado o mais completo e extenso monitoramento de um produto agrícola alimentício já realizado no país.

Processo longo e criterioso

 

Processo de Aprovação dos Transgênicos

 

Saúde protegida

Segundo Robinson Pitelli, agrônomo e conselheiro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), os OGM passam por avaliações relativas ao organismo doador, à planta receptora, à proteína expressada, à alergenicidade, à qualidade nutricional e a outros efeitos adversos. “Graças a todas estas análises e estudos, não deveríamos considerar as plantas transgênicas, cujas modificações são dirigidas e específicas, como portadoras de risco”, diz. Esta avaliação aprofundada sobre os efeitos dos transgênicos em relação a possíveis alergias não encontra paralelo nas pesquisas com alimentos convencionais. Ou seja: os OGM são estudados, checados, avaliados e reavaliados com mais profundidade, para que não haja nenhum risco à saúde de quem os consome.

Ainda assim, vale destacar que os cientistas procuram trabalhar com a inserção de genes que já tenham um histórico de uso seguro na alimentação – ou que, mesmo indiretamente, façam parte do nosso dia-a-dia. Quer um exemplo? O gene da bactéria Bacillus thuringiensis, que oferece resistência ao milho e a soja, protegendo-os contra os insetos e pragas. Há mais de 20 anos a proteína desta bactéria, presente naturalmente no solo, vem sendo utilizada na agricultura convencional – e depois, na orgânica, sem qualquer contraindicação.

 

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