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Duas femtechs e um só propósito: para dar ainda mais poder às mulheres em sua busca por prazer, elas decidiram unir suas startups

Dani Rosolen - 8 nov 2022
Marília Ponte (à esq.) e Marina Ratton, cofundadoras da Feel&Lilit.
Dani Rosolen - 8 nov 2022
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Quando a Lilit, de mini vibradores de clitóris, e a Feel, marca de cosméticos com fórmulas naturais para o bem-estar íntimo feminino, surgiram, em 2020, o ecossistema de startups brasileiro ainda falava timidamente sobre femtechs e sextechs, mas as duas fundadoras já estavam imersas no assunto há pelo menos dois anos.

O Draft chegou a perfilar os negócios aqui e aqui. Corta para 2022. As duas femtechs sobreviveram e até cresceram na pandemia, quando o sexual wellness se tornou pauta em meio ao isolamento social. 

Apesar de terem o mesmo propósito, oferecer soluções criadas por e para  mulheres a fim de melhorar o bem-estar íntimo delas, não dava para imaginar que as duas empresas se transformariam numa única marca, a Feel&Lilit, em junho deste ano. 

A fusão de duas “concorrentes” é um movimento pouco visto no mercado e que prova que a sororidade não é só discurso da boca para fora entre as mulheres. No mundo dos negócios, a sororidade ajuda também empreendedoras a crescerem juntas e a mostrarem para o mercado todo seu potencial. 

Aliás, nem é preciso mostrar muito, os dados falam por si. Segundo o instituto Allied Market Research, este setor movimenta mais de US$ 50 bilhões por ano globalmente e a expectativa é alcançar um faturamento de US$ 108 bilhões no mundo em 2027. 

Por enquanto, cada marca vende em seu próprio site; os itens da Lilit também são encontrados no e-commerce da Feel e vice-versa, mas a ideia é, em breve, ter uma plataforma única.

Agora, o foco da femtech, além de fortalecer a aliança, é produzir cada vez mais conteúdos significativos para as suas clientes. Hoje, para isso há um blog, materiais gratuitos (como esse mini-curso sobre masturbação prazerosa) e uma página de contos eróticos. Outra meta, claro, é chamar a atenção dos investidores, porque esse mercado continua quente!

Leia a seguir a entrevista com Marina Ratton e Marília Ponte, cofundadoras da Feel&Lilit:  

 

Como e quando surgiu a ideia de unir as marcas?
MARINA: A união das marcas surgiu da grande sinergia entre as duas empresas e as suas fundadoras.

A Marília e eu criamos as femtechs no mesmo período, em outubro de 2020, no meio da pandemia. 

Já de cara nos identificamos e tínhamos os mesmos propósitos, fizemos várias parcerias e o nosso “namoro comercial” evoluiu até chegar no casamento, como costumamos chamar

A Feel é a marca mãe e a Lilit, uma linha dentro da Feel. 

Quais são as complementaridades e sinergias das duas?
MARÍLIA: Acreditamos que os tabus devem ser quebrados e que falar de sexualidade, saúde e bem-estar íntimo é cada vez mais necessário.

Vivemos uma realidade em que as mulheres são as maiores decisoras de saúde e as que mais gastam com cuidados e produtos para o bem-estar íntimo

Feel acredita no autocuidado, autoconhecimento, liberdade e prazer, assim como Lilit. 

Para a empreendedora da Lilit, o que a Feel e a Marina agregam?
MARÍLIA: Empreender é uma jornada muito solitária mesmo quando contamos com time, parceiros, investidores e apoio dos nossos. 

A melhor decisão foi estar aberta para uma possível sociedade desde o início. É como optar por uma corrida em time, em revezamento, ao invés de uma maratona solo.

A sociedade com a Marina é esse casamento que agrega diariamente para o meu desenvolvimento pessoal e principalmente para o crescimento do nosso negócio. 

E para a empreendedora da Feel, o que a Marília e a Lilit trazem de ganho para o negócio?
MARINA: A Lilit reforça o conceito de que a saúde sexual feminina precisa de cuidado. 

Quando falamos de um device, um vibrador, além de prazer, estamos falando da região pélvica mais irrigada e fortalecida com os espasmos e contração de prazer

Esse conceito só é possível com a vinda de Lilit. Além disso, a Feel ganha uma das melhores sócias que uma empresa pode sonhar.

Marília, além do know how adquirido acompanhando tantos empreendedores Endeavor, tem um olhar especial e focado nas pain points das clientes. 

O que mudou desde a fusão?
MARINA: Nós estamos desenvolvendo um único site e levando, além de produtos e soluções, conteúdos sobre saúde, sexualidade e bem-estar íntimo de forma bem didática.

O objetivo é ser uma Amazon da sexualidade, que além de ter produtos, ofereça conteúdo educativo para nossas clientes

Também estamos ampliando a nossa participação no mercado de sexual wellness e fechando parcerias com outras marcas, como Renner e Cantão, por exemplo. 

Houve algum desafio mais específico nesta união?
MARÍLIA: Como em qualquer empresa e parceria comercial, desafios sempre existem, mas no nosso caso foi conduzido de uma forma muito segura e com bastante cuidado. 

Levamos o tempo necessário e aparamos todas as arestas antes de divulgar para o mercado [a divulgação aconteceu aqui]. 

Que tipos de produtos e estratégias estão sendo desenhadas nesse novo contexto?
MARINA: Temos muitas novidades sendo desenvolvidas para o primeiro semestre de 2023, como um site conjunto, onde vamos abrir mais espaço para relatos das nossas consumidoras e abastecê-lo com conteúdos educativos sobre sexualidade.

Em termos de produtos, temos o Óleo Calmante Feel, pré-lançado novamente agora em outubro

A partir de pesquisas com a nossa comunidade de mulheres, ele passou a ter mais propriedades e pode ser usado no pré e pós-depilatório (axilas, virilha e bumbum) e também na vagina e área externa da vulva.

O mercado de sexual wellness ainda enfrenta muitos preconceitos e tabus. Vocês acreditam que juntas é mais fácil criar estratégias para quebrar essas barreiras?
MARÍLIA: Sem dúvidas, o mercado de sexual wellness é promissor, porém ainda rodeado de tabus e preconceitos, muito pela falta de conhecimento das pessoas. 

Quando falamos em bem-estar íntimo não estamos falando apenas de sexo e sim de toda a jornada de saúde da mulher, que precisa de atenção e informação.

Juntas, nós nos fortalecemos enquanto femtech e traçamos metas e objetivos em comum: ampliar o debate sobre saúde e sexualidade feminina, visando atrair maior atenção e investimento dos fundos nas femtechs. 

A Feel&Lilit faz parte do Femtechs Brasil. Como a associação está ajudando a posicionar a marca e a difundir o movimento das femtechs no Brasil?
MARINA: O Femtechs Brasil é um movimento que reúne femtechs brasileiras e suas fundadoras, que são engajadas na luta pela ampliação do mercado e atração de mais investimento.

Nosso objetivo é mostrar a importância de se falar sobre saúde, sexualidade, maternidade e bem-estar íntimo feminino

E o movimento ajuda na divulgação das nossas ações e fortalece a construção da nossa identidade junto ao mercado.

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