• Camada_1
  • LOGO_DRAFTERS_NEGATIVO
  • VBT_LOGO_NEGATIVO
  • Logo

Elas transformam móveis escolares usados que virariam sucata em peças prontas para voltar às salas de aula

Dani Rosolen - 24 ago 2026 Laura Camargos Pimenta (à esq.) e Izabela Bazo, fundadoras da Reescola.
Laura Camargos Pimenta (à esq.) e Izabela Bazo, fundadoras da Reescola.
Dani Rosolen - 24 ago 2026
COMPARTILHAR

A Reescola nasceu de uma trajetória que combina biotecnologia, marketing e a percepção de um problema antigo do universo escolar: o descarte do mobiliário. 

Fundada por Laura Camargos Pimenta, 27, e Izabela Bazo, 28, a startup reindustrializa móveis escolares usados, transformando peças que iriam para sucata em conjuntos prontos para as salas de aula.

Reconhecida pelo Sebrae Startups 2026 entre as 100 mais promissoras do setor de impacto social e govtechs, a Reescola quer provar que seu modelo é sustentável para o bolso e para o meio ambiente. Ao mesmo tempo que oferece redução de custos para escolas, aposta na economia circular para criar uma cadeia produtiva com menos impacto.

A empresa começou a operar em outubro de 2024, num galpão de 20 metros quadrados, em Franca (SP), com as duas sócias pondo a mão na massa. Hoje, ocupa um espaço fabril de 2.500 metros quadrados e conta com o apoio de uma equipe de dez pessoas.

Em menos de dois anos de atividade, a Reescola já entregou mais de 10 mil conjuntos para 300 escolas.

FORMADA EM BIOTECNOLOGIA, LAURA TRABALHOU COM MARKETING ANTES DE DECIDIR EMPREENDER

Natural de Franca, Laura cresceu no meio educacional. “Minha mãe é professora e minhas tias, também. Acho que sou a única mulher da família que seguiu outro caminho.”

Ela foi fazer Biotecnologia na Universidade Federal de Uberlândia (MG) e, ainda na faculdade, percebeu que seu interesse ia além da ciência e da tecnologia. A estudante gostava do mundo dos negócios.

“Assim que me formei, comecei a trabalhar em startups. Passei pela InsilicAll, de saúde, e Carefey, de auditoria médica, na parte de marketing comercial”, lembra. Ela foi inclusive fazer um MBA na área. Até que resolveu empreender:

“Fundei minha própria agência para ajudar outros negócios da área de ciência, inovação e tecnologia a crescer”

Laura conta que tocou a agência por dois anos, com bons resultados. “A gente gerou mais de 15 milhões [de reais] de faturamento para os clientes, fizemos lançamento de infoprodutos e muitas outras coisas legais. Mas senti que queria viver um outro desafio, fazer algo maior.”

Na época, ela começou a estudar sobre economia circular e se deparou com um dado que chamou sua atenção: o volume de móveis escolares usados sem destino adequado.

Instigada a buscar uma solução para esse problema, Laura chamou Izabela, que já trabalhava em sua agência como profissional de social media, para criarem juntas um novo negócio. Nascia assim a Reescola.

ELAS CRIARAM UMA METODOLOGIA PARA GARANTIR A QUALIDADE E A PADRONIZAÇÃO DOS MÓVEIS REINDUSTRIALIZADOS

Os trabalhos começaram em um galpão alugado do avô de Laura.

“A gente começou reformando os conjuntos escolares que comprávamos, ainda não era um processo de reindustrialização… Eu pensava no que poderia ser feito para recuperar o móvel e a Izabela executava, depois eu vendia.”

Aos poucos, a dupla foi profissionalizando o negócio e criou um método de reindustrialização, que segundo Laura tem até patente depositada.

“Usei meus conhecimentos de biotecnologia para que esses móveis que chegam cada um de um jeito possam ser entregues no mesmo padrão”  

Pensando em manter padrão, a Reescola só compra móveis usados FNDE. Ou seja, que seguem normas definidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, para garantir tamanhos adequados, ergonomia, durabilidade e inclusão.

Sala de aula com móveis da Reescola.

Hoje, a startup adquire conjuntos de mobiliário via logística reversa e não diretamente de escolas. O processo começa com a triagem do material no espaço fabril – se o equipamento tiver um dano estrutural muito grande, nem vale mexer – e segue por etapas de reindustrialização.

A primeira é a higienização e decapagem das ferragens, com remoção de tinta e ferrugem; depois vem o preparo para a pintura, com duas camadas de tinta; seguido pela fabricação de tampos novos em MDF; e recuperação (ou mesmo substituição, quando necessário, em parceria com uma fábrica parceira) de peças plásticas, como assentos e encostos.

Após parafusar essas últimas partes, o móvel está pronto para ser entregue e utilizado no dia a dia dos estudantes.

ECONOMIA E IMPACTO AMBIENTAL: AS PROMESSAS DA REESCOLA

A economia financeira é um dos principais pilares da Reescola, que oferece uma redução de até 50% no custo em relação ao mobiliário novo.

A empresa cobra a partir de R$ 259,99 por conjunto reindustrializado, enquanto um novo, segundo Laura, pode custar de 400 a 600 reais. 

“Quanto mais a gente consegue ajudar as escolas a economizar, mais elas podem investir em educação, tecnologia e professores para melhorar o ensino. Esse é o nosso intuito”

As encomendas, diz ela, ficam na média de 50 conjuntos (o pedido mínimo é de 30) e o prazo de entrega, de cerca de 60 dias. A maior parte dos clientes está na rede privada, especialmente em Minas Gerais e São Paulo, embora sua abrangência seja nacional.

Segundo Laura, a Reescola já atendeu mais de 300 escolas, como Colégio Deo Volente, de São Paulo, Colégio Piaget, de Franca (SP), Colégio Cristão, de Montes Claros (MG), e Colégio Interagir, de Ibirité (MG).

No quesito impacto ambiental, a fundadora diz que a empresa fez um cálculo interno, com base no peso do metal reaproveitado e em fatores associados à produção de móveis novos, e chegou ao montante de mais de 14 toneladas de emissões de CO2 que teriam sido evitadas, nos últimos dois anos, graças a seu modelo de negócio.

A EDUCAÇÃO DO MERCADO AINDA É UMA BARREIRA

Embora o modelo tenha se provado e a startup, despertado interesse de investidores – a Reescola busca aportes e, para tanto, encomendou um laudo com a Helping Hand, que estimou seu valuation em 5 milhões de reais –, ainda há desafios pela frente.

Para Laura, a maior dificuldade é educar o mercado sobre a compra de móveis seminovos com padrão industrial. 

“As escolas ainda estão acostumadas a comprar o mobiliário novo de fábrica, então para elas esse modelo é muito novo, por isso temos um trabalho educativo muito grande”

Além de investir em comunicação, as sócias apostam no modelo de franquias para solucionar esse impasse.

“Estamos com um processo seletivo em andamento para ter unidades da Reescola próximas a possíveis clientes”, diz Laura. “Assim, eles poderão ver nossa qualidade, padrão e sentir mais segurança na hora de comprar.”

COMPARTILHAR

Confira Também: