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“Escola 3M de Inovação”: como o conhecimento da empresa sobre Inovação já inspirou mais de 60 mil pessoas pelo Brasil

Cláudia de Castro Lima - 27 jan 2022
Luiz Serafim em uma das palestras da 3M para inspirar inovação (Foto: Cecatto)
Cláudia de Castro Lima - 27 jan 2022
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Os líderes da 3M entenderam, há muito tempo, que ninguém deveria bloquear o caminho de uma pessoa criativa e apaixonada, porque daí pode sair a próxima ação inovadora.

O CEO histórico William McKnight, Dick Drew, o inventor da fita crepe, e muitos outros colegas espalharam sementes da cultura de inovação na 3M com esse olhar pioneiro para as necessidades dos clientes, o apetite para diversificar negócios, o foco em ciência e tecnologia.

E também a inspiração para uma norma que surgiu na companhia há quase um século, foi formalizada nos anos 1950 e permanece até hoje: a “regra dos 15%”.

Independentemente de sua atribuição, os intraempreendedores da 3M são incentivados a dedicar até 15% de suas horas de trabalho a projetos de iniciativa pessoal, nos quais enxergam potencial para os negócios da empresa.

Com essas sementes germinando ao longo de décadas, a 3M foi se consolidando como organização multidiversificada, trazendo ao mundo as primeiras placas refletivas de trânsito, a fita isolante, a esponja Scotch-Brite®, os respiradores, campos cirúrgicos, o Post-it®, entre tantas inovações.

A reputação rapidamente se espalhou mundo afora.

“Como a 3M é percebida há décadas como empresa inovadora, outras companhias que embarcavam na jornada de inovação nos adotaram como benchmark obrigatório”, diz Luiz Serafim, head de Marca e Comunicação da 3M no Brasil.

Há pelo menos 40 anos, grandes empresas que atuam no país passaram a procurar a 3M para dar o pontapé inicial na criação de uma cultura de inovação. Despretensiosamente, nascia assim uma espécie de “Escola 3M de Inovação” – que, embora não tenha sido batizada oficialmente, já impactou mais de 60 mil pessoas nos últimos 15 anos e segue em plena atividade.

QUANDO UMA EMPRESA VIRA UM MODELO DE INOVAÇÃO

Muito aberta à colaboração, princípio de uma cultura inovadora, a 3M começou a fazer apresentações, sempre que procurada para falar de como promovia a inovação, baseando-se em um roteiro elaborado pela matriz americana. Ele contava um pouco da cultura, dos produtos e do modelo de inovação da companhia.

Marcelo Tambascia, gerente técnico de Pesquisa e Desenvolvimento a partir do fim dos anos 1980, costumava ser chamado para fazer essas palestras, inclusive em faculdades.

“As empresas buscavam a 3M para discutir como era nosso modelo de inovação, como os produtos surgiam, se era por acaso, tipo aquela coisa maluca de professor de laboratório”, diverte-se ele.

“Não, gente, não é assim. Algumas vezes, uma descoberta científica até pode surgir por acaso, mas não a inovação”, ele prontifica-se a tirar a dúvida. “O conceito mais clássico de inovação é algo novo que gera valor para a empresa, e este processo depende de muito mais coisas do que simples acaso.”

Com mais de 50 mil itens em seu portfólio de produtos – entre eles o icônico Post-it® –, a companhia sempre teve bastante história para contar, inclusive a do próprio bloquinho de recados, que foi uma criação colaborativa (se você não a conhece, leia aqui).

Mas o material usado para essas palestras, desenvolvido pelo pessoal de P&D da matriz norte-americana, tinha um tom muito institucional, mais para promover a empresa do que ensinar a inovar. Quando, em 2008, Luiz Serafim passou a liderar a área de reputação corporativa, percebeu uma enorme oportunidade.

“Embora o conteúdo fosse relevante e as pessoas adorassem, o foco da apresentação não era empoderar quem estava assistindo”, conta.

“As lideranças de empresas, os estudantes universitários, todos precisavam urgentemente aprender sobre Inovação e tinham a 3M como referência. Era hora de criar conteúdos que oferecessem às plateias conceitos e práticas que as capacitassem para inovar em suas organizações”, diz.

“Tínhamos algo de muito valor e, de forma intuitiva, acabei antecipando a abordagem de brand content que se fortaleceria no Brasil nos anos seguintes”.

O storytelling foi repensado com a ajuda de vários colaboradores da 3M, e uma nova apresentação, mais visual e atraente, foi criada. A tônica eram os passos necessários para alavancar a inovação nas empresas.

Tambascia e Serafim passaram a treinar vários outros colaboradores voluntários da empresa para eles próprios se tornarem speakers – com liberdade para dar seus toques particulares. E a “Escola 3M de Inovação” passou a ser mais estruturada, apesar de não ser um programa formal com currículo ou certificado.

Apresentação realizada no hub de inovação WeMe

“Essa forma 3M de inspirar a inovação é, na verdade, composta por várias atividades de compartilhamento e ensino, entre elas a palestra, mas também com muitos conteúdos digitais e, quando possível, visitas ao nosso Centro de Inovação, em Sumaré”, diz Tambascia.

Ele menciona o prédio que funciona, desde 2005, como “encantador” de clientes da empresa com seu enorme showroom de produtos e os laboratórios de desenvolvimento.

Entre muitas iniciativas educacionais, a 3M manteve um website focado em ensinar inovação por 12 anos e chegou a oferecer um curso formal de gestão em inovação em parceria com a FIA, Fundação Instituto de Administração, por dois anos. O Centro de Inovação, historicamente, recebe mais de 6 mil pessoas anualmente.

O Livro “O Poder da Inovação”, publicado pela editora Saraiva, destaca os princípios de inovação da 3M e de outras empresas. E, há 10 anos, a 3M organizou o “Innovation Connections” em São Paulo, evento com palestrantes de diversas empresas e encerramento de Art Fry, o próprio inventor do Post-it® – em sua única visita ao Brasil.

MAS E AÍ, COMO SE FAZ INOVAÇÃO NA 3M?

Na década de 1990, a 3M tinha uma meta que apenas há poucos anos tornou-se usual nas empresas: 30% de suas receitas deveriam vir de produtos novos. Ter metas com seus indicadores e a mentalidade de buscar gerar impacto tangível faz parte do jogo da inovação.

Conforme Marcelo Tambascia diz, “inovar não é sair fazendo coisas que nunca foram feitas a torto e a direito. Tampouco é apenas reunir os colaboradores da empresa para conseguir uma coleção de boas ideias”.

“Todas as empresas conseguem ser inovadoras em algum momento, porque sempre haverá uma pessoa apaixonada pelo que faz, interessada em aprender mais e gerar mudanças”, explica Luiz Serafim.

“Essa pessoa vai fazer a transformação onde estiver, a despeito de barreiras ou dificuldades como falta de investimento. Por outro lado, isso não leva uma empresa a ser continuamente inovadora”, ele continua. “Para isso, é preciso de um sistema.”

Segundo Serafim, esse sistema é composto de alguns pilares. O ingrediente central são as pessoas. “É preciso valorizar talentos, desenvolver seus potenciais, dar autonomia, oferecer desafios, promover o lifelong learning e a cultura colaborativa, e tudo isso exige um foco vital da empresa no desenvolvimento das lideranças da organização”, pontua.

“A intimidade com o cliente é essencial, pois a única forma de criarmos valor percebido é entender suas necessidades e experiências. Para o longo prazo, também é necessária uma visão estratégica sobre o futuro: para onde a empresa quer ir, quais são as maiores tendências, as principais oportunidades a serem resolvidas e experiências a serem melhoradas.”

Isso tudo, aliado à gestão do processo de inovação, investimentos e outros pontos, fazem as empresas avançarem na jornada da inovação.

“É preciso ser humilde, porque nem nós e nenhuma outra empresa tem um sistema perfeito, mas aqui na 3M e em qualquer boa organização inovadora temos a concepção de que é preciso cultivar esse sistema, atualizá-lo e melhorá-lo sempre.”

Nas apresentações desenvolvidas para a “Escola 3M de Inovação”, os pilares são apresentados junto com exemplos da própria empresa.

“Falamos sobre valores, cultura, relacionamento com cliente, análise de tendências, ciência e tecnologia, histórias de produtos e programas, mas tudo contextualizado para inspirar como o participante pode fazer para inovar em sua empresa.”

PLATEIAS INSPIRADAS E MITOS QUEBRADOS

Visita de executivos membros da AmCham Campinas ao Centro de Inovação 3M

Para Marcelo Tambascia, a “fórmula de inovação da 3M” inspira porque o cliente, empreendedor, executivo, estudante universitário ou de MBA que participa das palestras entende que não há mágica por trás do que a empresa faz.

“Talvez a coisa mais fundamental para conhecer o mercado em que se atua é perguntar para seu cliente: ‘Nesse seu processo, o que o atrapalha?’, ‘Em relação a esse produto, o que é preciso para ter melhor desempenho?’”, diz.

“As pessoas conseguem perceber que observar e perguntar para o cliente onde dói é algo simples que elas também podem fazer. Qualquer um pode, desde que se tenha esse modelo mental.”

As palestras sempre tentaram desmistificar algumas crenças exageradas que se formaram quando Inovação virou tema diário nas empresas. Por exemplo, a importante ideia de que para inovar não basta trazer algo novo, mas é preciso criar valor que seja realmente percebido pelas pessoas.

Outro mito que Serafim busca sempre quebrar é o de que é preciso trazer várias ideias novas e diferentes diariamente para a empresa, como numa gincana randômica pra lá de romântica.

“Na verdade, as empresas reconhecidas como inovadoras como a 3M, Natura, Embraer, Magalu ou Google, têm road maps claros para inovar em direções a um futuro provável e desejável”, explica.

“Claro que esses mapas não são engessados e impermeáveis, mas não é que todo dia a gente chega com um Post-it® com uma ideia nova aleatória na 3M.”

Cada mercado da 3M faz seus estudos, olha adiante, analisa quais são as tendências e necessidades. E assim faz suas apostas para chegar aos futuros desejados dentro de cenários prováveis. “A 3M então aloca gente, recursos, tecnologia para desenvolver os projetos priorizados.”

AS EXPERIÊNCIAS DOS PARTICIPANTES

O gerente de Inovação em Processos Industriais da Grendene, José Rocha, participou desse mergulho na inovação da 3M e acredita que o segredo do sucesso da marca é considerar as pessoas como parte central do processo.

Outro ponto que ele reforça ser inspirador é o fato de a 3M tolerar erros e gerar aprendizados com as falhas. “Sempre encorajando as pessoas a assumirem o protagonismo”, reforça.

Para José Rocha, conhecer o Centro de Inovação da 3M foi também algo muito rico. “É um reforço sobre a visão de que a inovação deve ser multidisciplinar e que exige colaboração em todos os sentidos”, diz.

“O fato de que a inovação nasce pela necessidade de atender uma demanda reforça ainda mais a importância de ouvir, entender, se conectar e envolver o usuário, o cliente durante o desenvolvimento conceitual do projeto de um produto de inovação.”

Para Rocha, a 3M mostra que a inovação não deve fluir de forma independente. “Ela precisa permear a empresa e emergir pelo envolvimento de todos, e principalmente pelo fortalecimento e apoio da liderança na disseminação da cultura de inovação.”

Quando Adair Rangel de Oliveira Junior, consultor de inovação da Basf, visitou o Centro de Inovação da 3M em Sumaré, também saiu bem impressionado.

“Na verdade, fiquei realmente encantado”, diz ele. “Foi lá que tomei conhecimento da diversidade de soluções que a 3M disponibiliza à sociedade. Pudemos ver a aplicação dos produtos da 3M em um ambiente que simula, muito próximo ao real, o que ocorre no mercado e nos usuários finais”, conta.

Adair é um dos clientes/fornecedores/parceiros que usam a 3M como fonte de inspiração para inovar. “A qualidade dos produtos da empresa é um referencial para mim em não me satisfazer com o bom quando somos capazes de alcançar o ótimo”, afirma.

“A diversidade de produtos me inspira a pensar sempre em soluções triviais e não triviais, e quanto mais melhor. A inovação provém da criatividade, e a criatividade da diversidade, e a diversidade se origina na espontaneidade e na liberdade.”

Para ele, a proximidade da 3M com o usuário final é um grande diferencial em um processo de desenvolvimento de produtos – e o envolvimento da liderança na cultura de inovação é essencial.

Depois de tantos anos, mais de mil palestras contabilizadas por muitas dezenas de professores voluntários, com mais de 60 mil pessoas impactadas, a “Escola 3M” está mais firme do que nunca.

Há uma novíssima apresentação versão 2022, o Centro de Inovação foi renovado e está supermoderno e vários canais como o podcast “Inovação em Pauta” e o Blog de Curiosidade https://curiosidad.3m.com/blog/pt/ mantêm o ritmo elevado de geração de conteúdos inspiradores. Claro, sempre com a eterna abertura e disposição da empresa para colaborar e gerar novas conexões.

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