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“Fui aluno de escola pública e criei um projeto de educação financeira para jovens que viviam a mesma realidade que eu”

Deivyd Barros - 20 fev 2026 Deivyd Barros, fundador da Investeens (foto: arquivo pessoal).
Deivyd Barros, fundador da Investeens (foto: arquivo pessoal).
Deivyd Barros - 20 fev 2026
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Sou filho da D. Maria Marlene e do Sr. Antenor. Meu pais saíram do interior do Nordeste e vieram para São Paulo, para tentar um “algo melhor”.

Acho que herdei deles a coragem de arriscar e a garra de não desistir, mesmo diante das dificuldades.

Quando criança, eu não frequentava as melhores escolas e muito menos colecionava viagens. Para ser sincero, eu era o típico jovem da classe média baixa que gostava de uma única coisa: jogar futebol.

Como grande parte dos meninos brasileiros, eu imaginava que seria capaz de mudar minha realidade por meio do esporte, mas na verdade, fui insuficiente. Não deu

Sonhei, busquei, mas senti que não seria capaz de alcançar. Então, escondi esse sonho em mim.

Foi como um bloqueio para me proteger. Mesmo assim, eu me sentia arrasado. Chorei por muito tempo por achar que havia falhado no que eu mais queria.

NA ADOLESCÊNCIA, UM NOVO MUNDO SE ABRIU AOS MEUS OLHOS

Com 13 anos, tudo isso mudou. Através do meu irmão mais velho, ouvi falar pela primeira vez no “mercado financeiro”.

Meu irmão não é economista, nem bancário, mas ouviu sobre poupar e investir dinheiro quando começou a trabalhar, e comentou comigo. Aquilo ficou martelando na minha cabeça

Acreditei que finalmente tinha encontrado minha “galinha dos ovos dourados”. “Dá pra ficar rico com essa parada”, eu pensei.

Mas a primeira coisa que aprendi estudando sobre finanças e investimentos é que, para ficar rico, levaria alguns belos anos… Mesmo assim, eu me encantei por tudo aquilo.

Nessa época, um professor de História com discussões sobre o mundo dos negócios e do empreendedorismo social fez meus olhos brilharem novamente

Eu voltei a acreditar que poderia mudar minha realidade… Mas, desta vez, eu seria a minha mudança, sabe?!

Ainda hoje, às vezes sinto falta de acreditar tanto em alguma coisa como eu acreditava quando tinha aqueles meus 13 anos…

Temas relacionados a negócios, empreendedorismo social e finanças tomaram conta da minha cabeça. Eu só falava disso, só pensava nisso. Eu respirava aquela parada

Tanto é que convenci minha diretora, meus professores e meus amigos de colégio a entrarem nessa comigo.

AO EMPREENDER, APRENDI QUE NINGUÉM CONSTRÓI NADA SOZINHO

Foi na escada da minha escola onde surgiu o que me permitiria realizar alguns dos meus sonhos e chegar em lugares que nunca pensei chegar aos 20 anos.

Minha empresa, a Investeens, nasceu em 2021 de uma conversa com um amigo, que topou acreditar em todas as ideias que eu tinha e sonhou junto comigo.

Com a Investeens vieram novas oportunidades, novas conexões, novas visões de mundo — e os resultados começaram a aparecer

Eu não poderia chegar onde já cheguei sem algumas pessoas que me apoiaram e ajudaram a construir o Deivyd de hoje: minha mãe, meu pai, meu irmão, o professor Daniel, o professor Cleyton, dona Vânia, Renan, João, Emily.

Sem a ajuda deles, eu não teria tido minhas primeiras oportunidades como empreendedor e palestrante.

Mesmo passando por até mais dificuldades do que eu, eles sempre estenderam a mão quando precisei.

E aqui vai a primeira grande lição que aprendi: a gente não constrói nada sozinho.

A SEGUNDA LIÇÃO: O QUE VOCÊ TRAZ DE DIFERENTE É O QUE TE DESTACA

Quando meu irmão começou a financiar meus primeiros eventos de empreendedorismo, negócios e investimentos, eu tinha receio de falar das minhas origens.

Eu imaginava que as pessoas me enxergariam de modo diferente… E eu estava certo: elas me enxergavam diferente — mas de um modo positivo!

O fato de eu ter vindo de uma realidade complexa e continuar me movimentando, procurando dividir com outros jovens o que eu estava aprendendo, apesar das dificuldades, acabou sendo um diferencial.

E na minha realidade, eu não podia me dar ao luxo de fazer só o básico e me esforçar só um pouquinho. Tive, inclusive, que ter a coragem de pegar o microfone e falar

Sou ex-aluno de escola pública. E foi na escola pública que criei a Investeens: um projeto de educação financeira para jovens, que viviam a mesma realidade que eu.

O meu inconformismo me levou adiante e eu soube aproveitar as oportunidades. E se tem uma coisa que pessoas da minha realidade sabem aproveitar é a tal das oportunidades quando elas aparecem…

Uma vez ouvi o Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, citar que a favela, a comunidade, é a maior startup do Brasil. Eu concordo 100%! Da favela nasceram Anitta, Neymar, Emicida e muitos outros.

É PRECISO CORAGEM DIANTE DOS RISCOS E RESILIÊNCIA PARA LIDAR COM OS FRACASSOS

Para empreender, você precisa ter alguns parafusos a menos e acreditar em coisas que só você enxerga.

É difícil. Ter a coragem de tomar riscos é para poucos. E muitas vezes ainda me pego pensando se realmente tenho esse perfil. Tem dias que me acho incrível, tem dias que acho que deveria largar tudo…

Saber lidar com essas dúvidas faz parte da jornada. Você nunca pode se sentir “o brabo” quando as coisas dão certo — e jamais se sentir um fracassado quando as coisas dão errado

Os “nãos” e os “fracassos” são mais comuns do que gostaríamos. Mas também são eles que dividem quem consegue de quem não consegue.

São tantos “nãos” que, em algum momento, você pensa em jogar tudo para o alto. Eu pensei. Mas o que ficou claro para mim é que, se você não desistir, se resistir à vontade de abandonar tudo, as coisas começam a se encaixar.

E quando isso acontece, o céu deixa de ser o limite…

MEUS MOTORES SÃO O INCONFORMISMO E A VONTADE DE MUDAR FUTUROS

Olhando para trás, sabem o que me impulsionou do ponto A para o ponto B? O inconformismo! A insatisfação!

Em algum momento eu me comprometi a buscar as mudanças que eu queria e a não desistir.

Esperar o futuro mudar sua realidade é utopia. O futuro é consequência das suas ações no presente

Ter forças para mudar no hoje é difícil, porque raramente você consegue enxergar um futuro melhor — e quando consegue, muitas vezes esse futuro está tão distante, que é impossível acessá-lo até em sonho.

Mas é preciso realmente acreditar que existem alternativas. Porque sempre existem alternativas.

O que me move é a capacidade de poder mudar futuros, encher jovens de esperança, trazer novas visões e perspectivas

É poder mostrar a esses jovens que não importa a distância ou a estatística: é possível sim! Por mais que todos à sua volta digam o contrário.

Sim, é verdade que não me tornei jogador de futebol, como eu sonhava. Mas descobri que o meu sonho poderia ser ressignificado.

Hoje, sou a prova viva que mesmo um garoto da quebrada pode desenvolver suas habilidades interpessoais — e ganhar dinheiro fazendo aquilo que gosta.

UMA DICA VALIOSA: DESLIGUE O PILOTO AUTOMÁTICO

O resumo é… Descubra a sua “praia”. As oportunidades não vão cair do céu, por isso você precisa se movimentar para gerar mais alternativas e fazer essa descoberta.

Eu sou do time que acredita que as oportunidades podem ser criadas e conquistadas. Mesmo partindo do fundão e tendo que correr o triplo, você pode chegar lá

E quando chegar, seja o tipo de pessoa que abre portas para os “seus” terem acesso àquilo que eles nem sabiam que existia…

Importante, também: sempre se pergunte o “porquê” das coisas. Por que você está fazendo o que faz? Você realmente gosta daquilo? Existe algo que você poderia estar testando em paralelo?

O que faz a maioria das pessoas não se sentirem felizes ou realizadas é o tal do piloto automático, que elas nunca desligam…

Espero que esse artigo tenha te gerado inconformismo e alguma reflexão… Um abraço! Tamo junto!

 

Deivyd Barros, 20, é investidor, palestrante e fundador da Investeens. Reconhecido pela Ashoka como Jovem Transformador em 2025 e finalista do GSEA (maior prêmio global de estudantes empreendedores), foi destaque no Prêmio Jovens Visionários Prudential, na Expo Favela Innovation e em olimpíadas nacionais de finanças e investimentos. Deivyd é coautor do livro Quem te disse que não é possível?, que tem prefácio de Edu Lyra e contracapa assinada pelo nadador paralímpico Daniel Dias.

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