HP Brasil: 400 milhões de reais e 1 000 talentos espalhados pelo país, dedicados à inovação

Fabio Bracht - 12 mar 2015 Cirano Silveira, diretor do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: "com a expansão da Internet das Coisas, não apenas as pessoas, como os próprios dispositivos, vão começar a gerar ainda mais informação. Então o volume de dados em circulação só tende a crescer. A arquitetura atual de informação não vai conseguir capturar, gerir e processar essa quantidade enorme de informação. Para resolver isso estamos trabalhando no projeto The Machine”.
Cirano Silveira, diretor do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: "com a expansão da Internet das Coisas, não apenas as pessoas, como os próprios dispositivos, vão começar a gerar ainda mais informação. Então o volume de dados em circulação só tende a crescer. A arquitetura atual de informação não vai conseguir capturar, gerir e processar essa quantidade enorme de informação. Para resolver isso estamos trabalhando no projeto The Machine”.
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Na cola do papo com Márcio Furrier, sentamos com os líderes da equipe de Pesquisa & Desenvolvimento da HP Brasil para uma conversa sobre o futuro da tecnologia. O que virá por aí nos próximos anos? No que a HP foca seus esforços de pesquisa? De que forma a empresa imagina que o futuro está sendo reinventado?

Conversamos com Antônio Gomes, Cirano Silveira e Rodrigo Prati, respectivamente, Arquiteto-Chefe, Diretor e Gerente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil. Eles estão à frente do Centro de P&D da HP Brasil, uma área da empresa que, somente aqui no Brasil, já recebeu investimentos de mais de 400 milhões de reais nos últimos 5 anos e que é o núcleo de um ecossistema que conta com a participação de mais de 1 000 pessoas, espalhadas por mais de 17 Instituições de P&D, desde o Sul (onde fica o Centro de P&D, em Porto Alegre) até o Nordeste, desenvolvendo projetos com a marca HP para o mundo inteiro.

O papel dos grupos de Pesquisa e Desenvolvimento da HP é pensar no futuro. Alguns grupos focam no curto prazo, pensando nas evoluções pontuais dos produtos e serviços que a empresa oferece e vai oferecer nos próximos três ou quatro anos, enquanto um outro grupo, chamado HP Labs, tem a missão de olhar bem mais para frente, num horizonte de até 20 anos, e pensar livremente na tecnologia que nós e os nossos filhos estarão utilizando nas próximas décadas. “O HP Labs pode trabalhar até mesmo em áreas que nem sequer estão mapeadas como áreas estratégicas para a HP neste momento”, diz Rodrigo Prati.

Antônio Gomes, arquiteto-chefe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: “A quantidade de energia consumida está chegando ao seu limite – até quando o processamento será um processo sustentável? Se você somar o consumo de energia de todos os Data Centers das grandes empresas que operam no mundo, você tem um número semelhante ao consumo de energia do Japão, que é o quinto país em consumo de energia no mundo."

Antônio Gomes, arquiteto-chefe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: “A quantidade de energia consumida está chegando ao seu limite – até quando o processamento será um processo sustentável? Se você somar o consumo de energia de todos os Data Centers das grandes empresas que operam no mundo, você tem um número semelhante ao consumo de energia do Japão, que é o quinto país em consumo de energia no mundo.”

 

O que passa pela cabeça dos profissionais cujo trabalho é inventar o futuro em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo?
Um dos projetos mais interessantes do HP Labs é o The Machine. Apesar do nome, que significa literalmente “a máquina”, Cirano Silveira afirma que não se trata somente de um novo paradigma de hardware: “é, sim, uma nova proposta que vai nos permitir repensar absolutamente tudo que se apoia no hardware. Isso vai nos levar a outros tipos de sistemas operacionais (nos quais a HP já está trabalhando), outros tipos de aplicações e outros tipos de preocupações e desafios”. O Brasil está contribuindo ativamente neste projeto em diversos componentes da solução.

Em que se baseia essa nova proposta da The Machine?
“O que se tem hoje é uma geração muito grande de informação e de dados, que continua crescendo numa escala jamais vista. E agora, com a expansão da Internet das Coisas, não apenas as pessoas, como os próprios dispositivos, vão começar a gerar ainda mais informação, com seus sensores e com tudo que podem capturar do ambiente onde estiverem. Então esse volume de dados só tende a crescer. A arquitetura atual de computação não vai conseguir capturar, gerir e processar essa quantidade enorme de informações”, diz Cirano.

“A quantidade de energia consumida está chegando ao seu limite – até quando o processamento será um processo sustentável? Se você somar o consumo de energia de todos os Data Centers das grandes empresas que operam no mundo, você tem um número semelhante ao consumo de energia do Japão, que é o quinto país em consumo de energia no mundo”, diz Antônio.

“O que o The Machine propõe é uma nova arquitetura de computação, que vai romper com alguns desses paradigmas de capacidade de armazenamento, transferência e processamento dessas informações.”

Como isso será alcançado?
“Através da quebra de três paradigmas básicos”, dizem Cirano e Rodrigo. “Quando, hoje, você tem que criar uma hierarquia de memória para ajustar custo e capacidade de armazenamento de uma forma que seja viável economicamente, você vai conseguir ter um armazenamento muito maior, com custo menor e acesso muito mais rápido, com uma tecnologia como o Memristor da HP, dentro do conceito de memória universal — que é um dos paradigmas que a HP se propõe a mudar com o The Machine.”

“Outro paradigma a ser quebrado é o de não usar mais cobre para transmitir informações, mas sim a luz. A HP já tem hoje alguns dispositivos que fazem isso, e a ideia é que essa transferência por luz aconteça até mesmo dentro dos componentes da máquina. Isso reduz a utilização de cobre, reduz o consumo de energia e torna a transferência de informação muito mais rápida.

“Dentro do paradigma da capacidade de processamento, a ideia é usar processadores mais simples, porém mais especializados. Hoje eles são mais genéricos, o que significa que eles precisam estar prontos para tudo e por isso consomem mais energia e, na maioria das vezes, não são usados em sua totalidade.

“Tudo isso acaba revolucionando a arquitetura de computação. O The Machine não é um aparelho em particular, mas sim um grande conceito, uma nova arquitetura, que no futuro vai se aplicar desde aos dispositivos móveis até aos grandes Data Centers.

“A arquitetura de computação hoje possui limitações físicas intrínsecas”, diz Rodrigo. “O que o The Machine propõe é quebrar esses paradigmas físicos da arquitetura de computação (o armazenamento e transferência de dados, com o Memristor), para que, a partir daí se possa criar uma nova arquitetura de informação, um novo sistema operacional, uma nova maneira de fazer as coisas que se aproveite dessa nova realidade física proposta. Esses fatores se sobrepõem de forma que o resultado é um impacto bem maior do que a sua simples soma.”

Rodrigo Prati, gerente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: “um paradigma a ser quebrado é não usarmos mais cobre para transmitir informações, mas sim a luz. Já temos alguns dispositivos que fazem isso, e a ideia é que essa transferência por luz aconteça até mesmo dentro dos componentes da máquina. Isso reduz a utilização de cobre, reduz o consumo de energia e torna a transferência de informação muito mais rápida."

Rodrigo Prati, gerente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da HP Brasil: “um paradigma a ser quebrado é não usarmos mais cobre para transmitir informações, mas sim a luz. Já temos alguns dispositivos que fazem isso, e a ideia é que essa transferência por luz aconteça até mesmo dentro dos componentes da máquina. Isso reduz a utilização de cobre, reduz o consumo de energia e torna a transferência de informação muito mais rápida.”

 

Outro ponto alto da conversa foi o conceito de Blended Reality, que a HP projetou com a junção entre o computador Sprout e a tecnologia Multijet Fusion, de impressão 3D.

Como citado na conversa com Marcio Furrier, essas duas tecnologias andam de mãos dadas para formar o conceito de Blended Reality. Esse conceito diz respeito a harmonizar, combinar e criar uma transição mais natural entre o mundo físico e o digital.

O Centro de P&D da HP Brasil contribui para tornar este conceito em realidade, trabalhando em projetos relacionados ao Sprout e também em impressão 3D.

O maior empecilho dessa transição é o fato de que a nossa vida é em 3D, mas quando tentamos manipular qualquer coisa digitalmente, ficamos presos a uma interface em duas dimensões, e limitados à interação com um mouse ou teclado.

E aí que entram as soluções da HP, como o Sprout, por exemplo, que tem scanner, sensor de profundidade, câmera de alta resolução e projetor. A combinação entre esses elementos permite que você capture e manipule em 3D algum objeto físico no ambiente digital da forma como você está acostumado a fazer no mundo físico: com as suas próprias mãos.

A tecnologia Multijet Fusion, por sua vez, permite que você crie e tangibilize as suas criações e manipulações digitais, trazendo-as para o ambiente físico com maior qualidade e, segundo Cirano, “de modo até dez vezes mais rápido” que soluções similares.

De que forma a adoção da Impressão 3D impacta o negócio da HP, um empresa notória pela sua liderança e pioneirismo no mercado de impressão tradicional?

“O negócio da HP é permitir que as pessoas criem e tenham esse ciclo entre o digital e o real de maneira cada vez mais simples e efetiva”, diz Cirano.

“Temos visto nos últimos anos uma grande revolução no mundo ‘soft’: entretenimento, notícias e educação são exemplos de indústrias que já se digitalizaram e que estão sofrendo transformações profundas, a olhos vistos. O acesso é cada vez mais fácil e barato, e a produção mais abundante. Uma revolução muito semelhante está prestes a acontecer também com o mundo dos átomos, no mundo físico”, afirma Rodrigo.

“Estima-se que um terço da economia do mundo hoje é baseado em informação; dois terços são feitos de átomos. Temos um vasto campo aí para evoluir e fazer essa mesma revolução que se viu no mundo das informações acontecer também com o mundo concreto.”

 

Com esta série HP/Intel no Draft, abordamos as ferramentas e tecnologias usadas pelos inovadores, o lifestyle e os novos jeitos de trabalhar dos game changers brasileiros, os novos espaços de trabalho e os novos jeitos de gerir dos nossos makers, como pensam e como fazem negócios os empreendedores mais criativos do país. E também a visão de futuro da empresa, na voz dos seus executivos.

 

AssinaturaHP

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