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“A atuação tem servido de inspiração a outros players do setor”: como o Instituto Sabin fomenta negócios de impacto do país

Cláudia de Castro Lima - 6 maio 2021
A instituição investe tanto diretamente nos negócios como por meio de organizações dinamizadoras – que, por sua vez, apoiam ONGs, cooperativas ou startups que geram impacto social. Na foto, colaboradores e voluntários do atual programa Saúde+, o antigo Criança e Saúde
Cláudia de Castro Lima - 6 maio 2021
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“A mudança não acontecerá se nós esperarmos por outra pessoa ou se esperarmos por algum outro momento. Nós somos as pessoas pelas quais esperávamos. Nós somos a mudança que buscamos.”

A frase faz parte de um discurso famoso que o então senador Barack Obama, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, fez em fevereiro de 2008. É provável que Obama não conheça a empreendedora Saville Alves, mas, em sua fala, ele a descreveu.

Saville e sua amiga e sócia Gabriela Tiemy, que em 2008 não tinham nem 20 anos, não esperaram outras pessoas para se mobilizarem por mudanças: elas agiram. As duas são as responsáveis pela Solos, startup baiana que trabalha com soluções  de logística reversa e economia circular. 

“A Solos mobiliza pessoas para potencializar transformações sustentáveis”, diz Saville. “O primeiro passo para esse grande sonho é o que temos feito hoje, trabalhando o pilar dos resíduos. Assim, criamos operações que tornam acessível o descarte ecológico de embalagens pós-consumo.”

Para decolar, a startup contou com o apoio da Impacta Nordeste, plataforma criada por Marcello Santo para fomentar o ecossistema de inovação social e os negócios de impacto da região. 

“Via muita coisa bacana surgindo, mas as pessoas não sabiam”, diz ele. “O Impacta Nordeste nasceu dessa vontade de criar um canal de comunicação que mostrasse para o país o que estava acontecendo na região.”

Lançado em 2017, o Impacta Nordeste evoluiu para além da disseminação da comunicação. Hoje, é uma plataforma de mapeamento do ecossistema e de articulação de parcerias estratégicas. 

Muito disso se deu, afirma Marcello, por causa do apoio do Instituto Sabin. “O Instituto acreditou em nosso trabalho e entrou com recursos, que possibilitaram a realização desse sonho”, diz ele. “O Instituto sempre nos ajudou também com uma visão muito estratégica do investimento social, de longo prazo.”

Capacitação de Empreendedores de Impacto do Impacta Nordeste

COMO OS NEGÓCIOS DE IMPACTO ENTRARAM NO RADAR

Quando, em fevereiro de 2011, o engenheiro agrônomo Fábio Deboni chegou ao Instituto Sabin como gerente executivo, ele trazia na bagagem experiência de oito anos no governo federal em gestão de políticas públicas – e o Instituto ainda era um player pouco conhecido no cenário nacional.

“Costumo brincar que naquela época o Instituto ainda sonhava com segunda divisão do campeonato do Investimento Social Privado”, diz Fábio. “A atuação ainda era bastante tímida.”

Fabio liderou a estratégia de investimento social do grupo. “Ela foi sendo construída em algumas fases e camadas”, explica o ex-executivo do Instituto. “Uma primeira consistia em ‘subir’ o Instituto para a primeira divisão: fazê-lo ser conhecido, dialogar com outros players deste setor nacionalmente etc.”

Isso foi acontecendo ao mesmo tempo em que o Grupo Sabin fazia seu próprio projeto de expansão – e foi um movimento muito bem-sucedido.

O passo seguinte, diz Fabio, foi permanecer relevante na “primeira divisão”, mantendo interlocução com outros players e desenvolvendo novos projetos e novas frentes de atuação. 

“Daí, por volta de 2013, veio a aproximação com a agenda de negócios de impacto e de inovação social”, conta. “Isso foi conferindo maior relevância ao Instituto como um player que procurou construir esse tema a partir de reflexões com diversos atores do Investimento Social Privado e do ecossistema de impacto.”

A aproximação com os negócios de impacto, diz o antigo gestor, se deu de forma intuitiva e natural, a partir da observação do que acontecia com o setor. “A atuação tem servido de inspiração a outros players do setor”, ele avalia. 

“O Instituto procura trilhar um caminho menos óbvio ao fomentar organizações intermediárias – hoje chamadas de dinamizadoras – do ecossistema de impacto em vez de apenas buscar apoiar programas de aceleração e realizar investimento direto.”

O APOIO DO INSTITUTO SABIN PODE SER DIRETO EM NEGÓCIOS DE IMPACTO,…

Criado há 16 anos para canalizar as ações sociais que já existiam no Laboratório Sabin, o Instituto tem iniciativas voltadas à responsabilidade social, ao fortalecimento do ecossistema de impacto e ao fomento de instrumentos financeiros pró-impacto, com foco na inovação social. 

É do segundo eixo, o de negócios de impacto, que tratamos aqui nesta segunda reportagem de uma série de três apresentada pelo Draft

Para atuar nesse ecossistema, o Instituto tem, como explica Gabriel Cardoso, o atual gerente executivo, duas abordagens principais: investir em organizações intermediárias – caso da Impacta Nordeste – ou fazer o investimento diretamente no negócio.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a SaveLivez. A startup usa data science para ajudar serviços de saúde e empresas, oferecendo gestão e métricas para otimizar resultados e solução para evitar contaminações por Covid nas empresas.

Tudo começou, no entanto, com o uso de ciência de dados para ajudar bancos de sangue a manter seus estoques de cada tipo sanguíneo, conectando doadores a eles.

“A startup nasceu do projeto social Salvovidas.com, uma plataforma em que o doador se cadastra e recebe um aviso quando o banco de sangue de sua região precisa de sangue de seu tipo”, diz o CEO Rafael Oki.  

Atuando com mais de 70 hemocentros, ele entendeu que o problema não é só a falta de sangue, mas também o desperdício, já que ele tem validade. “Como engenheiro de produção, comecei a estudar quais as tecnologias aplicadas na cadeia de suprimentos poderiam ajudar. E criei a SaveLivez para trabalhar com data science.”

A parceria com o Instituto Sabin envolve apoio financeiro. “Com os recursos disponíveis, conseguimos subsidiar nossas soluções para hemocentros públicos – e, assim, podemos oferecê-las gratuitamente”, explica Rafael. 

“Nosso objetivo com parcerias com instituições assim é poder levar a inovação para os hemocentros públicos de todo o Brasil para que a população possa ser beneficiada como um todo.” 

…A ORGANIZAÇÕES QUE APOIAM OUTROS NEGÓCIOS DE IMPACTO…

Um dos Labs que saíram da parceria entre o Instituto Sabin e a Artemisia

Desde 2013, quando decidiu investir em negócios de impacto, o Instituto Sabin se relaciona com a Artemisia, a organização pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil. 

“Como o Instituto queria se aproximar do campo de negócios de impacto, ele passou num primeiro momento a apoiar a nossa aceleradora”, lembra Maure Pessanha, diretora executiva da Artemisia. 

“O tema de negócios de impacto era muito novo para institutos e fundações naquele momento, mas o Sabin viu que havia ali uma oportunidade.”

O Instituto Sabin e a Artemisia fizeram juntos vários projetos e criaram, nas palavras de Maure, um “exitoso ecossistema de negócios de impacto em saúde”. 

“Isso envolveu desde os Labs Saúde, apoiando empreendedores, até eventos setoriais com foco na saúde, para tratarmos de oportunidades de desenvolvimento de negócios de impacto no setor.”

Foram três Labs Saúde em parceria, e o último tinha como proposta uma aceleração para negócios de impacto que resolvessem desafios da saúde pública. “Para causar impacto sistêmico na saúde, precisamos de empreendedores com olhar para o mercado público”, diz Maure. 

Um dos 42 negócios apoiados diretamente pela parceria Instituto Sabin e Artemisia foi a startup Pulsares. A solução trabalha o problema do letramento médico e desenvolveu um novo jeito de prescrever e criar receitas, que usa pictogramas.

As imagens nas receitas, muito mais intuitivas, ajudam especialmente os pacientes de classes mais vulneráveis a entender o que o médico quer deles, o que melhora a adesão e a eficácia do tratamento.

“O Instituto Sabin foi o primeiro instituto filantrópico a realmente comprar a ideia de apoiar negócio de impacto em saúde do Brasil”, diz Maure. “Esse protagonismo foi muito importante, inclusive porque atraiu outros patrocinadores para dar continuidade a esse nosso trabalho.”

… E A ORGANIZAÇÕES QUE APOIAM OUTRAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

Em parceria com o Instituto Sabin, a Phomenta capacita lideranças de ONGs

Criada em 2015 para apoiar ONGs e pessoas que trabalhavam nelas, a Phomenta leva recursos financeiros e conhecimento em gestão para que, como acontece com empresas, essas organizações se fortaleçam e cresçam.

“Quando começamos a atuar com o ecossistema de impacto, participávamos de eventos para conhecer os players que já estavam no mercado há mais tempo e aprender com eles. O Instituto Sabin foi um deles”, diz Rodrigo Cavalcante, head de Impacto e Aceleração Social. 

A Phomenta se inscreveu para um edital que o Instituto abriu para capacitação de OSCs no fim de 2017. “Fomos aprovados, e o nosso primeiro programa de aceleração aconteceu no início de 2018. Hoje já estamos na quarta edição juntos.”

Rodrigo conta que Phomenta e Instituto Sabin são parceiros em dois programas: o Saúde+, financiado apenas pelo Instituto, e o PAIS (Programa de Aceleração de Impacto Social), no qual o Instituto Sabin age em filantropia colaborativa com outros institutos do Distrito Federal.

O PAIS, aliás, está com inscrições abertas neste momento, e procura ONGs em busca de profissionalização em gestão e que tenham orçamento anual de até R$ 2,5 milhões (as inscrições podem ser feitas aqui).

Já o Saúde+, que acaba de lançar seu novo site (clique aqui para conhecer), nasceu a partir do projeto Criança e Saúde, criado em 1999 como uma iniciativa do Grupo Sabin – antes mesmo de o Instituto ser lançado – para oferecer exames laboratoriais gratuitos para entidades com foco em crianças e adolescentes. 

“Com a parceria, o objetivo é apoiar ONGs ou OSCs nas cidades em que o Grupo Sabin está presente por meio da concessão de exames laboratoriais gratuitos e capacitação das lideranças”, diz o head. “Queremos aumentar o impacto social de cada organização.”

Uma delas é a Ágape para Educação Especial, entidade de São José dos Campos, em São Paulo, cuja missão é promover a inclusão sociofamiliar e comunitária das pessoas com deficiência por meio de programas de assistência social, educação, saúde, arte e esporte

“No programa Saúde+ tivemos a oportunidade de aprender coisas novas, trocar experiências com outras organizações e receber muito estímulo do time da Phomenta”, diz Lindoia Bernardino Garcia, gestora da instituição.

“Foi uma injeção de ânimo na nossa equipe. Ficamos estimulados a desenvolver novas atividades, a rever nossos processos, a inovar”, afirma. 

A parceria com o Instituto Sabin, reforça Lindoia, foi além do Saúde+. “Os funcionários arrecadaram cestas básicas para distribuirmos para famílias necessitadas, fizeram doações de cesta de Natal e chocolate na Páscoa, além de materiais recicláveis para as nossas oficinas de artes. Isso tem feito muita diferença.”

Para Gabriel Cardoso, o olhar do Instituto Sabin é “sistêmico nos meios e pragmático nos fins, em especial quando se trata de avaliação de impacto”. 

“Acreditamos que ecossistemas e organizações de impacto fortalecidas serão essenciais para uma sociedade brasileira mais resiliente, em especial para o enfrentamento de desafios sociais e ambientais em um mundo cada vez mais complexo e incerto”, afirma ele.

O infográfico abaixo traz um recorte da atuação do Instituto Sabin em relação ao fomento dos negócios de impacto. Para entender como o Instituto Sabin foi criado, clique aqui

 

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