Na Play in Company, peças de Lego ajudam empresas e profissionais a melhorarem suas performances

Camilla Ginesi - 12 jun 2015Paquisa, da Lego in Company
Paquisa Mazzola, da in Company, com as inseparáveis pecinhas de Lego.
Camilla Ginesi - 12 jun 2015
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Por três anos, a paulistana Paquisa Mazzola, 36, trabalhou num escritório que mais parecia um showroom da Lego. Lá, uma bandeira do Brasil, uma Torre Eiffel e uma nave de Star Wars – todas construídas com blocos de montar – dividiam espaço com mesas e cadeiras. O escritório pertencia à Zoom, distribuidora da Lego no Brasil. A função de Paquisa, formada em publicidade pela Faap, era cuidar dos eventos e projetos sociais da empresa. Foi assim que ela conheceu a Lego Serious Play, uma metodologia criada na Dinamarca para ajudar negócios a melhorarem suas performances e aumentarem a inovação usando peças de Lego. “Fiquei muito entusiasmada com a ideia de trazer isso para o Brasil”, conta a fundadora da Play in Company.

Um pouco sobre a história do método: no início dos anos 90, a crescente popularização dos videogames causou uma queda nas vendas da Lego. Para tentar reverter essa situação, o CEO do grupo na época, Kjeld Kirk Kristiansen, se reuniu com dois professores de negócios, Johan Roos e Bart Victor. O objetivo deles era mudar a forma como a estratégia do grupo era pensada. Eles chegaram à conclusão de que os funcionários eram as pessoas mais indicadas para dizer que caminhos a Lego deveria seguir. Então, juntaram essa ideia aos blocos de montar – para fazer com que a estratégia fosse facilmente visualizada – e criaram a Lego Serious Play, ou LSP.

Num workshop do método Lego Serious Play os bonequinhos ajudam a tornar visíveis os problemas e caminhos da empresa.

Num workshop do método Lego Serious Play os bonequinhos ajudam a tornar visíveis problemas e caminhos da empresa.

Além de empresas, profissionais (autônomos e empregados) e governos podem utilizar a metodologia. Em 2003, por exemplo, a Nasa usou a LSP para descobrir o que causou o acidente do ônibus espacial Columbia. “Por trás do método, há estudos do MIT, teoria do flow, construcionismo, construtivismo, teoria das quatro imaginações e mais um monte de ideias complexas”, afirma Paquisa.

BLOCOS DE LEGO PARA CONSTRUIR O QUE SE IMAGINA

Na prática, a metodologia consiste em submeter os funcionários de uma empresa, por exemplo, a uma série de perguntas, discutir as respostas ad infinitum e, com base nas conclusões atingidas, construir um cenário com blocos de Lego. As perguntas são sobre o que a empresa pretende mudar – pode ser desde a estratégia em si até algo relacionado a treinamento ou motivação de funcionários. “O método estimula a inovação, a criatividade e a visão estratégica”, diz Paquisa, e complementa:

“Montar pecinhas de Lego funciona melhor do que desenhar porque não é preciso ter nenhuma habilidade e, assim, ninguém fica envergonhado”

De volta à história de Paquisa: depois de conhecer a LSP, ela decidiu pedir demissão da empresa em que trabalhava e entrar em contato com algumas das pessoas que ajudaram a criar a metodologia. Pela internet, ela conheceu uma delas, o dinamarquês Robert Rasmussen. Ele a colocou em contato com Lucio Margulis, o responsável pela capacitação de pessoas que querem trabalhar com isso na América Latina, Espanha e Portugal. “No começo, minha ideia era fazer um curso ministrado pelo Lucio no Chile e trabalhar como consultora de LSP para empresas”, diz Paquisa.

Depois de alguns dias de conversa com Lucio, durante o curso, Paquisa decidiu criar uma empresa para fazer no Brasil o que ele estava fazendo no Chile: capacitar quem tem interesse em atuar como consultor de LSP no mercado corporativo (ou, como os dois chamam, facilitador da metodologia). “Era uma grande oportunidade, faltava esse tipo de profissional no país”, diz ela. A empresa foi batizada de Play in Company. “Demorou alguns meses para conseguirmos formar a primeira turma no Brasil, isso só foi dar certo no final de 2013”, conta.

Paquisa, da Play in Company, em ação num dos workshops.

Paquisa, da Play in Company, em ação num dos workshops.

Para ela, o maior desafio da Play in Company – até hoje – é apresentar o método para clientes em potencial. “Primeiro, temos que explicar que há muito além das peças de Lego, dessa coisa mais fun”, diz Paquisa. Ela não revela investimento inicial nem o faturamento. Hoje, a empresa oferece três tipos de serviços: formação para quem quer trabalhar como facilitador da metodologia (a certificação custa 3 200 dólares), workshops para empresas e cursos para pessoas físicas.

Três turmas de facilitadores já concluíram o curso – ou seja, cerca de 30 novos consultores de LSP estão aptos para trabalhar para as empresas brasileiras. “Tem designer, arquiteto, dentista, jornalista. O público é bem variado”, conta Paquisa. Uma das turmas teve aulas no Centro Universitário Belas Artes, por conta de uma parceria que a Play in Company tinha com a faculdade na época.

Os temas dos workshops para empresas podem variar muito. “Já fizemos um workshop para ajudar uma empresa a definir missão, visão e valores, outro para engajar os estagiários, outro para ajudar a melhorar o atendimento ao cliente”, diz ela. Entre os grandes clientes da empresa, estão a fabricante de caminhões Scania, a prestadora de serviços de alimentação Sodexo, a fabricante de elevadores Otis e o próprio Centro Universitário Belas Artes.

Parece o caos, mas é apenas o material de trabalho da Play in Company.

Parece o caos, mas é apenas o material de trabalho da Play in Company.

Mas são os cursos para pessoas físicas que mais empolgam Paquisa. Um deles é o de planejamento de carreira (que custa 980 reais). “São cinco encontros em que os alunos fazem uma reflexão profunda sobre suas carreiras, o momento em que se encontram e o que precisam fazer para chegar aonde querem”, conta a empreendedora.

“No final do curso, os alunos têm um cenário pronto com uma construção de suas carreiras representada por peças de Lego, é bem visual”

O curso mais recente, lançado em maio, é para mulheres que acabaram de ser mães e estão em dúvida entre assumir a maternidade em tempo integral ou voltar ao mercado de trabalho. “Muitas vezes, a mulher que faz qualquer uma das duas escolhas se sente culpada e angustiada”, diz Paquisa. A inspiração do curso (que custa 1 000 reais, parcelados, ou 850 reais à vista) é uma das facilitadoras da LSP, Rosi Alves, que foi mãe recentemente e passou por esse dilema.

Para o futuro, Paquisa pretende seguir lançando cursos como esses. “Depois de formados, os facilitadores nos ajudam muito com os outros serviços, o que nos permite crescer inclusive geograficamente”, diz. “Nosso plano é seguir aumentando essa rede em que todos se ajudam e trocam conhecimentos e experiências.” Depois dessa, apostamos que você não vai mais olhar para as pecinhas de Lego da mesma forma.

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Play in Company
  • O que faz: Consultoria que utiliza peças de Lego
  • Sócio(s): Paquisa Mazzola
  • Funcionários: 2 (incluindo Paquisa)
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2013
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected], (11) 3867-8335 e (11) 98331-1777
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