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O mundo corporativo não era para ela. A saída: empreender criando uma marca de jeans plus size

Bruna Borelli - 18 out 2018
Mariana Camargo, da Clamarroca Plus: jeans para pessoas fora dos tamanhos padronizados da indústria da moda
Bruna Borelli - 18 out 2018
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A demissão pode ser sinônimo de trauma para algumas pessoas, mas para a advogada paulista Mariana Camargo, de 32 anos, o momento foi de reviravolta. Insatisfeita com o cotidiano “engessado” das grandes empresas, aproveitou o desligamento do escritório de advocacia onde trabalhava para pensar o que realmente a faria feliz.

Foi assim que, em setembro de 2016, cinco meses depois de ser demitida, fundou a Clamarroca Plus: uma marca de jeans voltada para mulheres e homens que vestem manequim 44 até 60.

Embora seja filha de lojistas que trabalham com moda desde muito antes de ela nascer, Mariana não tinha afinidade com o mundo fashion até então. Vestindo acima do 46, nunca se sentiu contemplada pela indústria da moda e seus tamanhos padronizados. Acabou optando pela advocacia “meio sem querer”, na ânsia de escolher uma carreira tradicional.

Natural de Itapetininga, no interior paulista, Mari foi para São Paulo em 2003, no intuito de cursar Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda antes de mudar de área, chegou a fazer um intercâmbio acadêmico em Salamanca, na Espanha, e até uma pós-graduação em Direito Tributário na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em uma década de carreira, trabalhou em mais de 14 lugares – quase sempre com uma pontinha de insatisfação.

“Com o passar do tempo, eu fui cansando de viver uma vida que não era a minha. Não gostava daquele formato de trabalho ou mesmo do ambiente corporativo. Aquela vida de moça séria, advogada e compenetrada não era para mim.”

Para driblar a infelicidade no trabalho, ela buscava estímulos depois das 18h. Viajava nos fins de semana e fazia cursos fora da área, como consultoria de estilo e pesquisa de tendências. Nessa busca incessante, ainda antes de ser demitida no escritório, acabou tropeçando em uma loja virtual de moda plus size e comprando alguns itens, o que fez com que ficasse ainda mais apaixonada pelo setor.

“Eu me senti maravilhosa e percebi que a roupa é que precisava caber em mim e não eu que precisava mudar o meu corpo para caber na roupa. Comecei a gostar de mim do jeito que sou, entendi que tinha muita referência e que podia oferecer mais para as pessoas do que aquele mercado tão pequenino oferecia.”

A partir daí, foi uma questão de tempo até Mariana receber a notícia da demissão. Desmotivada e com a cabeça já em outro lugar, a empreendedora sabia que “não era a funcionária mais maravilhosa do mundo”. Por isso, quando foi desligada, concordou com tudo que os Recursos Humanos colocaram na mesa sobre sua atuação profissional no escritório e sentiu apenas uma coisa: liberdade.

Sem qualquer tipo de investimento realizado ao longo da carreira para recorrer naquele momento, Mariana diz que só aprendeu “a ter juízo de verdade” na sua demissão. Afinal, para passar pelo período sem muitos sobressaltos, teria que fazer com que seu último salário – aquele que ela costumava gastar em apenas um mês – rendesse pelo menos um semestre.

Quando o assunto é dinheiro, a empresária conta que nunca foi responsável com as finanças pessoais ou sequer teve muita educação financeira. Aos 13 anos, por exemplo, chegou a adquirir uma dívida de R$ 300 reais (na época uma grande valor para ela) em uma sorveteria da sua cidade.

Para segurar o salário que restava até o último centavo, Mariana, então, cancelou o cartão de crédito e eliminou todas as despesas possíveis, até mesmo a conta que tinha no serviço de streaming de música Spotify – que custava-lhe menos que R$ 20 por mês. Focou apenas no que realmente precisava para sobreviver, como comida e transporte.

Alguns clientes e trabalhos de freelancer em consultoria de moda que surgiram no período também fizeram com que Mari desse uma respirada e conseguisse pensar melhor no que viria a seguir.

Fazer um coaching de carreira nesse período foi vital para Mari definir e direcionar seu novo projeto, assim como encontrar em si mesma a coragem de seguir em frente e empreender sem medo.

Contar com os pais também foi outro ponto essencial para o sucesso de Mari. Além de abraçarem a ideia da Clamarroca Plus logo de cara, os dois abriram todas as portas para que a filha conseguisse fabricar suas peças com qualidade: “Fazer jeans é algo que só rola se for em escala industrial. Sem a experiência deles na confecção e no varejo certamente os passos teriam sido dados em uma velocidade mais lenta.”

Dois anos depois da abertura da empresa, que exibe um faturamento médio de R$ 100 mil, a empreendedora não sente nenhuma falta do ambiente corporativo. “Eu realmente amo o que faço hoje e acho que nasci para isso.” Ao mesmo tempo, Mariana olha com carinho para o caminho tortuoso que culminou na criação da Clamarroca Plus e de todo o conhecimento que ganhou ao longo daquela década.

Sem jeito para o lado financeiro do negócio, ela ainda delega a “parte burocrática” da empresa a funcionários de confiança e se concentra naquilo em que tem talento, ou seja, marketing, tendências e novas coleções.

Depois da empresa ter alcançado o chamado break-even, todo o lucro passou a ser investido na expansão da mesma, com ampliação das coleções, da equipe e de novos materiais e tecnologias.

“Felizmente, já temos capital de giro. No futuro pode ser que seja necessário pensar em investimentos financeiros, mas, por enquanto, para nós o que vale é seguir existindo e colocando a nossa carinha no sol.”

Essa estratégia parece estar dando certo, afinal, recentemente foi procurada por investidores estrangeiros para transformar o negócio em franquia. Mas projetos megalomaníacos não a interessam, ela prefere dar um passo pequeno de cada vez.

Além de uma butique virtual, a empresa também está presente em uma loja física colaborativa no bairro paulistano de Pinheiros, batizada de Espaço Clamarroca Plus, que também conta com outras seis marcas especializadas em manequins acima do 44.

Inaugurar butiques em shoppings pelo Brasil nem passa por sua cabeça: “Não quero ter centenas de funcionários, gosto de estar próxima do processo criativo. Depois de finalmente encontrar algo que amo, não quero jamais me afastar disso.”

Como reflexo do seu pioneirismo, Mariana tem reparado que novas marcas plus size tomaram fôlego e coragem para abrir suas próprias lojas, aumentando e muito as opções disponíveis para mulheres e homens que não se encaixam nos tradicionais P, M e G.

“O padrão facilita muito as coisas para quem manda no mercado da moda e a gente se sente inadequado por conta disso. Mas a verdade é que sermos diferentes e plurais, é natural.”

***

Esta matéria e outros conteúdos podem ser encontramos na comunidade do projeto Nós, mulheres investidoras. A campanha não foca somente no reconhecimento da marca Easynvest pelas mulheres. A Easynvest quer despertar novas investidoras. Mulheres donas do dinheiro, com total controle financeiro, liberdade e protagonismo. Para participar da rede “Nós, Mulheres Investidoras”, basta clicar aqui!

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