O peregrino improvável: como percorri, com determinação e a solidariedade dos outros, o Caminho de Santiago numa cadeira de rodas

Fabiano D’Agostinho - 28 out 2022
Fabiano D'Agostinho com os amigos Júlio Cesar Badini, Leonardo Sousa Oliveira e Carlos Cazzamatta (a partir da esquerda).
Fabiano D’Agostinho - 28 out 2022
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Muito tempo se passou desde que me vi numa cadeira de rodas, sem nenhuma perspectiva de sair dela.

Dezesseis anos depois de me deparar com este fato que mudou radicalmente minha vida, eu estava prestes a iniciar uma nova experiência que também viria a marcar minha trajetória: uma longa caminhada rumo a Santiago de Compostela.

Eram apenas eu, minha cadeira de rodas, poucos acessórios, uma mochila com algumas peças de roupas, três grandes amigos e muita coragem

Imaginava que seria algo único, marcante, mas não podia imaginar o que de fato estaria por vir e quais aprendizados me aguardavam.

EU SONHAVA EM FAZER O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA, MAS ESSA IDEIA SE ESVAIU APÓS LEVAR UM TIRO E FICAR PARAPLÉGICO

Estive em Santiago de Compostela em 2001, quando ainda andava e fiz uma viagem sabática de trem, ônibus e mochila nas costas por quatro meses pela Europa, quando então acendeu o meu desejo de fazer o famoso Caminho de Santiago.

Nesta ocasião, vi peregrinos chegando na catedral com os olhos marejados e uma face que não negava a autorrealização.

Aquilo, junto com a forte energia da catedral, me deixou a certeza de que um dia eu deveria fazer esta peregrinação.

Mas esta certeza foi-se embora quando, na Semana Santa de março de 2002, fui vítima de uma tentativa de assalto e levei um tiro.

A bala entrou pelas costas, lesionando a segunda vértebra torácica e saiu pelo pescoço, perfurando o esófago. Fiquei paraplégico

Muitas outras coisas se foram junto a esta certeza, mas o bom é que entre a certeza e a dúvida, muitas coisas ficaram.

Entre elas, a determinação e os sonhos, que me permitiram ter força o suficiente para superar os desafios e seguir adiante — passo a passo.

Parece ironia um cadeirante falar de passo, mas sim, foi passo a passo, conquista a conquista.

Esse também foi o segredo para superar o trajeto de 207 quilômetros que eu e meus fantásticos amigos nos propusemos a percorrer no Caminho Francês para a catedral de San Jacob, ou de San James, como também é chamado dependendo da região geográfica. 

TIVE QUE RECONQUISTAR MINHA INDEPENDÊNCIA. E NESTE PROCESSO, APRENDI A PEDIR E ACEITAR AJUDA

Ao longo dos mais de 16 anos, muitos foram os desafios e aprendizados, mas sempre tive comigo a ciência de que não era mais nem menos do que ninguém por causa da deficiência física.

Via vários exemplos de pessoas “sãs” com muito mais deficiências e restrições do que eu. Essa percepção me ajudou a conquistar muitas coisas e crescer como homem e como profissional

Sabia que, com perseverança, determinação e compromisso, poderia alcançar sonhos que se transformaram, mas nunca deixaram de existir por causa da minha nova vida. 

Sim, uma nova vida. Tive que reaprender a fazer tudo. Desde coisas simples como ir ao banheiro, colocar o tênis e tomar banho, como dirigir e reconquistar a independência.

Ah, a independência. Tudo foi um grande choque, pois tinha acabado de voltar de San Francisco, nos Estados Unidos, onde tinha morado por praticamente três anos e vivia de forma absolutamente independente.

Não foi fácil, mas eu sabia que só existia um caminho a trilhar. Choramingar não ia me levar a lugar algum!

E nesta fase, aprendi uma coisa importante que vem me acompanhando desde então: a forma como olho para as pessoas vai ditar a forma como elas olham para mim

Por isso, se me perguntam se já sofri preconceito, respondo: pouquíssimas vezes. Este preconceito veio apenas das pessoas que não se deram nem ao trabalho de olhar diretamente para mim e já foram tomando suas ações pautadas na ignorância.

Mas não me preocupo com estas pessoas. De muitas outras, já ouvi diversas vezes: “Nossa, eu até esqueço que você é cadeirante”. 

Transmitir força e confiança através do meu olhar fez com que ninguém me olhasse de cima para baixo, apesar de ser isso o que geometricamente acontece.

Mas confesso que olhar de baixo para cima é algo que incomoda, principalmente para mim que tenho uma boa estatura e vivi 26 anos olhando de cima as pessoas.

Claro que olhar com confiança para obstáculos físicos, como guias sem rampas, calçadas irregulares e escadas, não os fazia desaparecer

Aí veio um outro aprendizado importante: aprender a pedir e, principalmente, aceitar ajuda. Depois de 16 anos como cadeirante, ainda não era um expert nisso e sabia que o caminho me ajudaria muito neste quesito. 

QUANDO A IDEIA DO CAMINHO SURGIU, ME ANIMEI, MAS FIQUE NA DÚVIDA SE CONSEGUIRIA ENFRENTAR OS OBSTÁCULOS NUMA CADEIRA DE RODAS

Foi no aniversário de 7 anos do meu querido filho Frederico (a realização de um grande sonho após minha lesão) que, em conversa com meus amigos Júlio Cesar Badini, Leonardo Souza Oliveira, Carlos Cazzamatta e Eduardo Eijisaiu, surgiu ideia de fazermos o Caminho.

Cada um tinha uma razão para isso, mas todos se mostraram extremamente interessados no assunto e começamos a falar mais seriamente sobre a empreitada. 

Júlio foi o grande orquestrador. Foi ele quem de fato puxou as rédeas e conduziu com maestria o planejamento do percurso e da viagem como um todo.

Não só isso, ele unia e motivava a galera em relação ao grande desafio e a conquista que isso representava. Sem ele, essa viagem não teria acontecido.

E foi um ano e três meses depois que nos reunimos para tomar a decisão: havia chegado o “point of no return”, ir ou não ir.

Eu e o Jaspion (o Eduardo) amarelamos e falamos que não íamos. Vinha pensando muito sobre o projeto. Mas me aterrorizou imaginar todas as dificuldades, albergues e banheiros sem acessibilidade, por exemplo, o que me fez tomar a decisão de desistir

Com dor no coração e muita dúvida, essa foi minha decisão. Os meus três amigos falavam que entendiam, mas diziam que eu não estaria sozinho. Para cada medo meu, havia uma fortaleza justificada por eles. Mas segui firme na decisão.

Júlio, no entanto, indicou que eu conversasse com o Evandro Bonocchi, um cadeirante que tinha feito o caminho em 2013.

Achei o Evandro no Facebook, entrei em contato e momentos depois veio a resposta. Um cara sensacional que me deu diversas dicas e me encorajou, dizendo que a maioria dos albergues no caminho são acessíveis.

No feriado de São Paulo, eu e o Júlio fomos a São José (SP), onde ele mora, conversar com o Evandro pessoalmente. Aí, então, minha decisão mudou: vou! 

PREPAREI MEUS EQUIPAMENTOS E ADAPTEI MINHA CADEIRA. ESTAVA TUDO PRONTO. SÓ FALTAVA SUPERAR O FRIO NA BARRIGA!

Já com a passagem comprada para Madrid, surgiu a necessidade de me preocupar com a cadeira de rodas, com os acessórios, os equipamentos, enfim, tudo o que seria necessário para fazer o caminho com segurança e sucesso.

Era muita coisa para pensar. Decidi ir com a minha própria cadeira, mas fazer algumas adaptações. Sabia que haveria quilômetros de subidas e pensei em manoplas mais anatômicas para facilitar a vida de quem fosse empurrar a cadeira, por exemplo

Comprei rodas mais largas próprias para off-road, mas depois percebi que seus aros queimavam as mãos com o atrito quando era necessário segurá-los para frear.

Desisti dessas rodas e fui com as originais mesmo, bem mais finas, mas coloquei pneus e câmaras antifuro.

Fiz o projeto da manopla mais anatômica, pensada e customizada para os desafios do trajeto. Ela demorou três meses para ficar pronta e foi fundamental para o sucesso da peregrinação. Sem elas, os caminhos íngremes seriam muito mais difíceis. 

Mochila, roupas, almofadas e capas extras, capas de chuva, roda frontal que transformava a cadeira num triciclo, remédios, saco de dormir e coragem, muita coragem para superar o frio na barriga!

UMA LIÇÃO IMPORTANTE LOGO NO INÍCIO DO CAMINHO FOI NÃO DEIXAR O PESSIMISMO TOMAR CONTA E SEGUIR SEMPRE EM FRENTE

Começamos a caminhada na maravilhosa cidade de Ponferrada, a 207 quilômetros de Santiago de Compostela. Já dava pra sentir o que viria pela frente.

Encontramos pessoas das mais diversas nacionalidades e percebi que o Caminho seria uma grande troca de experiências.

Neste primeiro dia, conhecemos o Felipe, um espanhol de Valência que estava no nosso quarto no albergue. Ele vinha de Saint-Jean-Pied-de-Port, na França.

Ou seja, já tinha caminhado 600 quilômetros e adquirido uma certa experiência sobre o caminho. Falamos que estávamos começando ali e pretendíamos fazer o percurso em nove dias.

Ele nos olhou com uma cara de espanto, passando a mensagem de que não seria possível. Seu semblante dizia: “Vocês estão loucos!”

Realmente, nós estávamos bastante apreensivos e preocupados quanto à viabilidade de cumprir aquele plano que, sim, sabíamos, não tinha margem para surpresas.

Era um planejamento arriscado e apertado. Se alguém tivesse algum machucado ou se a cadeira quebrasse, não chegaríamos a tempo de fazer o resto da viagem.

Quando o Felipe nos olhou com daquela maneira, foi um banho de água fria. Mas depois, conversamos e nos fortalecemos como um time, dizendo para nós mesmos: conseguiremos!

E de fato conseguimos. Esta foi uma lição importante do caminho: não deixe que o pessimismo ou as opiniões de terceiros abalem sua certeza na vitória

Não desista. A fé na vitória deve ser inabalável! Esta fé me deu e, certamente aos meus amigos também, muita força durante o caminho. 

AS AMIZADES ME FIZERAM UMA PESSOA MAIS FORTE, CAPAZ DE SUPERAR DESAFIOS GIGANTES EM EQUIPE

No primeiro dia de caminhada, olhando para o horizonte, vi três montanhas bem distantes, uma após a outra, com o Caminho seguindo em direção a elas.

Fabiano e os amigos durante a viagem.

Me perguntava se nós passaríamos por elas ou se apenas as contornaríamos. E ao final do percurso do dia, ainda muito cansado, demorava a acreditar: havíamos cruzado as montanhas.

Não tinha sido fácil, muito pelo contrário, mas prosseguindo com muito trabalho em equipe, superamos os grandes obstáculos cheios de subidas intimidadoras.

Esta foi uma lição bastante tocante para mim: para superar um desafio gigante, basta acreditar na sua força, na força da equipe e caminhar em direção a ele — passo a passo.

Eu me sentia o ser mais forte do universo, independente da minha condição física, porque tinha amigos. Juntos, podíamos fazer o que parecia impossível. Éramos amigos há 30 anos e nossa amizade nunca tinha se enfraquecido

Não eram amigos comprados por interesses, mas sim conquistados ao longo de vários anos de relacionamento sincero e de confiança.

Eu era forte por causa disso. Não ando, mas eu posso transpor montanhas íngremes com eles. Conquistei amizades e estas me fizeram mais forte. 

NO CAMINHO, AS PESSOAS NÃO PENSAVAM SÓ EM SI. APESAR DAS ADVERSIDADES, HAVIA MUITA SOLIDARIEDADE ENTRE OS PEREGRINOS

Ainda havia oito dias de caminhada pela frente e sabíamos que os três primeiros seriam os mais difíceis por conta dos aclives que pegaríamos, mas isso foi pura ilusão, pois o Caminho está sempre surpreendendo e nos deparamos com trechos de altíssimo nível de dificuldade, mesmo depois do terceiro dia.

Houve trechos em que me vi em situações extremas. Chegava a ser desesperador, pois parecia que não dava para seguir adiante — e voltar seria impossível.

Dava para sentir o clima tenso entre nós quatro. Mas não havia nada a fazer, apenas seguir adiante.

A maior certeza era de que não estávamos sozinhos, pois os pássaros cantarolavam durante todo o trajeto ao nosso lado. Isso realmente era muito mágico. Eles, em trecho nenhum, deixavam de alegrar nossa caminhada. 

Num determinado momento paramos. Havia muitas pedras grandes em meio ao barro e, somado ao cansaço dos quatro, parecia impossível continuar.

De repente, apareceu um grupo de irlandeses que nos ofereceu ajuda e nós aceitamos sem hesitar. Eles ajudaram a erguer minha cadeira e passamos por mais de 100 metros de uma trilha complicadíssima comigo sobre a cadeira suspensa

Chegamos em um trecho ainda ruim, mas possível de seguir apenas com a ajuda dos meus três amigos e os estrangeiros se despediram e seguiram seus caminhos.

Dissemos obrigado e ultreia (uma palavra espanhola que significa: ir mais adiante, caminhar além e com entusiasmo).

Continuamos por cerca de mais 300 metros, quando avistamos o mesmo grupo parados à frente. Os irlandeses estavam esperando por nós, pois viram que o trajeto à frente também faria com que precisássemos de ajuda

No caminho, as pessoas não estão pensando apenas em seus interesses, mas em ajudar com altruísmo uns aos outros. 

ENTENDI A RESPONSABILIDADE QUE TINHA COMO CADEIRANTE FAZENDO O CAMINHO. EU ERA SÍMBOLO DE SUPERAÇÃO E PERSEVERANÇA

A troca de experiências do caminho nem sempre se dá por meio explícito, através de comunicação verbal. Ela também se dá por meio da observação.

Fabiano em sua cadeira adaptada para a peregrinação.

Parece estranho falar em troca para uma ação que é de mão única, mas da mesma forma que eu observava, estava sendo observado, e com isso havia uma troca inevitável.

A arte da contemplação aflorava fortemente. É fácil notar o quanto o Caminho de Santiago é democrático, pois você vê pessoas de várias raças, culturas, nacionalidades e classes sociais.

Pessoas extremamente diferentes, mas todas caminhando, sem nenhum tipo de competição, rumo a um mesmo objetivo.

Com isso, veio uma lição muito forte: o objetivo comum nos fazia iguais.

E era esta certeza de um objetivo único que trazia uma atmosfera de solidariedade, compaixão e pertencimento que realmente tocava a alma de uma forma profunda.

Ao observar os diversos peregrinos, das mais diversas idades, era impossível não sentir um grande respeito por todos.

Comecei a perceber o quanto o meu papel como cadeirante trazia consigo uma forte responsabilidade naquela trajetória.

Muitos vieram falar conosco, pediram para tirar fotos e, em algumas situações, até nos presentearam. Isso também se tornou mais claro quando fomos aplaudidos ao chegar numa cidade.

Foram inúmeras as frases e palavras inspiradoras que ouvi como: “bravo”, “fantástico”, “tua força é admirável”, “gostaria de ter amigos como os teus”, “pensei em desistir antes de te ver aqui”, entre outras.

A mensagem que eu e meu grupo de amigos levávamos aos outros peregrinos era poderosa. Transmita união, perseverança, amizade, trabalho em equipe e superação

Daí, mais um aprendizado. Como cadeirante, tenho uma grande responsabilidade: a de levar força e esperança para as pessoas. 

O CAMINHO É UM MISTO DE EMOÇÕES. É UMA PEREGRINAÇÃO EM BUSCA DE SI MESMO, INDEPENDENTE DA CRENÇA DE QUEM CAMINHA

O Caminho é uma grande representação da vida. Nele, nos deparamos com diversas situações boas e também ruins. O Caminho, assim como a vida, nos expõe às mais diversas sensações e emoções.

Nos deparamos com o medo e a coragem, com o desespero e o alívio, com a dificuldade e a alegria da conquista, enfim, é possível viver todos os sentimentos e emoções nesta jornada única

Para concluir, traduzo um poema, atribuído ao monge peregrino Fraydino, exposto em uma linda igreja na cidade de La Faba.

Acredito que ele expressa a essência da peregrinação, à parte da parte religiosa. Até porque, não importa a crença, o Caminho está aberto a todos, independentemente da religião. 

 

“Ainda que eu tenha percorrido todos os caminhos,

cruzado montanhas e vales

desde o oriente até o ocidente,

se não descobri a liberdade de ser eu mesmo,

não cheguei a lugar nenhum. 

 

Ainda que tenha compartilhado todos meus bens, 

com gente de outras línguas e culturas,

feito amizade com peregrinos de mil caminhos

ou compartilhado albergue com santos e príncipes,

se amanhã não sou capaz de perdoar meu vizinho,

não cheguei a lugar nenhum. 

 

Ainda que tenha carregado minha mochila do início ao fim,

e esperado por cada peregrino carente de ânimo,

ou cedido minha cama para quem tenha chegado depois,

e presenteado minha garrafa de água a troco de nada,

se ao regressar à minha casa e meu trabalho eu não sou capaz

de criar fraternidade e colocar alegria, paz e união,

não cheguei a lugar nenhum. 

 

Ainda que tenha tido comida e água em cada dia,

e desfrutado de teto e ducha todas as noites,

ou tenha tido minhas feridas bem cuidadas,

se não descobri o amor de Deus em tudo isso,

não cheguei a lugar nenhum. 

 

Ainda que tenha visto todos os movimentos,

e contemplado os melhores pores do Sol;

ainda que tenha aprendido um cumprimento em cada idioma,

ou provado a água limpa de todas as fontes,

se não descobri quem é o autor 

de tanta beleza gratuita e de tanta paz,

não cheguei a lugar nenhum. 

 

Se a partir de hoje não sigo caminhando em Teus caminhos,

buscando e vivendo segundo o que foi aprendido,

se a partir de hoje não vejo em cada pessoa,

amigo e inimigo, um companheiro de caminho,

se a partir de hoje não reconheço a Deus,

o Deus de Jesus de Nazaré,

como o único Deus de minha vida,

não cheguei a lugar nenhum”.

 

Fabiano D’Agostinho é formado em Tecnologia Elétrica pela Universidade Mackenzie, pós-graduado em Administração de Marketing pela FAAP, com extensão em Administração de Negócios e Gerenciamento de Projetos na UC Berkeley (USA). Tem passagem por empresas como Questus, AngênciaClick Isobar e Dentsu Aegis. Atualmente, é consultor auxiliando startups nas áreas de healthtech, DEI tech e edtech a alcançarem seus objetivos.

 

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