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O que muda para os hospitais com a chegada do open health?

Daniella Grinbergas - 17 abr 2023 Daniella Grinbergas - 17 abr 2023
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Em um mundo movido pela avalanche de dados que vêm transformando a base de operações das empresas, a agenda da transformação digital não deixa de invadir também o universo da saúde. E fica cada vez mais clara a percepção de valor sobre o open health e a urgência de colocar em prática o movimento que deve levar ao compartilhamento de dados e informações de saúde dos pacientes.

Nesse cenário, os hospitais começam a se reestruturar e pensar em caminhos para se destacarem no movimento. Realidade em diversos países, os smart hospitals, muito além do design futurista e dos equipamentos de ponta com tecnologia embarcada, são uma fonte inesgotável de produção de dados. Com sensores de IoT conectados a plataformas digitais em tempo real e uso de inteligência artificial que potencializa a tomada de decisão mais assertiva, eles correspondem a uma nova estrutura que vai mudar a forma como consumimos saúde.

Toda essa interconectividade gera uma quantidade impressionante de dados que devem ser usados para minimizar erros, melhorar os processos, conhecer a fundo os pacientes para personalizar o cuidado e também para tomar decisões embasadas e diminuir o custo dos serviços.

Num smart hospital , por exemplo, os enfermeiros fazem a gestão do paciente que está em casa de maneira remota. Com um biossensor, é possível monitorar os indicadores de saúde, como pressão, frequência cardíaca, temperatura e outros sinais virtualmente (até mesmo de forma mais frequente do que se um profissional estivesse pessoalmente ali para isso). Quando há algum descompasso, o sistema envia um alerta para o Command Center e aí entra o enfermeiro, que vai ler aquela informação e entender qual decisão precisa ser tomada.

“É por isso que o smart hospital deve ser interconectado. Ele não sobrevive sem o físico. Mas pode ajudar a resolver a questão da escassez de pessoal/ mão de obra clínica, que é um grande problema em muitos países, como os Estados Unidos, onde a demanda por cuidados cresce numa velocidade maior que a oferta. Nesse sentido, os smart hospitals chegam resolvendo muitos desafios, levando para o virtual o que era exclusivo do mundo físico”,

aponta Mariana Wiezel, gerente sênior de Health Sciences and Wellness, da EY.

Mas é preciso reforçar que é necessário estudar e analisar de forma criteriosa o que pode ou não sair do físico e ser alocado no mundo virtual. Estabelecer o que é físico e o que é digital é o ponto crucial para o sucesso de um smart hospital.

Por outro lado, tanta tecnologia ainda precisa ser olhada com cuidado, pois a proposta é ser uma facilitadora de processos. Em muitos casos vemos muitos sistemas independentes exigindo demais da equipe clínica. Alguns processos tecnológicos acabaram aumentando o volume de tarefas administrativas para o corpo clínico, sobrecarregando quem provê o cuidado (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc).

“Um exemplo foi a implementação de sistemas de gestão que ajudaram  muito na melhoria do ciclo de receita, mas nem sempre levou em conta a experiência do corpo clínico para seu desenvolvimento. Atualmente, vejo um crescimento desta preocupação e trabalhos para melhorar a experiência do usuário dos diversos sistemas tecnológicos”, relata Mariana.

A vivência de Mariana nessa jornada inclui uma carreira que promoveu transformações de gestão e programas para padronizar a experiência do cliente em diversos institutos de saúde no Brasil, pesquisas na Austrália, atuações na Espanha e, agora, nos Estados Unidos. Segundo a especialista, para se manterem competitivos, os hospitais e todos na cadeia de valor da saúde precisarão ajudar os dados a fluírem.

A ideia é se chegar a uma interoperabilidade, fazendo com que dados e informações que moram em sistemas diferentes possam conversar. É aí que entra o maior desafio do open health.

“Na interoperabilidade é preciso ter segurança da informação, consentimento do paciente para o uso de seus dados e uma identificação única para conectar os vários dados e informações que moram em diferentes sistemas”, aponta.

Enquanto a interoperabilidade ainda não chega ao plano das ações, é preciso pensar em alternativas para seguir em direção ao futuro. Começar a armazenar dados de maneira mais lógica, seguindo um padrão universal, e criar parcerias são caminhos estratégicos para enriquecer a quantidade de informações no ecossistema.

No Brasil começam a se destacar algumas iniciativas. Bons exemplos são os projetos entre empresas para criação de centros especializados.

“Nesses casos, os projetos já nascem com uma interoperabilidade, mas, pensando lá na frente, o Brasil tem uma barreira em virtude de seu ecossistema muito fragmentado. Vemos muitas operadoras e prestadoras em que a troca de informações não é viável”,

destaca Leandro Sanches, sócio-líder de Health Sciences and Wellness da EY para Latin America South.

Na outra ponta, temos os resultados da forte verticalização que aconteceu por aqui. Muitas operadoras contam com hospitais próprios, laboratórios, clínicas e podem sair mais avançadas nesse processo, já que conseguem reunir todas as informações do cliente e como ele utiliza a rede, dentro de casa. Porém, a barreira são os silos dentro da própria empresa, tanto de times quanto de tecnologias diferentes, tendo em vista que muitas cresceram por aquisição.

Para se manter competitivo, três pontos precisarão ser cumpridos: a construção de um ecossistema por meio de parcerias e integração de soluções que complementem a existente para atuar em toda a jornada do paciente com dados compartilhados (com permissão dos pacientes); um modelo em plataforma que requer adesão das partes interessadas e digitalização e integração de funções; e foco no indivíduo, que vai na direção da solução personalizada, melhorando a experiência e integrando o físico e o digital, que precisam coexistir.

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