Desinfecção com luz ultravioleta, spray antivírus para roupas… O que startups estão criando para deixar você a salvo da Covid-19

Marília Marasciulo - 31 ago 2020
Renan Serrano, da Visto.Bio: spray com óleo de erva para eliminar o vírus das roupas (foto: divulgação).
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A crise econômica causada pela pandemia acertou em cheio o ecossistema de startups. Segundo levantamento do Startup Genome, 74% das startups registravam (em abril) queda no faturamento e 41% tinham dinheiro em caixa para sobreviver por apenas três meses — ou menos.

Nesse contexto, algumas empresas vêm se movimentando para tirar planos antigos do papel ou se reinventar, de olho na prevenção à doença. 

Entre março e abril, a Singularity University lançou, em versão piloto, o Pandemic Challenge, um desafio à procura de soluções contra o coronavírus. De 45 projetos de 30 países, foram cinco escolhidas; entre estas, a startup brasileira Visto.Bio, que desenvolveu um spray capaz, segundo a empresa, de eliminar o vírus das roupas. 

“Entrevistamos os clientes para descobrir qual era o maior medo deles”, diz o estilista Renan Serrano, sócio-fundador da marca. “Vimos que precisávamos de um produto que fosse além do álcool gel e pudesse ser aplicado nas mãos, no cabelo e nas roupas.” 

UM SPRAY À BASE DE UMA PLANTA BRASILEIRA QUE PROMETE ELIMINAR O VÍRUS

A Visto.Bio uniu o combate ao coronavírus à ideia de reduzir a necessidade de lavagem de roupas, propósito que move Renan desde 2018 por meio de sua empresa Biosoftness

O resultado foi um spray com álcool 70% combinado a 30% de uma formulação que leva óleo de erva baleeira, planta da flora brasileira que tem propriedades antiinflamatórias e não mancha a roupa. 

Segundo Renan, a substância elimina o vírus das roupas, além de dispensar a necessidade de lavagem. O frasco de 45 ml rende 200 aplicações e está sendo vendido a 150 reais.

“Vemos muitas grandes corporações ainda esperando a pandemia acabar — mas a gente sabe que não vai acabar tão cedo. E mesmo que acabe, cumprimos nosso objetivo: as pessoas lavarem menos roupas e chegarem em casa mais seguras”

No desenvolvimento, diz Renan, a startup ainda descobriu que a combinação do novo produto com a fórmula original (que previne o mau cheiro causado por microorganismos do suor) elimina o odor das axilas, dispensando o uso de desodorantes. 

“Acho que isso é o legal das startups, estar sempre descobrindo coisas novas”, diz.

DO MERCADO DE SUCO DE LARANJA PARA A DESINFECÇÃO DE AMBIENTES

A Covid-19 vem estimulando guinadas bruscas em empresas de diversos setores, entre players novos e tradicionais. 

Especializada na produção de uniformes, a Senhor Coelho viu o faturamento despencar em 80% com o início da pandemia. Adotou então a tecnologia e passou a produzir uma linha de equipamentos de proteção individual com tecido antiviral, de máscaras a aventais médicos.

A Aurratech, por sua vez, pivotou sua tecnologia de esterilização com microaspersão (criação de pequenas partículas de líquido para serem borrifadas em alta pressão), usada desde 2014 no mercado de suco de laranja, para servir no combate ao novo coronavírus. 

“Às vezes, só fazemos mudanças quando estamos ameaçados de morte”, diz Evandro Cerqueira, fundador da UVTronic, que usa radiação ultravioleta em equipamentos para aplicações industriais — e também pivotou sua solução para a desinfecção de ambientes.

APRENDENDO COMO USAR LUZ ULTRAVIOLETA PARA ANIQUILAR O CORONAVÍRUS

Fundada em 2005, a UVTronic aplica a luz ultravioleta na indústria automotiva, no processo de secagem do verniz de faróis de carro. “Trata-se de um ‘equipamento gargalo’, pois nenhum carro sai da fábrica sem que o farol tenha passado pelo verniz”, diz Evandro. 

A radiação, porém, não serve somente para finalizar a produção de um veículo. 

“A luz UV tem energia suficiente para causar danos na cadeia produtiva de vírus, bactérias, fungos e protozoários. Como havia uma série de estudos sobre outros tipos de coronavírus, fizemos um trabalho para descobrir qual a dose necessária para aniquilar o Sars-Cov-2”

Aliando a tecnologia a conceitos como Internet das Coisas e robótica, a UVTronic criou um sistema rápido para desinfecção móvel de ambientes: um bloco cirúrgico de 25 m² pode ser higienizado em 5 minutos — em vez de meia hora, como seria normal, segundo Evandro. 

O empreendedor também afirma que o método é mais seguro, pois não deixa resíduos tóxicos nem desgasta os equipamentos.

A linha já tem 15 produtos, desde sistemas de purificação contínua do ar (um filtro com uma câmara de UV promove a circulação) que custam 2 mil reais para uma área de 100 m² até robôs usados em hospitais — e que podem chegar a 320 mil reais.

CARTÕES QUE VIBRAM AJUDAM A MANTER A DISTÂNCIA ENTRE FUNCIONÁRIOS

Empresa de softwares de gestão de produtividade, a Certus recebeu uma demanda recente de um cliente robusto: criar uma ferramenta para garantir a segurança dos funcionários da Unilever. Foi assim que surgiu a iSafeWalk

A solução funciona por meio de cartões (beacons) de uso individual que rastreiam a posição e as interações entre os colaboradores em tempo real; se a distância for inferior a 2 metros, o acessório vibra em sinal de alerta. Fábio Ieger, CEO, explica:

“Queríamos um modo de prevenção que fosse além das máscaras e álcool gel. No início, houve preocupação com o rastreamento, mas logo as pessoas viram que não se trata de uma ‘coleirinha’, é como uma câmera com visão automatizada”

A tecnologia está sendo usada na unidade da Unilever em Ubatuba, com cerca de 500 funcionários. Segundo Fábio, há planos de expandir para outras fábricas na América Latina. Com ganhos de escala, a ideia é que a solução possa ser oferecida a empresas menores a um custo de 10 reais a 20 reais por funcionário.

Pós-Covid, crê Fábio, a ferramenta será útil para mapear ganhos de tempo em processos produtivos ou em protocolos de emergência, como na evacuação de uma fábrica. 

“As pessoas antigamente reclamavam por usar capacete, agora já enxergam como normal. A iSafeWalk é só mais um novo tipo de EPI.”

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