Pedro Pimenta teve braços e pernas amputados aos 18 anos. Ao invés de desistir da vida, ele a encarou. E venceu.

Pedro Pimenta - 23 dez 2014É preciso abraçar todas as suas potencialidades e não aceitar o que mundo lhe oferece. É preciso se adaptar a ele. Mas é fundamental moldá-lo aos seus interesses também
Pedro deixou as pistas de atletismo aos 32 para empreender, mesmo sem contatos na área.
Pedro Pimenta - 23 dez 2014
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“Aos 18 anos eu fazia as mesmas coisas que os outros garotos da minha idade: saía com os amigos, ia à academia e estudava para o vestibular. Até que na madrugada de 11 de setembro de 2009, sozinho em casa, comecei a passar mal. Com muito esforço, consegui ligar para o meu irmão, que me levou ao hospital.

“Logo fui diagnosticado com uma infecção bacteriana gravíssima, a meningococcemia, forma letal da meningite e que rapidamente se espalha pela corrente sanguínea. Fiquei em coma por uma semana, com poucas chances de sobreviver. Quando acordei, familiares e amigos já sabiam que eu teria os braços e pernas amputados. Um mês após a cirurgia, debilitado, tive uma infecção hospitalar que me levaria ao coma mais uma vez.

“Foi um ano difícil, de muita fisioterapia e adaptação. Era certo que passaria o resto da vida em uma cadeira de rodas e dependendo de um cuidador para tudo. Em busca de melhores chances de reabilitação, no fim de 2010 viajei com minha família para os Estados Unidos, onde tive a oportunidade de conhecer uma clínica que atendia a amputados das guerras do Iraque e do Afeganistão.

“Lá aprendi a maior lição de todas: a de abraçar todas as suas potencialidades e não aceitar o que mundo lhe oferece. É preciso se adaptar a ele. E moldá-lo aos seus interesses também. Este sentimento era impressionante entre os ex-soldados e me contagiou. Decidi que se eu tivesse formas de caminhar, eu iria fazê-lo.

“Desde então nunca mais me sentei em uma cadeira de rodas. Minhas pernas e braços mecânicos, apesar de por vezes incômodos, são meus meios de locomoção. Hoje dou palestras motivacionais e para a classe médica, sou mentor de crianças recém-amputadas e acabo de escrever um livro de memórias, Superar é Viver. Não é autoajuda, como muitos gostam de rotular. Mas acho maravilhoso que ele inspire outras pessoas.

“Moro na Flórida há quase três anos e sempre visito o Brasil. No fim de 2016 finalmente concluo a faculdade de economia. Vivo sozinho em um apartamento, mas pretendo me mudar para a casa de amigos. Sabe como é, difícil bancar as contas sem dividir com ninguém.”

Pedro Pimenta, 23, escritor, palestrante e estudante de Economia, Saint Petersburg, Estados Unidos.

 

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