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“Nossa festa é o ponto de encontro do ecossistema criativo brasileiro”, diz Lucas Foster, idealizador do Prêmio Brasil Criativo

Bárbara Caldeira - 17 jan 2023
Cerimônia de entrega da 4ª edição da premiação acontece em São Paulo, no dia 24 de janeiro, e celebra a economia criativa do terceiro país mais inventivo do mundo
Bárbara Caldeira - 17 jan 2023
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“O que diferencia uma peça de design feita no Brasil de uma feita na Dinamarca?”, indaga Lucas Foster, idealizador e curador do Prêmio Brasil Criativo, que chega em sua 4ª edição como a premiação oficial da economia criativa brasileira.

A resposta vem na sequência, mas a pergunta provoca reflexão — e não somente sobre o design, mas sobre criatividade e brasilidade. Ela chama atenção para o valor intangível que nós conseguimos gerar e que grita “Brasil!” tanto quanto um café servido no copo lagoinha.

“A diversidade, a sustentabilidade e a inclusão fazem parte do conceito básico para a diferenciação dos produtos e serviços brasileiros em relação ao resto do mundo”, explica Lucas. É atrás disso que o Prêmio Brasil Criativo está em busca pelo país nas 16 categorias estabelecidas para essa edição.

Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 24, na cerimônia de premiação que vai acontecer no Centro Cultural de São Paulo na véspera do aniversário de 469 anos da cidade. E com direito a show de Kaê Guajajara, multiartista e ativista indígena, e apresentação do Bloco Ilú Obá de Min, que tem sua bateria formada exclusivamente por mulheres e celebra a cultura afro-brasileira. A cerimônia marca a abertura das festividades de pré-carnaval em São Paulo.

Além das categorias que receberam inscritos, sendo doze fixas (Arquitetura, Artesanato, Audiovisual, Criadores de Conteúdo, Design, Games, Gastronomia, Moda, Música, Publicidade, Tecnologia e Startups) e uma rotativa (Arte Urbana), o prêmio ainda vai reconhecer destaques nas categorias por indicação: Liderança Criativas, Comunidades Criativas e Território Criativo.

“O Brasil sempre foi uma referência em criatividade”

Lucas Foster, idealizador do Prêmio Brasil Criativo

Quem nunca recorreu à famosa e popular gambiarra para resolver um problema? É provisória, é sem jeito, mas atende na falta de algo mais definitivo, do prego no chinelo de borracha à esponja de aço nas antigas TVs. Lucas aponta:

“A gambiarra é uma manifestação da capacidade criativa do brasileiro em fazer com pouco para resolver problemas urgentes de maneira improvisada, mas com muita inventividade e, ao mesmo tempo, até uma certa dose de humor”

Em uma realidade de gritante desigualdade social e, muitas vezes, poucos recursos, quando nasce um brasileiro, nasce um criativo. A adaptabilidade, forçada pelas adversidades em um contexto de curtos períodos de estabilidade, faz do Brasil um país que cria e recria. Não à toa é o berço da chamada Revolução Criativa, liderada pela Organização Mundial da Criatividade.

“Isso está na essência do povo brasileiro, que tende a dar muito valor a histórias de superação que usaram a criatividade”, conta Lucas. Para ele, alguns exemplos notáveis dessa inventividade são KondZilla, empresário que conseguiu expandir o funk e hoje tem um canal no YouTube com 66 milhões de seguidores até a publicação desta matéria e que produziu com a Netflix a série “Sintonia”, sobre jovens da periferia—, e a cantora Anitta, cada vez mais estourada no Spotify e no mundo afora.

“Eles estão exportando uma estética brasileira e inserindo a nossa criatividade no mundo, servindo de referência para outros criadores do nosso país”, afirma, emendando:

“O Brasil sempre foi uma referência em criatividade. Você tem, por exemplo, o relatório do Cannes Lions, no qual o nosso país é um dos mais celebrados em termos de criatividade. Ao mesmo tempo, somos celebrados no mundo todo com nosso futebol e com nossa música.”

Seja nos gramados ou na música, o país que recentemente se despediu de um dos maiores nomes da MPB, Gal Costa, e viu Milton Nascimento, um dos mais talentosos músicos BR, reconhecido mundialmente, se despedir dos palcos, entrega muito em criatividade.

Um país criativo e empreendedor, mas (ainda!) não tão inovador

“De acordo com o estudo Lions Creativity Report 2021, o Brasil é o terceiro país mais criativo do mundo. Também, tem a sétima maior população empreendedora, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor”, pontua Lucas. Sendo assim, só poderíamos ser um dos países mais inovadores ao empreender do mundo, certo? Errado.

O problema está justamente no cruzamento das duas coisas. “Há uma série de barreiras estruturais e culturais que impedem o Brasil de registrar marca, patente”, exemplifica. E é por isso que é tão importante reconhecer a economia criativa como eixo estratégico de desenvolvimento econômico do país.

A criatividade, matéria prima da economia criativa, gera valor intangível como resultado em um ciclo de criação, produção, distribuição e consumo para diversos setores, muitos deles contemplados nas categorias do prêmio. Lucas explica:

“A engenharia, sem a arquitetura, vai pensar na otimização de materiais, não necessariamente na estética, e isso pode levar a uma multiplicação de prédios iguais. O valor intangível está, por exemplo, no que o arquiteto Oscar Niemeyer fez com o concreto para reinventar a construção civil e produzir Brasília, hoje uma cidade criativa do design certificada pela Unesco”

Ou seja, a gastronomia adiciona valor intangível à indústria de alimentos, a moda adiciona valor intangível à indústria têxtil e assim por diante.

“No ano passado, completamos uma década da primeira política pública de fomento à economia criativa no Brasil, a implantação da Secretaria de Economia Criativa no Ministério da Cultural”, pontua Lucas. A primeira secretária da pasta e uma das maiores referências em economia criativa do país, Cláudia Leitão, também está na organização do Prêmio Brasil Criativo.

Ele comenta que isso só aconteceu 15 anos depois do Reino Unido ter estabelecido uma política pública nesse sentido e popularizar o conceito de indústria criativa, que demorou a pegar por aqui.

“Na primeira edição, a gente teve o dever de explicar o conceito de economia criativa, mostrar a vários empreendedores que eles pertenciam a um conjunto de setores da economia que estavam em crescimento no mundo todo”, conta. Na ocasião, o prêmio contou com a chancela do Ministério da Cultura e apoio de parceiros que seguem firmes nesta edição: a 3M e o Sebrae.

“Agora, na 4ª edição, não tivemos mais tanta necessidade de explicar. Há um amadurecimento dos ecossistemas criativos espalhados por todo o Brasil. Essa rede não existia há dez anos.

Nesta edição, o Prêmio Brasil Criativo também teve o endosso de quase todas as associações setoriais nacionais. Ainda, o prêmio passa a ser uma iniciativa da Organização Mundial da Criatividade, instituição privada de atuação global comprometida em promover a criatividade e a inovação.

“O prêmio pauta outras iniciativas de fomento ao empreendedorismo e à inovação”

E o que significa, para quem vence o Prêmio Brasil Criativo, este reconhecimento?

“Ouvindo dos próprios vencedores e acompanhando a trajetória deles, a gente percebe que o prêmio pauta outras iniciativas de fomento ao empreendedorismo e à inovação”, conta Lucas, com orgulho.

Um exemplo é o que aconteceu com a Game Jam Plus, vencedora da categoria “Games” da última edição, cujos empreendedores foram escolhidos para participarem do programa Shark Tank Brasil.

“Todos os sharks investiram na iniciativa no episódio em que eles participaram, e essa ponte só foi possível porque a Floresta, produtora da Sony, bebe na fonte do Prêmio Brasil Criativo”, diz. Quer mais um exemplo?

“A Elo7, que venceu o prêmio em 2019, foi comprada recentemente pela empresa de e-commerce americana Etsy por US$ 217 milhões. Tem várias histórias de empreendedores que se destacam no prêmio e passam para outros programas, conquistas. É como se fosse um degrau no amadurecimento do negócio e da reputação do projeto”

É a reunião de cases assim que espera quem acompanha a cerimônia de premiação. “O evento é ponto de encontro de quem se reconhece criativo e empreendedor e quer buscar referência e inspiração nos seus semelhantes”, diz o idealizador e curador do prêmio.

Para ele, a festa é uma excelente oportunidade para se conectar com investidores e marcas presentes, além dos líderes dos setores criativos.

Escolhas para a festa: reforçando a brasilidade

Para além do aspecto B2B do encontro, há muito a aproveitar no B2C. Nesta edição, as atrações carregam a força política de representar o que o Prêmio Brasil Criativo propõe como economia criativa e sua ética.

“Os temas do desenvolvimento sustentável e da diversidade cultural fazem parte da premiação desde a primeira edição e a gente sofreu muito com uma perseguição cultural nos últimos quatro anos. É como se uma parte do Brasil quisesse negar a brasilidade conhecida e implantar uma nova brasilidade que ninguém sabe direito o que é”

Ressaltando que o último período da história do Brasil foi particularmente cruel com os povos originários e pessoas negras, Lucas afirma que a escolha pelas apresentações de Kaê Guajajara e do Bloco Ilú Obá de Min reforçam a mensagem desse novo momento.

A recriação do Ministério da Cultura, assumido pela primeira ministra negra da história do Brasil, a artista Margareth Menezes, dá o tom da celebração. “Somos criativos por natureza e, através da criatividade, construiremos um país mais inclusivo, diverso, gentil e inovador”, finaliza Lucas.

Participe da cerimônia de premiação do Prêmio Brasil Criativo!

Que tal fazer parte da grande festa da criatividade, que está cheia de significado e atrações imperdíveis em sua 4ª edição?

O evento é totalmente gratuito, mas os ingressos são limitados. Para garantir o seu, clique aqui.

 

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