Verbete Draft: o que é Computação Cognitiva

Isabela Mena - 23 ago 2017 Computação Cognitiva é quando diversos sistemas de Inteligência Artificial se esmeram em reproduzir a maneira humana de aprender novas habilidades ou tomar decisões. É para onde o futuro caminha. Leia.
Computação Cognitiva é quando diversos sistemas de Inteligência Artificial se esmeram em reproduzir a maneira humana de aprender novas habilidades ou tomar decisões. É para onde o futuro caminha (imagem: reprodução Yiginot.com).
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

 

COMPUTAÇÃO COGNITIVA

O que acham que é: Uma área da Psicologia que utiliza computação.

O que realmente é: Computação Cognitiva é a tecnologia que simula processos do pensamento humano em um modelo computadorizado. É um sistema de Inteligência Artificial (ou AI, na sigla em inglês) que envolve a autoaprendizagem por meio do processamento da linguagem natural, do reconhecimento de padrões e de outros dados não estruturados (não processados, tratados, nem analisados) que replicam (imitam mesmo) a maneira como o cérebro humano funciona. Para isso, utiliza algoritmos de Machine Learning.

A definição acima é a que comumente encontra-se em textos e publicações (acadêmicas ou não), e Magali Andreia Rossi, professora dos cursos superiores tecnológicos de Sistemas para Internet e Jogos Digitais da Fatec Carapicuíba, diz que não há uma definição formal de Computação Cognitiva, por se tratar de conceito que utiliza como base diversas tecnologias de AI. “Mas podemos considerá-la como uma parte da computação voltada à geração do novo conhecimento, que é capaz de interpretar e extrair o significado dos dados não estruturados de um determinado campo de atuação.”

Por causa da naturalização do termo “computação” hoje em dia, é importante, aqui, lembrar seu conceito original. Computação é o processo de transformar dados em informação útil por meio da aplicação de regras lógicas e matemáticas bem definidas. Já “cognição” é o ato de adquirir conhecimento por meio de processos mentais associados ao pensamento, à experiência e à percepção.

Segundo Carlos R. B. Azevedo, doutor em Engenharia de Computação pela Unicamp e pesquisador e líder de um grupo de pesquisa corporativo em AI, a Computação Cognitiva é geralmente inspirada no funcionamento da cognição humana e está alicerçada em três pilares: raciocínio lógico, experiência e percepção. “A Computação Cognitiva busca um salto ambicioso, que é a construção da conexão direta entre dados e conhecimento útil para a tomada de decisão, tarefa que humanos e outros seres sencientes (capazes de sentir) fazem corriqueiramente, mas que a indústria e a academia ainda têm dificuldade de sintetizar na forma de tecnologia.”

Quem inventou: Não há um inventor mas, sim, autores diversos — como o proeminente matemático e cientista da computação inglês Alan Turing — que trabalharam em fundamentos, ao longo da história, que deram origem à Computação Cognitiva e à Inteligência Artificial.

Quando foi inventado: Ao longo do século XIX, principalmente a partir da segunda metade.

Para que serve: Profissionais de diversas áreas (saúde, marketing, indústria, tecnologia etc.) podem usar a Computação Cognitiva como apoio, geração de alternativas, recomendação de ações e diagnósticos, entre outros. De acordo com Azevedo, usa-se a Computação Cognitiva em áreas nas quais há dificuldade na formalização de conhecimento. “E também onde há escassez e baixa disponibilidade de especialistas humanos.”

Outro uso é a substituição humana. Um exemplo é o chatbot, software que conversa via chat por voz ou texto com uma pessoa real, simulando o comportamento humano. Um de seus usos é como canal de relacionamento entre empresas e consumidores. Outro exemplo são os carros autônomos que, por meio da Computação Cognitiva podem tomar decisões sobre a condução do automóvel prevendo e evitando colisões antes que ocorram.

Quem usa: O uso é relativamente novo, mas empresas no mundo todo estão aderindo. Por aqui, inúmeras empresas já adotam o chatbot em seus canais de relacionamento com clientes. A IBM criou seu próprio sistema, o Watson. Segundo Rossi, um campo de grande aplicação é a medicina. “Algoritmos cognitivos são treinados para extração de diagnósticos mais precisos”, diz.

Efeitos colaterais: Impossibilidade de concretizar os benefícios pretendidos, por falta de dados ou pela má aplicação de regras lógicas apropriadas para transformar dados em conhecimento.

Quem é contra: Parte da sociedade e até mesmo alguns estudiosos e profissionais da área de TI, por temerem que a AI (em geral) e a Computação Cognitiva (em específico), substituam o trabalho humano e até superem sua inteligência. Azevedo destaca que há grandes inovadores e empreendedores, como Elon Musk, bastante receosos com a dependência demasiada na tecnologia. “Ele é um dos maiores visionários vivos no mundo e vem alertando sobre o descontrole potencial de sistemas artificiais conscientes capazes de definir os próprios objetivos”, afirma.

Para saber mais:
1) Assista ao TEDx The Dawn of Cognitive Computing. À época vice-presidente da Watson Core Technology, na IBM, Jerome Pesent fala sobre o desenvolvimento de software que confia em linguagem natural e aprendizagem de máquinas, alertando para a necessidade de novas formas de coleta e tratamento de dados.
2) Leia, no Medium, A Era da Computação Cognitiva e o mobile. Escrito por Gustavo Giglio, do Uptade or Die, o texto faz um recorte da Computação Cognitiva em aplicativos mobile e traz dois vídeos esclarecedores sobre o tema.
3) Leia, na Forbes, What Everyone Should Know About Cognitive Computing. O texto é bem didático e tem bons exemplos.

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