Verbete Draft: o que é Dragon Dreaming

Isabela Mena - 17 jun 2015 Liberte seus dragões. Conheça a Dragon Dreaming, uma metodologia que leva em conta os sonhos das pessoas para mantê-las engajadas em projetos criativos (imagem: Reprodução internet).
Liberte seus dragões. Conheça a Dragon Dreaming, uma metodologia que leva em conta os sonhos das pessoas para mantê-las engajadas em projetos criativos (imagem: Reprodução internet).
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

DRAGON DREAMING 

O que acham que é: Um método de elaboração de projeto em linguagem ambientalista ou um tipo de ciclo de melhoria contínua como o PDCA (sigla de Plan, Do, Check, Act).

O que realmente é: Uma metodologia para desenhar e realizar projetos criativos, colaborativos e sustentáveis com alto engajamento dos participantes. Tem como base três princípios: a expansão do senso comunitário, o crescimento pessoal e o que chamam de serviço à Terra (a consciência e minimização dos impactos negativos ao meio ambiente). O Dragon Dreaming acredita que projetos de sucesso têm quatro fases: sonho, planejamento, realização e celebração. Os projetos realizados com essa metodologia buscam cultivar relações de ganha-ganha. No mercado existem facilitadores de Dragon Dreaming, ou seja, pessoas que foram treinadas para conduzir o método, que é 30% prático (ou seja, de construção de projeto) e 70% focado no engajamento e na manutenção dos relacionamentos entre pessoas durante o processo.

Quem inventou: O australiano John Croft, consultor internacional, especialista em empreendimentos e projetos sustentáveis, de liderança e desenvolvimento organizacional, planejamento humano e biogeografia e co-fundador da Gaia Foundation, uma organização baseada nos princípios de crescimento pessoal, construção de comunidades e serviço ao planeta Terra. Tanto na Austrália como na Nova Guiné, Croft trabalhou com comunidades aborígenes e conheceu o dream time (ou tempo do sonho): na visão dos aborígenes, o que consideramos pragmático é, na verdade, sonho, e vice-versa. Toda construção material surge do sonho de alguém. Está aí a origem do Dragon Dreaming. Enquanto os sistemas tradicionais de elaboração de projeto são focados em planejamento, execução e avaliação, o Dragon Dreaming começa no sonho, uma etapa antes do planejamento.

Quando foi inventado: O termo é de 1990 mas o processo é anterior, embora não haja um marco de sua criação. A primeira capacitação formal de treinadores brasileiros aconteceu no começo de 2013 e hoje há 35 facilitadores de Dragon Dreaming no país. Esses facilitadores estão aptos a multiplicar o conhecimento Dragon Dreaming tanto em cursos e oficinas quanto em projetos e acompanhamento de grupos. Todas as regiões do Brasil já tiveram oficinas de Dragon Dreaming e o objetivo é que haja 10 mil pessoas treinadas no país até o final deste ano.

Para que serve: Para aumentar a chance de sucesso de projetos colaborativos. Isso porque um projeto não precisa apenas de um bom planejamento, mas muito do engajamento dos envolvidos. Enquanto no brainstorming, uma ferramenta tradicional de marketing, os extrovertidos costumam falar bastante e os demais se calam, no Dragon Dreaming existe o Círculo de Sonhos, uma dinâmica para que todas as pessoas se sintam à vontade para contribuir. O método funciona, preferencialmente, em grupos de quatro a 12 pessoas.

Quem usa: No Brasil, o Dragon Dreaming já foi ensinado dentro de grandes empresas, bancos, universidades, órgãos governamentais como o Ministério de Cultura e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e pelo Judiciário. Além disso, em empreendimentos com comunidades indígenas, movimentos populares, escolas, ecovilas, organizações sem fins lucrativos, startups, centros de sustentabilidade e instituições como o SESC-SP, a Abraço Cultural (método de ensino de línguas usando imigrantes em São Paulo), Casa Amarela (produtora cultural colaborativa), Oka Bioembalagens (empresa de bioembalagens feitas com fécula da mandioca) e Nexo Cultural (agência de design para sustentabilidade). Gigantes do mercado brasileiro, também já fizeram uso da técnica, como o Banco Santander e Natura.

Efeitos colaterais: Há algumas dificuldades de aplicação do método, mas não exatamente efeitos colaterais. Como o Dragon Dreaming não é um sistema de governança de organizações, é preciso que ocorram algumas modificações e novo processos para que ele possa acontecer — e isso pode ser delicado em algumas empresas.

Quem é contra: Lugares fortemente hierarquizados onde não há cultura ou espaço para se levar em conta os sonhos de cada participante já que há um chefe ou uma figura de liderança tradicional. Organizações que não estão alinhadas com os princípios de fortalecimento do senso comunitário e crescimento pessoal.

Para saber mais:
1) Navegue no site do Dragon Dreaming International.
2) Sobrevoe também o Dragon Dreaming Brasil.
3) No site do Ministério da Fazenda é possível baixar, em PDF, a Roda Completa, as Leis e o Guia Prático do Dragon Dreaming
4) Neste canal do YouTube é possível assistir a diversos vídeos de John Croft sobre Dragon Dreaming, em diversas línguas e países (inclusive em português, no Brasil).
5) Participe do Confestival Internacional Dragon Dreaming 2015, um encontro-festival-conferência da comunidade mundial que acontecerá na Bahia, entre outubro e novembro deste ano, com a presença de John Croft.

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