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Verbete Draft: o que é Living Lab

Isabela Mena - 21 out 2015 Marty e Dr Brown no lendário De Volta para o Futuro. Hoje, o futuro é feito de conceitos como inovação aberta e design focado no usuário: é disso que tratam os Living Labs.
Doc e Marty McFly no lendário De Volta para o Futuro. Hoje, o futuro é feito de conceitos como inovação aberta e design focado no usuário: é disso que tratam os Living Labs (imagem: reprodução internet).
Isabela Mena - 21 out 2015
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

 

LIVING LAB

 

O que acham que é: Um laboratório de espécies vivas.

O que realmente é: Living Lab ou, em português, Laboratório Vivo, é uma metodologia de inovação que enfatiza a co-criação de projetos com as partes interessadas e testes em ambientes reais de uso. Justamente por ser uma metodologia e não um lugar, até pode haver um local físico para sua existência institucional, mas uma das características de um Living Lab é ser móvel. “O laboratório é chamado de vivo porque é feito de pessoas mais do que de tecnologias. Essas pessoas podem fazer parte do governo, de empresas, de universidades e também de movimentos sociais”, diz Frederick van Amstel, designer de interação, mestre em tecnologia, professor da PUC-PR e editor do blog Usabilidoido. Segundo Silvio Bitencourt da Silva, diretor do SENAI-SC e professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense, Living Lab pode ser definido como um agente que exerce o papel de intermediário em uma rede de inovação. “Nessa rede, as partes interessadas formam ‘parcerias-pessoais-público-privadas’ (4Ps) para o desenvolvimento de inovações com a participação ativa dos usuários finais”, diz.

Quem inventou: O termo Laboratório Vivo foi primeiramente utilizado por pesquisadores do MIT como William J. Mitchell, Kent Larson e Alex [Sandy] Pentland, em 1995, para definir um experimento em que pessoas normais viveram alguns dias dentro de uma casa com automação residencial. O objetivo do experimento era compreender o comportamento dos residentes e adaptar as tecnologias às suas necessidades. Alguns anos mais tarde, o termo foi utilizado por pesquisadores europeus para definir experimentos similares em outras áreas mas com característica de co-criação.

Quando foi inventado: Em 2006 nascia a European Network of Living Labs, cuja criação é considerada um marco importante da consolidação do termo com a conotação que tem hoje.

Para que serve: “Para conectar a capacidade de inovação dos usuários com as capacidades das diferentes partes interessadas participantes dos projetos de inovação em um processo de co-criação. Serve também para acelerar o desenvolvimento de inovações em redes de inovação colaborativas”, diz Bitencourt. Van Amstel diz que o Living Lab serve para envolver as pessoas que costumam ficar alheias ao desenvolvimento de produtos, serviços e tecnologias, os chamados stakeholders e os usuários. “Através dos experimentos do Laboratório Vivo, essas pessoas podem co-criar e testar ideias para novos projetos. Além de gerar novos conceitos, o Laboratório Vivo promove relacionamentos de negócio e trocas de conhecimento. Quando os experimentos são realizados em público, o Laboratório Vivo gera conscientização sobre o tema e visibilidade das organizações”, afirma.

Quem usa: Van Amstel diz que os Living Labs são usados quando as organizações possuem estratégias de inovação aberta, inovação social ou design centrado no usuário. E cita Laboratórios Vivos que ajudou a conceber e montar, com o da Presidência da República, que co-cria tecnologias para aumentar a participação da população no Poder Executivo; o da Prefeitura de Curitiba (ainda em fase de montagem), em parceria com universidades holandesas e cujo objetivo é desenvolver soluções inovadoras de ciclomobilidade e a Plataforma Corais, mantida pelo Instituto Ambiente em Movimento. “É um Laboratório Vivo para outras ONGs, empreendimentos solidários e produtoras culturais desenvolverem inovações à distância”, diz. De acordo com Bitencourt, os Living Labs podem se apresentar por meio de quatro tipos diferentes, categorizados pelo ator que dirige as atividades de operação e de inovação da rede: empresas que lançam e promovem Living Labs para desenvolver seus negócios; atores do setor público, organizações não-governamentais e financiadores (cidades, municípios ou organizações da área do desenvolvimento); provedores (que podem ser organizações de desenvolvedores, instituições de ensino, universidades ou consultores) e, por fim, comunidades de usuários. “No Brasil, particularmente, os Living Labs têm sido destacados como uma forma emergente de promoção da inovação social”, diz.

Efeitos colaterais: Frederick van Amstel conta que nem sempre as inovações que surgem nos experimentos dos Living Labs podem ser implementadas e que há grande investimento de tempo, mesmo que a qualidade dos projetos não seja garantida. “Mas sempre existe um ganho indireto com a troca de conhecimentos e aprofundamento dos relacionamentos”, diz. Outra desvantagem, segundo ele, é que inovações co-criadas com tantas pessoas não podem ser mantidas em sigilo com efetividade e muito menos patenteadas sem acordos de compartilhamentos de receitas com os envolvidos.

Quem é contra: As empresas que se baseiam na exploração da propriedade intelectual. “Empresas de base tecnológica e distribuidoras de música não costumam acreditar na viabilidade de estratégias de inovação aberta, de inovação social ou de design centrado no usuário. Elas preferem desenvolver produtos em segredo, patentear as descobertas e processar os concorrentes depois que o produto é lançado no mercado e eventualmente copiado. Testar produtos em situações realísticas e co-criar ideias antes de formalizar o lançamento do produto é considerado muito arriscado, pois estas podem ser copiadas”, afirma Van Amstel. Por sua vez, Bitencourt diz que não há explicitamente manifestações contrárias e sim alguns especialistas que têm procurado debater sobre o fato de os Living Labs não poderem ser considerados uma panaceia para todos os desafios da inovação. “Mas os Living Labs são apontados no Horizonte 2020 como o mecanismo que dialoga com um novo sistema europeu de inovação”, diz Silvio Bitencourt.

Para saber mais:
1) Assista ao TED “Is Pivot a turning point for web exploration?”, de Gary Flake, fundador do finado Microsoft Live Lab, que funcionou entre os anos 2006 e 2010. Leia mais sobre o Pivot, do Living Lab da Microsoft, neste texto da MIT Technology Review, de 2010.
2) Assista ao vídeo “Living Labs what path for the future”, um painel de discussão (longo, tem mais de uma hora) que rolou na edição deste ano do OpenLivingLab Days em Istambul, na Turquia.
3) Navegue no site do MIT Living Labs e veja quais são os projetos em desenvolvimento.

Tecnisa

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