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Verbete Draft: o que é P2P Lending

Isabela Mena - 17 fev 2016 Giles Andrews é o cofundador da britânica Zopa, primeira plataforma de P2P Lending no mundo e a maior da Europa.
Giles Andrews é o cofundador da britânica Zopa, primeira plataforma de P2P Lending no mundo e a maior da Europa.
Isabela Mena - 17 fev 2016
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

P2P LENDING

O que acham que é: Algum tipo de empréstimo ligado ao mercado de entretenimento online.

O que realmente é: P2P Lending (também conhecido como Marketplace Lending) é uma derivação da tecnologia P2P para o mercado financeiro. A definição resumida de P2P (peer-to-peer) é: processo de desintermediação, utilizado em redes de computadores, na qual os próprios usuários e clientes imputam e consomem informação, sem privilégio para nenhum equipamento. Para lembrar, publicamos um Verbete Draft detalhado sobre o assunto. De acordo com Paulo David, cofundador e diretor de operações da Biva, empresa que usa a tecnologia no Brasil, o P2P Lending permite que uma pessoa empreste dinheiro a outra, ao longo do tempo, sem a intermediação convencional de um banco, e a taxas baixas. “As pessoas vão para o centro do processo”, fala.

Humberto Sandmann, professor de Sistemas Distribuídos da FIAP, diz que, ao pé da letra, a tradução de P2P Lending é “empréstimos ponto a ponto”, mas que uma forma mais clara de tradução leva o pronome “em”, ou seja, “empréstimos em ponto a ponto”. “Isso porque o conceito representa uma rede de pessoas na posição de credoras ou devedoras, cujo objetivo é que os empréstimos sejam feitos, entre elas, por meio de uma plataforma online”, diz. O grande ponto (sem trocadilho) do P2P Lending é que permite a negociação de taxas de juros menores do que as que são praticadas no mercado financeiro.

David conta que para muitos influenciadores do setor, como o ex-secretário do tesouro americano Larry Summers, o P2P Lending é a maior inovação do sistema financeiro em muitos anos. “Praticamente desde que foi concebido, esse sistema funciona da mesma maneira: você poupa seu dinheiro e recebe uma quantia por isso. Um banco emprestaria o mesmo dinheiro por um valor maior. Essa diferença nas taxas praticadas é o chamado spread bancário, e o Brasil tem o terceiro maior spread do mundo”, diz.

No Brasil, David diz que as transações do P2P Lending (no caso da Biva, por enquanto a única a operar no país) estão dentro do limite de 250 mil reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que, por sua vez, está subordinado às diretrizes do Banco Central. Todas as pessoas cadastradas, sejam investidores ou empreendedores, passam por um processo severo de avaliação de crédito através de ferramentas mantidas dentro da própria plataforma.

Quem inventou: Giles Andrews é o cofundador mais conhecido da britânica Zopa, primeira plataforma de P2P Lending no mundo e a maior da Europa. Por seis anos seguidos, a Zopa foi eleita como empresa mais confiável de empréstimo pessoal — o título original é “Most Trusted Personal Loan Provider” — pelo Moneywise Customer Awards. No ano seguinte à criação da Zopa foram fundadas, nos Estados Unidos, as empresas Lending Prosper e Lending Club. “A Lending Club é hoje a principal empresa dentro da categoria no mundo e há cerca de um ano opera listada na bolsa de Nova York, avaliada em mais de 5 bilhões de dólares”, conta David.

Quando foi inventado: As operações da Zopa começaram em 2005. Nos seus mais de 10 anos, já emprestou quase um bilhão e meio de libras e está operando com cerca de 53 mil pessoas que emprestam valores que vão de 10 mil a 1 milhão de libras.

Para que serve: A principal função do P2P Lending é evitar a prática de taxas abusivas impostas para empréstimos por instituições financeiras. Sandmann diz acreditar que o principal benefício do P2P Lending seja permitir o nascimento, o crescimento e a instalação de empreendedores ou pequenas empresas. “No Brasil, as leis financeiras não permitem que se faça transações sem uma instituição. A plataforma do P2P Lending supre essa exigência. E além de reunir pessoas que estão investindo com as que precisam de investimento, possibilita que um montante necessário por uma pessoa advenha da união de vários investidores diferentes”, diz.

Outro benefício do P2P Lending, segundo David, é que plataforma traz a conveniência do meio online. “A pessoa que perdia uma tarde de trabalho se dirigindo a uma agência bancária, travava na porta giratória e passava horas na fila antes mesmo de saber se estaria apta ao crédito mas agora tem a opção de fazer sua solicitação de casa, em questão de minutos, e em menos de uma semana tem o dinheiro em sua conta”. David também dá exemplos das taxas de juros. “No P2P Lending, os juros são de 1,5% a 4% para o micro e pequeno empresário contra cerca de 14% ao mês no cartão de crédito ou mais de 10% ao mês no cheque especial. Já para o investidor, a rentabilidade média é de 20% ao ano, o que dá mais de 140% do CDI, o benchmark usado para avaliar a atratividade de investimentos. Rentabilidade desse patamar, até então, só era acessível para investidores profissionais”, conta.

Quem usa: “Empreendedores, investidores e pequenos empresários do Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e China, entre outros. Davi fala que o P2P Lending apoia do pequeno comerciante de Belo Horizonte a uma escola para crianças no interior de São Paulo, passando por um desenvolvedor de aplicativos e games do Rio de Janeiro. “Em relação a investidores, qualquer pessoa com mais de 18 anos, que tenha conta corrente, está apta a participar”, afirma.

Efeitos colaterais: “Não sei se podemos colocar como efeito colateral, mas como não há regulamentação, pode haver, com o P2P Lending, problemas como lavagem de dinheiro, investimento de dinheiro ilegal e paraíso fiscal, como aconteceu na Inglaterra mas foi rapidamente resolvido através de regulamentação”, diz Sandmann. O professor da FIAP acredita que seguindo o modelo de regulamentação inglês as plataformas dos demais países ganharão mais força e espaço. “Outro efeito colateral é a não existência de garantias ao investidor. “Mas isso não significa que ele deva se afastar já que todo investimento financeiro tem risco”, diz. Segundo David, o que mais preocupa quem está testando o modelo do P2P Lending é o risco de inadimplência. “Mas há medidas para minimizá-lo como ter uma operação de cobrança que trabalha em conjunto com o tomador do crédito, corrigir o dinheiro do investidor em casos de atraso no pagamento e oferecer garantia de cobrança da rentabilidade do investidor em casos de mais de 60 dias de inadimplência.”

Quem é contra: As instituições financeiras. “Poderíamos dizer que, hoje, o P2P Lending é o Uber dessas instituições. Já o governo, como ainda não possui leis claras sobre a aplicação da tecnologia, procura criar regras e fiscalizações que visem evitar lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e qualquer outra infração financeira”, diz Sandmann. David, por outro lado, diz que tanto Banco Central quanto entidades de classe se mostram favoráveis ao modelo. “O P2P Lending ajuda a disseminar o crédito pelo Brasil. Até mesmo os grandes bancos brasileiros o veem com bons olhos, pois ajuda o crédito a atingir pessoas que não têm acesso a esse mercado”.

Para saber mais:
1) Leia, no Financial Times, o recém publicado Online P2P Lenders eye high street move. O texto diz que, além do P2P Lending estar aumentando em popularidade, o serviço também está de olho no investidor offline, que tem experiência em originar crédito mas não tem a tecnologia.
2) Leia, no TechCrunch, o texto P2P Lending Is Profitable, Even In A Recession, na qual o autor, investidor-anjo e fundador de quatro empresas de tecnologia, explica, com gráficos e detalhes, como investiu e se apaixonou (palavras dele), por esse tipo de negócio.
3) Assista, no YouTube, a Peer-to-peer lending – the pros and cons, da seção FT Business, do Financial Times, produzido há cerca de um ano. Como diz o título, o vídeo examina os riscos e benefícios do P2P Lending.
4) Leia, na Business Insider, Peer to peer lending is set to explode que não só acredita no crescimento do P2P Lending como também defende que instituições bancárias não podem competir com esse empréstimo pessoal.
5) Leia, no Telegraph, o texto Zopa doubles revenue in peer-to-peer boom, que fala tanto do crescimento da empresa britânica como também de suas perdas ao contratar mais empregados e a esperança em tornar-se rentável em 2017.

Tecnisa

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