Verbete Draft: o que é Pro Action Café

Isabela Mena - 19 ago 2015 Pro Action Café tem a ver com reunir pessoas para apresentar e desenvolver projetos de maneira que todos possam colaborar.
Pro Action Café tem a ver com reunir pessoas para apresentar e desenvolver projetos de maneira que todos possam colaborar.
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

PRO ACTION CAFÉ

O que acham que é: Encontro para degustação e cafés.

O que realmente é: Uma metodologia social de conversas em grupo que foi desenvolvida para potencializar, por meio da contribuição coletiva, projetos que estejam em andamento ou prestes a ser viabilizados. Na prática, e resumidamente, funciona assim: um grupo (que pode variar de 12 a centenas de pessoas) reúne-se numa sala, em companhia de um ou mais facilitadores do método. Este pergunta quem gostaria de apresentar seu projeto às contribuições dos demais — o limite de projetos é um quarto do número total de participantes. Os proponentes de projetos, agora chamados de anfitriões, farão uma breve explanação sobre seu tema para que os demais participantes escolham com quem contribuirão. A sala então é dividida em subgrupos e, em cada um, há um anfitrião. Começa a primeira das três rodadas do método, nas quais o objetivo é, por meio de uma pergunta principal norteadora, que o participante entenda a questão central de seu projeto. “A primeira pergunta tem um tom de profundidade, é geralmente precedida por ‘por que’?”, diz João Vitor Caires, diretor da Impact Hub, rede de inovação social comunidade global de empreendedores de impacto. Em todas as rodadas há uma folha grande de papel e canetas coloridas à disposição dos participantes para que façam anotações sobre as questões que forem surgindo. “É como uma lousa em cima da mesa e é um instrumento do método. Quando as pessoas anotam, cuidam do entendimento compartilhado, dialogam com o que está escrito. Se a gente começa a conversar e cada um entende uma coisa o proveito que se tira da conversa é menor”, diz Tamara Azevedo, co-fundadora da CoCriar, organização pioneira em espaços de colaboração, aprendizagem coletiva e inovação organizacional. Antes de começar a segunda rodada, o anfitrião tem um tempo para reorganizar suas ideias e apresentá-las a um outro grupo – há um rearranjo dos participantes. A pergunta agora, segundo Caires, é mais sugestiva. “É geralmente precedida por ‘e se’. Implicitamente, questiona o que deixaria a ideia perfeita, o que resolveria o desafio”, diz. Novamente, repetem-se os passos de rearranjo, pelo grupo, e reorganização de ideias, pelo anfitrião. A pergunta da rodada final tem objetivo prático, perguntando ao anfitrião o que pretende fazer com o aprendizado. “Uma coisa importante é que mesmo as pessoas que não apresentaram projetos são beneficiadas, seja indiretamente, seja por analogia. Essa é a beleza do Pro Action Café. As pessoas não estão ali dando consultoria grátis e sim tendo um aprendizado intenso em um curto espaço de tempo. É quase como se o método fosse um acelerador da concretização de projetos”, diz Azevedo, da CoCriar.

Quem inventou: O alemão Rainer von Leoprechting, empresário e consultor, fundador da Pro Action Learning, empresa de consultoria, coaching, hosting e facilitação, e a belga Ria Baeck, psicóloga clínica, coach e fundadora da Vitis, empresa cujo propósito é ajudar na transformação de indivíduos, de organizações e da sociedade.

Quando foi inventado: No ano de 2008. Rainer von Leoprechting e Ria Baeck tentavam encontrar uma sinergia entre a abordagem peer-to-peer e a ação orientada em que, se necessário, pudesse haver muitos participantes. Daí nasceu o Pro Action Café cujo conceito original é uma mistura de World Café e Open Space Technology, ambas tecnologias da Art of Hosting, abordagem que forma pessoas para que facilitem conversas coletivas e processos cocriativos.

Para que serve: “Para ativar insights significativos e aprofundar o entendimento de desafios, ideias empreendedoras e projetos, entre outras coisas. E pode ser utilizado em qualquer cenário em que um grupo queira criar ideias e soluções genuínas e poderosas, baseadas numa compreensão profunda do projeto”, diz Caires.

Quem usa: Segundo Azevedo, empresas, terceiro setor, governo, grupos humanos não institucionalizados ou quaisquer grupos de pessoas com projetos abertos a receber contribuições. “Você pode usar o Pro Action Café para viabilizar ou acelerar um conjunto de projetos de uma determinada área de uma empresa e, também, em uma sessão aberta para pessoas de várias organizações diferentes participarem. Na Alemanha são oferecidos jantares que são Pro Action para integrantes de uma localidade que não têm vínculo institucional. É como se fosse um espaço aberto e vai quem está a fim”, conta.

Efeitos colaterais: “As pessoas podem achar que, de acordo como a estrutura é montada, o dono do problema pode não receber aportes na profundidade que ele esperaria porque não está falando com expert. Já ouvimos esse tipo de comentário mas é uma minoria”, diz Tamara Azevedo, da CoCriar.

Quem é contra: Para Azevedo, gestores de sistemas controladores. “O que acontece quando você faz esse tipo de metodologia é que você empodera pessoas que podem passar a não respeitar autoridades não legítimas. Por outro lado, se não há uma abertura para mexer nesse controle o participante pode se sentir pressionado, ser silenciado”, afirma. Por sua vez, Caires diz que não existem organizações contra e sim organizações que ainda não estão enxergando esse tipo de abordagem. Segundo ele, são organizações que têm estruturas mais engessadas e não querem trabalhar com cocriação e aspectos colaborativos por não estarem abertas essas metodologias ou não estarem com o radar ligado para isso. “Acredito que cada vez mais a gente vai ter esse tipo de abordagem no contexto de negócios e projetos porque é algo que já está acontecendo.”

Para saber mais:
1) Assista ao vídeo Art of Hosting -Proaction Cafe e entenda o método em menos de três minutos.
2) Confira, no site da comunidade online do World Café, o calendário com datas de alguns Pro Action Cafés no mundo.
3) C
onheça o Hosting Kit, ou a lista do que é preciso para organizar um evento de Pro Action Café. 

Tecnisa

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