Verbete Draft: o que é ZOPP

Isabela Mena - 8 jul 2015 ZOPP é uma metodologia sofisticada de gerenciamento de projeto. Conheça, estude.
ZOPP é uma metodologia sofisticada de gerenciamento de projeto. Conheça, estude (imagem: reprodução internet).
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

ZOPP

O que acham que é: Um método pronto de planejamento de projeto.

O que realmente é: ZOPP é acrônimo de Ziel-Orientierte Projekt Planung, termo alemão para “método de planejamento de projetos orientado por objetivos”. O planejamento é sempre participativo e requer um grupo heterogêneo, com olhares diversos sobre o problema ou a proposta, para que haja sucesso na conquista do objetivo, também chamado de visão de futuro. A hipótese principal do Zopp é que se o planejamento for participativo serão maiores as chances de se chegar à solução do problema — ou ao objetivo. Segundo a professora universitária Sandra Inês Baraglio Granja, doutora em Ciência Ambiental pela USP, uma sessão de ZOPP bem feita leva, pelo menos, entre dois e cinco dias, dependendo do problema. “A pergunta relativa ao problema é o mais importante no método. E os envolvidos precisam ter, de fato, vontade em respondê-la”, afirma. Como em qualquer método de planejamento, o objetivo (ou resultado) só é mensurável depois de um determinado período de tempo (com um ano, por exemplo).

Quem inventou: A Cooperação Técnica Alemã (antiga GTZ e atual GIZ), empresa pública de direito privado que gerencia projetos de cooperação técnica, criada para orientar as fases de planejamento e gerenciamento de projetos financiados pelos órgãos de cooperação da Alemanha, de outros países e de instituições internacionais.

Quando foi inventado: Em 1983, pela GIZ. É, na verdade, uma releitura do método americano Logical Framework Approach (LFA), conhecido por aqui como Marco Lógico e criado na década de 1960 pela USAID (U.S. Agency for International Development). A GIZ abraçou fortemente a abordagem e a desenvolveu como uma ferramenta prática sistemática.

Para que serve: Para planejamento participativo. De acordo com Rose Marie Inojosa, comunicóloga, doutora em Saúde Pública, especialista em planejamento e gestão da FUNDAP/SP e professora convidada do Curso de Especialização de Planejamento e Gestão de Projetos Sociais no Terceiro Setor da PUC-SP, o método introduziu o desenvolvimento do processo de planejamento em ambiente de oficina, integrando os principais grupos de interesse em uma situação focalizada. “Isso significou tirar o planejamento de um gabinete ou um grupo de ‘planejadores’ e incluir, como atores do planejamento, representantes dos segmentos sociais ou organizacionais diretamente implicados na situação”, diz a Inojosa. Sandra Inês Baraglio Granja conta que o método tem duas fases: análise (que compreende as análises de envolvimento, problemas, objetivos e alternativas) e planejamento do projeto, esta última, subdividida em: elaboração da matriz de planejamento do projeto (objetivos, resultados e atividades), análise de envolvimento, indicadores objetivamente comprováveis, pressupostos/ suposições importantes, fontes de comprovação/ verificação, análise de riscos e definição dos custos e insumos (plano operacional).

Quem usa: No exterior, agências de cooperação, como a já citada GIZ, e o Banco Mundial. No Brasil, a FUNDAP (Fundação do Desenvolvimento Administrativo), foi uma das instituições de consultoria, ensino e pesquisa que aplicaram o método nos anos 1990, época em que foi difundido por aqui.

Efeitos colaterais: Rose Marie Inojosa diz que, a seu ver, o principal é a inclusão de atores sociais interessados e envolvidos nas situações que o projeto pretende trabalhar ou modificar, desde a sua análise até a definição dos objetivos. “Hoje é mais comum que os processos de planejamento tenham essa visão participativa, considerando que o envolvimento de diferentes pessoas permite o diálogo e até o confronto de visões sobre uma mesma situação ou problema, o que, em tese, permite que o projeto seja mais factível e seus objetivos mais próximos dos interesses locais”, afirma.

Quem é contra: “Penso que não cabe ser contra ou a favor de um método, mas analisar seu potencial do ponto de vista da qualidade e oportunidade de sua aplicação”, prossegue Inojosa. Segundo a comunicóloga, é natural que, ao longo da utilização de um método haja releituras e atualizações. Ela conta que outros métodos surgiram depois do ZOPP, como, por exemplo, o Planejamento Estratégico Situacional, desenvolvido pelo economista chileno Carlos Matus (que foi Ministro da Fazenda no governo de Salvador Allende) e que fortalece a ideia de planejamento como um processo dinâmico, sempre em revisão. “Gosto especialmente da abordagem do Matus nos livros Teoria do Jogo Social e Chimpanzé, Maquiavel e Gandhi. Atualmente, há uma tendência à utilização de jogos e técnicas de design para desenvolver processos de planejamento. Às vezes, simplificam um pouco demais o processo de planejamento, mas são uma tendência”, diz.

Para saber mais:
1) Leia o report do MIT (Massachusetts Institute of Technology) sobre ZOPP.
2) Na Biblioteca Digital da Unicamp você pode fazer o download de uma análise crítica do ZOPP.

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