Verbete Draft: o que são Xenobots

Isabela Mena - 22 jan 2020
Na parte de cima, o design dos xenobots produzidos por algoritmos e, abaixo, sua versão "viva" (imagem: Universidade de Vermont/ Reprodução).
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

XENOBOTS

O que acham que são: Robôs com luzes de xenon.

O que realmente são: Xenobots são robôs programáveis e milimétricos feitos de células vivas. É possível chamá-los de “robôs vivos” — os próprios cientistas fazem isso —, mas esses organismos artificiais não podem se reproduzir, se alimentar ou reagir a estímulos externos, como um ser vivo, de fato.

Segundo texto na The Conversation (link no item “Para saber mais”), o termo “robô” é usado porque os Xenobots podem ser configurados em diferentes formas e programados para atingir determinados objetos. Ainda assim, eles são totalmente orgânicos e feitos de tecido vivo

O feito não é pouca coisa: esta é a primeira vez que a humanidade consegue criar “máquinas completamente biológicas desde o início”, segundo os cientistas envolvidos no projeto, em artigo divulgado no último em 13 de janeiro, no Proceedings of the National Academy of Sciences.

Plural: Há dois tipos de Xenobots. Um tem dois membros curtos com os quais pode se impulsionar na água e o outro possui uma bolsa na qual transportaria uma pequena carga.

Ambos têm menos de um milímetro de diâmetro e foram construídos com células retiradas de embriões de sapos da espécie Xenopus laevis — daí o nome Xenobots. Usando a energia das próprias células, eles podem viver até dez dias.

Mérito: Cientistas pesquisadores das Universidades norte-americanas de Tufts, Vermont e Harvard (Wyss Institute).

Método: O que possibilitou a criação dos Xenobots foi a combinação de inteligência artificial e da biologia.

Wagner Sanchez, diretor acadêmico e coordenador do MBA em Health Tech da FIAP, conta que as células dos sapos foram combinadas com silício, um minério que possui a importante propriedade da semicondução elétrica e fundamental na construção dos chips de computadores. “Essa fusão de materiais biológico e mineral permite a criação de uma estrutura viva capaz de ser programada”, afirma.

A fusão dos dois materiais, diz Sanchez, é feita através de um algoritmo evolutivo de inteligência artificial que realiza diversas combinações até que se chegue ao comportamento desejado. “Depois que o algoritmo ideal for consolidado e testado, pode-se iniciar uma produção em massa do Xenobot desejado.”

Intento: A expectativa é que os Xenobots tragam benefícios para a medicina.

A princípio, segundo Sanchez, pode-se elencar o transporte de substâncias para dentro dos corpos de animais e até de seres humanos, com entrega de medicamentos diretamente no ponto desejado e desobstrução de artérias. “Os Xenobots irão proporcionar um melhor entendimento dos mistérios da comunicação celular.”,

Espera-se também a aplicação no meio ambiente com limpeza de microplásticos de águas poluídas e digestão de materiais tóxicos.

Ética: A Forbes vai direto ao ponto e diz que a desvantagem da descoberta é que incita o medo de robôs vivos inteligentes, de novas formas de vida que podem um dia ameaçar a existência da humanidade. E, ainda, que os cientistas podem ter criado algo que não sejam capazes de controlar mais para frente.

“Esse medo não é irracional”, admite o co-líder Michael Levin, que dirige o Centro de Biologia Regenerativa e do Desenvolvimento da Tufts. “Quando começarmos a mexer com sistemas complexos que não entendemos, teremos consequências não intencionais.”

Para saber mais:
1) Leia, na The Conversation, Not bot, not beast: scientists create first ever living, programmable organism.
2) Leia, na MIT Technology Review, These “xenobots” are living machines designed by an evolutionary algorithm.
3) Leia, na Wired, Meet Xenobot, an Eerie New Kind of Programmable Organism.
4) Leia, na Forbes, World’s First ‘Living Robot’ Invites New Opportunities And Risks.

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