SXSW 2015 – o melhor dos últimos dias

Filipe Callil - 20 mar 2015SXSW 6th street
O SXSW é onde você pode ser tudo, e encontrar tudo o que precisa: venha.
Filipe Callil - 20 mar 2015
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O SXSW 2015 está quase acabando — e eu quase acabado. Minhas pernas então… nem se fala! Mas depois de rodar a pé por todos os cantos de Austin durante uma semana, facilmente uns 4 quilômetros por dia, volto ao Brasil munido de descobertas incríveis. E não estou falando somente de inovações tecnológicas.

O festival (ou feira, evento, convenção, como você preferir chamar) tem a incrível habilidade de harmonizar as mais divergentes informações, auditivas e visuais, dentro de uma mesma roupagem. O mesmo vale para as pessoas.

Dos geeks aficionados por games e novos gadgets aos hippies que perambulam pela cidade. Dos engravatados mais conservadores aos roqueiros com barbas gigantescas (deve ser um dos lugares do planeta com mais barbudos por metro quadrado). Bem no estilo “tudo junto e misturado”, você pode conversar com todos sem precisar se passar por outra pessoa. Ninguém, ou quase ninguém, está preocupado com o seu jeito de se vestir e com a marca da sua roupa. O importante mesmo para se dar bem por aqui é ter boas ideias. Aliás, tá a fim de uma? Se você quer experimentar o SXSW, planeje muito bem sua primeira ida.

Pra começo de conversa, não é só no Brasil que os preços sobem de forma abusiva em altas temporadas e datas especiais. Os hotéis e as residências disponíveis no Airbnb chegam a quadruplicar os preços nesse período. Reservar com antecedência significa economia de dinheiro e também de tempo. Vale muito a pena ficar em um local que esteja perto de tudo, preferencialmente no centro da cidade para não depender de carro (já contei outro dia que os estacionamentos são caríssimos).

Além disso, vale a pena definir qual é o objetivo exato da sua viagem e que tipo de contato você pretende estabelecer. Parcerias? Investimento? Insights para um novo negócio? Não tenha a esperança de que alguém irá lhe dizer onde você precisar ir, com quem deve falar ou algo do gênero.

“O South by Southwest é que nem a internet. Dá para encontrar qualquer coisa nele. Mas, primeiro, você precisa saber o que está procurando”

Não poderia haver analogia melhor do que esta – foi um gringo quem me contou na fila de uma cafeteria – para traduzir o que estou tentando explicar. Seja qual for o seu objetivo ao vir ao SXSW, as pessoas ideais para te ajudar estão aqui. Você “só” precisa encontrá-las. E estamos falando de 70 mil participantes! Ou seja: não espere chegar em Austin para definir com quem falar. É importante sair de casa com pelo menos algumas reuniões já marcadas. O site do evento oferece uma ferramenta social na qual você pode checar os participantes confirmados, saber mais sobre eles e até abrir conversa com os mais promissores.

Sugiro dar uma olhada com antecedência também nos keynotes e workshops confirmados. Da mesma forma que existem alguns muito bons, com palestrantes que podem ensinar muito, outros estão ali apenas para preencher as lacunas da programação.

SE QUER FAZER NEGÓCIO, PROGRAME-SE. SE QUER SE DIVERTIR, SIMPLESMENTE VENHA

Mas, calma lá! Não vá enlouquecer também. Faz parte da dinâmica do SXSW ter um tempo para “respirar”. Se vier, venha com tranquilidade, por exemplo, para bater papo com pessoas que conhecer na rua. Até porque, nunca se sabe o que pode surgir a partir dali.

No SXSW, uma “taxi-bike” nas ruas de Austin

O SXSW, em Austin, atrai talvez a maior concentração de barbudos empreendedores por metro quadrado do mundo.

Agora, se a sua intenção é vir ao SXSW apenas por diversão, venha! Sem medo de ser feliz. Austin foge de quase todos os estereótipos texanos, exceto clima e comida. Lotada de bares, casas de shows, cinemas e teatros, a cidade se orgulha por pulsar arte. E a programação do festival sabe muito bem como aproveitar isso.

Nos últimos dois dias, tive a chance de conferir, em primeira mão, os documentários que retratam a vida de dois gênios: Kurt Cobain (Kurt Cobain: Montage of Heck) e Steve Jobs (Steve Jobs: Man in the Machine). O que mais me chamou a atenção – apesar de me considerar fã de Nirvana – foi o segundo. Para contar a história do fundador da Apple, o diretor Alex Gibsey passou quase três anos em pesquisas e entrevistou cerca de 50 pessoas que conheciam Jobs. O resultado é um filme que mostra o seu lado obscuro, em que Jobs aparece ilustrado como um líder injusto, maníaco, traidor e sem empatia.

Também consegui assistir a diversos shows e, só por eles, a vinda já teria valido a pena. Incubus, Iggy Azalea, Wolf Alice, Laura Marling, Future Islands… Sem contar as bandas menores que conheci por aqui. E por falar em música, os últimos dias do SXSW 2015, que acaba no próximo domingo (22), estão sendo dedicados a ela. Ou seja, todas as tendências de mercado expostas nessa reta final tem a ver com a arte mais consumida no planeta. Em um espaço intitulado de Music Gear Expo, dentro do Austin Convention Center (principal sede do festival), pude conferir a evolução tecnológica dos dispositivos sem fio. Principalmente, fones de ouvido e transmissores para instrumentos musicais.

Bom, agora é arrumar as malas e voltar ao Brasil. Quem sabe não nos vemos em Austin no ano que vem. Valeu!

 

Filipe Callil é sócio do ClapMe que também faz parte das 57 empresas brasileiras do SXSW.

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