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Economia lucrativa e regenerativa: como dar uma nova cara para os negócios?

Rodrigo Gaspar - 22 abr 2026 Lideranças de Empresas B reunidas durante o Encontro+B Amazônia 2025 no Pará (crédito: Sistema B).
Lideranças de Empresas B reunidas durante o Encontro+B Amazônia 2025 no Pará (crédito: Sistema B).
Rodrigo Gaspar - 22 abr 2026
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O lucro que destrói o que sustenta o lucro não é estratégia. É miopia.

Durante anos, a sustentabilidade foi vendida ao mercado como resposta suficiente. Reduzir impactos, mitigar danos, compensar emissões. Foram avanços reais — mas insuficientes. 

E no fundo, quem está na liderança já sabe disso. O desconforto existe. Ele só não costuma ser verbalizado em reuniões de conselho.

A razão é simples e incômoda: o problema nunca foi apenas a forma como as empresas operam. Foi o modelo em si

Operar de forma “menos prejudicial” dentro de uma lógica extrativa não resolve nada. Apenas adia a conta. E essa conta está chegando — em forma de regulação, de risco físico, de perda de licença social para operar. 

Quem ainda trata impacto como agenda paralela ao negócio não está sendo responsável. Está sendo imprudente.

DO DISCURSO ESG À EXIGÊNCIA DE COERÊNCIA

A popularização do ESG fez algo importante: trouxe o tema para o centro das decisões. Mas também expôs seus próprios limites. Em muitos casos, o ESG foi incorporado como linguagem — não como transformação estrutural. E o mercado percebeu.

Consumidores mais exigentes. Investidores institucionais reavaliando exposição a risco sistêmico. Reguladores endurecendo critérios de divulgação e responsabilização. A pergunta mudou. Não é mais o que a empresa diz. É como ela opera — e se essa operação é consistente, evidenciável e evolutiva.

Greenwashing não é só risco reputacional. Virou risco jurídico, financeiro e estratégico.

REGENERAÇÃO NÃO É IDEALISMO. É ARQUITETURA DE NEGÓCIO

Há uma distinção crítica que líderes precisam internalizar: a sustentabilidade reduz danos. Regeneração redesenha o saldo. 

A lógica não é compensar o que se destrói — é estruturar o modelo para que a operação, em escala, contribua para os sistemas dos quais ela depende.

Isso muda como se cresce, como se produz, como se distribui valor, como se decide. Não é iniciativa de ESG. É redesenho de como o sucesso é medido

As Empresas B são um exemplo concreto desse movimento — não porque sejam perfeitas, mas porque tornaram isso operacional. Critérios objetivos de gestão, governança de múltiplos stakeholders, melhoria contínua auditada. 

A atualização recente dos padrões globais do Sistema B foi clara nessa direção: o impacto não é complemento ao negócio. É parte central dele. Boas práticas não bastam — é preciso demonstrar consistência, governança e evolução ao longo do tempo.

O QUE ESTÁ EM JOGO NÃO É REPUTAÇÃO. É VIABILIDADE

Empresas não operam fora dos sistemas que sustentam seus negócios. Ignorar isso deixou de ser uma escolha estratégica questionável. Passou a ser um risco operacional mensurável.

Solo degradado não alimenta cadeia de suprimentos. Comunidade sem renda não sustenta demanda. Clima desestabilizado não respeita planejamento de longo prazo. 

Capital que ignora essas interdependências não é capital bem alocado. É capital com prazo de validade

O futuro da geração de lucro está nos negócios que entendem que prosperar de forma isolada, às custas dos sistemas que os sustentam, não é vantagem competitiva. É uma aposta contra si mesmo.

A PERGUNTA QUE FICA — E QUE MERECE RESPOSTA HONESTA

Se o seu modelo de negócio fosse replicado em escala global, ele ajudaria a regenerar os sistemas dos quais depende — ou aceleraria sua exaustão?

O futuro não será apenas sustentável. Ele será regenerativo, ou simplesmente não será.

 

Rodrigo Gaspar é marido da Camilla, pai da Rafa e da Gabi, e Co-CEO do Sistema B. Engenheiro formado pela Universidade de Brasília, com especialização em estratégias de impacto social pela Universidade da Pensilvânia, conta com mais de 25 anos de experiência em multinacionais, governo e empreendedorismo. Há mais de cinco anos no Sistema B, atua na expansão e fortalecimento do movimento no país, liderando a implementação dos novos padrões globais de certificação e contribuindo para o crescimento do número de Empresas B no Brasil. Também é facilitador em Comunicação Não Violenta, Teoria U e Disciplina Positiva, e palestrante em eventos abordando temas relacionados à inovação social e negócios de impacto.

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