Que tal fortalecer sua cadeia de fornecedores e ainda ganhar dinheiro com isso? A Bankme cria e opera minibancos para empresas

Marina Audi - 21 set 2021
André Bravo (à esq.) e Thiago Eik, fundadores da Bankme (crédito: divulgação).
Marina Audi - 21 set 2021
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Sustentar o crescimento de um negócio exige, entre outras coisas, uma cadeia de fornecedores financeiramente saudável. 

Agora, imagine que seu fornecedor é uma PME, com uma dificuldade momentânea de fluxo de caixa… Por outro lado, a sua empresa está capitalizada e pronta para apoiar esse parceiro com juros mais amigáveis do que os do mercado.

Até recentemente, uma operação dessas esbarraria em entraves burocráticos e custos proibitivos. Não mais. A Bankme ajuda empresas a abrir e gerenciar seus próprios “minibancos”, capacitados a realizar empréstimos, financiamentos e antecipações de recebíveis para clientes e fornecedores da companhia.

Fundada em 2020, com sede em Londrina (PR), a fintech é pilotada por Thiago Eik, 34, CEO, e André Bravo, 32, COO. Os sócios lideram um time de 30 pessoas, que presta serviços de consultoria, contabilidade, respaldo jurídico e prospecção — tudo por meio de uma plataforma digital. 

A proposta é oferecer uma estrutura própria otimizada de conhecimentos, tecnologia e time de atendimento comercial para que médios empresários consigam montar, dar nome e criar todas as regras da sua empresa de crédito, sem ter que dedicar uma dúzia de pessoas e injetar milhares de reais na iniciativa.

A SOLUÇÃO GERA RECEITA E UMA RENTABILIDADE DE ATÉ 2,2% AO MÊS

Os clientes no target da Bankme são empresas que faturam no mínimo 5 milhões de reais por mês, estão capitalizadas e querem abrir uma vertente de negócios na área financeira — mas aspiram algo mais simples e barato do que um banco tradicional ou um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

Para azeitar essa engrenagem, a fintech oferece uma rentabilidade “considerável”, em torno de 1,2% e 2,2% ao mês, dependendo do valor aplicado. De quebra, o cliente ganha acesso a uma receita adicional, que antes era entregue de bandeja aos bancos tradicionais ou empresas de crédito terceirizadas.

Em março, por exemplo, uma indústria de baterias (que prefere não ter o nome divulgado) montou seu minibanco com a ajuda da Bankme. Três meses depois, o novo negócio apresentava 26 mil reais de lucro líquido e rentabilidade de 1,6%.

“O minibanco rodou numa taxa de 2,3% de juros, que ele mesmo definiu. Se quiser fazer [empréstimo] para um fornecedor a 1% e para outro a 5%, ele faz. Esta é a única opção do mercado que permite uma operação [bancária] em que você toma 100% das decisões”

O target em companhias com faturamento de 5 milhões de reais ou mais se explica pela percepção de que essas empresas teriam capacidade de gerar minibancos com uma movimentação mínima de 200 mil reais por mês — o necessário para o breakeven da operação.

Hoje, há 20 minibancos criados pela Bankme em atividade. Só em julho, eles movimentaram 14 milhões de reais.

A ANTECIPAÇÃO DE RECEBÍVEIS REPRESENTA QUASE A TOTALIDADE DO NEGÓCIO

Historicamente, a antecipação de recebíveis se consolidou no Brasil como solução para ajudar PMEs a superar solavancos econômicos — e representa hoje 98% das operações transacionadas pela Bankme. 

Nesse caso, a operação não traz risco de inadimplência, porque, no fim das contas, a própria empresa que contratou o serviço ou comprou o produto do fornecedor pagaria a conta – o pagador do título que ele antecipa é ele mesmo! Thiago explica:

“Se o nosso cliente, que é o banqueiro, está a fim de beneficiar a cadeia dele, pode levar um juro muito baixo, porque não tem risco — e uma parte muito importante da composição dos juros é o risco da operação”

A solução de minibancos da Bankme não livra o cliente de abrir uma nova empresa, mas demanda a alocação de um único gerente para operá-la. O funcionário interno conduz o negócio de dentro do business, em parceria com a fintech.

ENTRE OS CLIENTES, UMA PLATAFORMA DE CAFÉ E UMA REDE DE CROSSFIT

Thiago elenca exemplos de clientes. Um deles é a Farmly, plataforma que auxilia pequenos produtores de café do Brasil a exportar para a Europa. 

Antes, muitos desses agricultores penavam para encarar o trâmite de 60 dias até receber pela venda. Esse cenário mudou quando a empresa recorreu à Bankme para criar seu minibanco, uma Empresa Simples de Crédito (ESC). Agora, assim que o café é embarcado, o produtor já pode solicitar a antecipação do pagamento. 

“Isso possibilitou que os produtores vendessem o café a um preço mais alto, para fora do país”

Outro exemplo é o Cash Now, minibanco da Cross Experience. Com mais de 170 franquias, a rede de academias de crossfit buscava uma solução financeira para fomentar seus franqueados sem sacrificar a liquidez de caixa por conta de compras de itens da loja e equipamentos. 

Agora, esses pedidos podem ser parcelados no boleto. Além disso, o minibanco estabelece uma categoria de rating para cada franqueado, que serve de guia na hora de abrir ou fechar a torneira de crédito para investimento naquela unidade — que por sua vez pode quitar no ritmo em que o negócio vai se desenvolvendo.

PARA UM FORNECEDOR RECORRENTE, O DINHEIRO CAI NA CONTA EM ATÉ 15 MINUTOS

As interfaces da plataforma da Bankme são separadas em estruturas de servidor diferentes para evitar riscos de perda ou vazamento de dados. 

O banqueiro consegue ver quanto está lucrando no mês, projeção de lucro futuro, a taxa média de juros que foi praticada, as operações que estão em construção — enfim, todo o funil de venda.

O cedente/fornecedor, por sua vez, cria o cadastro depois de operar pela primeira vez com a Bankme. Ele pode selecionar qual operação quer fazer – antecipação, financiamento ou empréstimo – e indicar quantos e quais pagamentos quer antecipar de uma nota emitida em três parcelas, por exemplo. 

Numa terceira interface, o backoffice da Bankme vê as operações solicitadas pelos fornecedores e informa o banqueiro parceiro para que ele confirme e dê o aceite. Em seguida, a fintech dispara o contrato e o pagamento é feito. Thiago afirma:

“Hoje, para um fornecedor recorrente, conseguimos fazer uma operação em 15 minutos, tempo entre chegar a nota e o dinheiro estar na conta dele”

No sistema analógico, esse prazo costuma ser bem mais moroso. Segundo o empreendedor, em uma estrutura convencional simples, uma factoring pequena, leva entre 3 e 4 horas. Em um FIDC, chega a levar um dia e meio.

A ABORDAGEM TELEFÔNICA GARANTE ADESÃO RÁPIDA DOS FORNECEDORES

A tecnologia da fintech pluga-se com o e-CNPJ do banqueiro cliente para puxar da base da Receita Federal as notas fiscais emitidas contra a empresa, imediatamente após a emissão. 

A partir daí, o sistema identifica se esse fornecedor já opera com a Bankme e o direciona para uma trilha sistêmica, em que ele receberá um e-mail avisando que tem títulos para transacionar e já encaminha o contrato para assinatura digital.

Se o fornecedor nunca trabalhou com a Bankme, o sistema o encaminha para outra trilha, com abordagem mais sutil de apresentação da empresa e seus benefícios. 

Neste caso, há uma abordagem telefônica do setor comercial B2C, que mapeia as necessidades desse fornecedor. A estratégia, afirmam os sócios, vem gerando uma adesão rápida (ou imediata) que gira em torno de 20% da cadeia dos clientes.

COMO A BANKME GANHA DINHEIRO (E QUAIS SÃO OS TIPOS DE MINIBANCOS)

O mesmo percentual, 20%, corresponde ao take rate da fintech sobre o faturamento mensal de cada minibanco que ela opera. O cliente ainda paga uma taxa inicial de set up para bancar a abertura da empresa e mensalidades em modelo SaaS. 

Há dois tipos de minibancos, com valores diferentes de mensalidade e set up.

Para quem busca oferecer empréstimo, financiamento e desconto de recebíveis, a Bankme cria e opera uma Empresa Simples de Crédito. O set up e a mensalidade ficam em 2 500 reais; o tempo estimado para estar operando é de 35 dias.

Outra modalidade é a securitizadora, para quem almeja oferecer apenas desconto de recebíveis e trazer outros investidores para a operação. Nesse caso, o set up e a mensalidade sobem para 3 500 reais, e o prazo dobra, chegando a 70 dias.

Não há tempo mínimo de contrato, mas a Bankme cobra uma “sanção” proporcional ao custo investido caso o cliente desista antes do fim do primeiro ano. André afirma:

“Acreditamos que a qualidade do serviço e a rentabilidade que entregamos logo de cara, no começo da operação, são suficientes para garantir que o cliente vai seguir com a gente”

Há um terceiro modelo mais barato (600 reais de mensalidade) para quem quer fazer um test-drive. O cliente entra como um investidor dentro da empresa securitizadora da Bankme, aporta o dinheiro ali e a fintech faz as operações para o fornecedor dele. Nesse caso, por questões tributárias, a rentabilidade é menor. 

“Fazemos o plug com o ERP dele e começamos a operar”, diz André. “Na hora em que fizer sentido [para o cliente], a gente ‘tomba’ a operação para o negócio dele.”

A FINTECH VAI TROCAR O INTERIOR PARANAENSE PELA CAPITAL PAULISTA

Criar um FIDC, a alternativa do mercado à solução da Bankme, pode custar bem mais caro, algo em torno de 200 mil reais, segundo os sócios da fintech. Daí também a confiança da dupla em relação ao futuro do seu negócio.

Os empreendedores se esquivam de divulgar o faturamento, mas revelam que, no ano passado, em apenas três meses de operação, os minibancos criados e operados pela Bankme movimentaram 70 milhões de reais. 

Com mais clientes rodando, a expectativa da Bankme agora é atingir uma movimentação de 480 milhões de reais em 2021 e quadruplicar o número de minibancos em atividade, dos atuais 20 para 80. 

A estratégia para dar esse salto inclui a abertura de um novo endereço. A Bankme vai diminuir sua estrutura em Londrina e abrir um escritório em São Paulo. Recentemente, a capital paulista figurou em quarto lugar num ranking global de fintechs. A expectativa é canalizar o networking paulistano para fazer a startup decolar.

“O foco agora é expandir a operação nos três produtos criados”, diz André. “Vamos saturar isso para, no segundo semestre do ano que vem, entregarmos tecnologia para as estruturas financeiras mais analógicas e começarmos a atender os FIDC já existentes, conferindo mais eficiência e economia de custo na equipe operacional.”

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Bankme
  • O que faz: Fintech que cria e opera minibancos para empresas
  • Sócio(s): André Bravo e Thiago Eik
  • Funcionários: 32
  • Sede: Londrina (PR)
  • Início das atividades: 2020
  • Investimento inicial: Rodada pré-seed de R$ 20 milhões
  • Contato: (43) 3372-9906
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