Vender imóvel está difícil com a Covid-19? A Elephant Skin usa 3D e realidade virtual para ajudar incorporadoras a fechar negócios

Dani Rosolen - 1 jul 2020
André, Henrique (no centro) e Giovana, sócios da Elephant Skin.
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Vender um imóvel vai muito além de contar quantos metros quadrados ele tem, qual a sua localização e preço. É preciso envolver o cliente desde a primeira pesquisa até a visitação (ao vivo ou virtual).

Para atender de forma completa essa demanda de storytelling, a agência visual Elephant Skin, fundada em 2017, se especializou em desenvolver campanhas para o setor imobiliário, de arquitetura e urbanismo. O trabalho vai desde logo e naming até a produção de fotos, vídeos, ilustrações em 3D, animações e realidade virtual.

Nas palavras do arquiteto Henrique Driessen, CEO da empresa: “Transformamos pilhas de páginas e slides chatos em comunicação eficaz e criativa, dando vida à visão do arquiteto e incorporador”. Ele prossegue:

 “As pessoas não sabem o que querem. Imagens materializam o que os potenciais clientes pensam e sentem de forma abstrata. Nosso trabalho é entender o produto, identificar a audiência e conectá-los por meio dos nossos materiais”

A empresa nasceu nos Estados Unidos, mas foi fundada por um brasileiro e, hoje, atende o “mundo todo”, com escritórios em Miami, Nova York, Los Angeles, Vancouver e São Paulo.

Em um momento no qual está complicado sair por aí visitando apartamentos, o serviço de realidade virtual da agência está sendo ainda mais requisitado pelas incorporadoras e construtoras, que não querem perder nenhuma venda.

A MUDANÇA DE PAÍS NÃO FOI TÃO SIMPLES, MAS INSPIROU O NOME DO NEGÓCIO

O arquiteto Henrique é natural de Cascavel (PR), mas em 2015 resolveu se arriscar nos Estados Unidos, onde realizou um mestrado em desenvolvimento imobiliário na NSU (Nova Southeastern University). Junto com ele, embarcou a esposa Giovana Driessen, que também é arquiteta — e a COO da empresa.

“Quando mudamos para os EUA, logo entendemos que as coisas não eram tão simples”, diz Henrique. “Quando você chega aqui, não é ninguém, precisa se provar diariamente. Não importa o quanto você já fez, precisa entender, respirar e começar de novo.”

O casal se estabeleceu em Miami. Enquanto ela trabalhava em um escritório de paisagismo, ele atuava em uma incorporado. Mesmo empregados, nem sempre as coisas eram fáceis.

“Nos incomodávamos muito quando tínhamos dias difíceis, ou as coisas não saíam como planejado, e isso nos deixava para baixo. Até que, um dia, a ex-chefe da Giovana colou um post-it rosa escrito ‘Elephant Skin’ no monitor dela. Disse que era preciso ser mais forte, absorver os problemas e seguir em frente”

Por conta daquele episódio, os dois conheceram a expressão Elephant Skin. O significado, claro, tem a ver com ser resiliente, resistente — firme como a pele de um elefante.

“Temos esse post-it até hoje”, diz Henrique. “Quando estávamos buscando um nome para a empresa, ele se encaixou perfeitamente.”

O PRIMEIRO PROJETO: UM FILME PARA VENDER MIAMI COMO NOVA SEDE DA AMAZON

Dois anos depois da mudança e já mais adaptado ao novo país, Henrique começou a formatar produto imobiliários (projetos a serem desenvolvidos) e criar apresentações para captar investidores.

Em setembro de 2017, o arquiteto teve a ideia de retratar Miami de uma forma diferente.

“Queria mostrar que a cidade era muito além do que apenas um lugar de festas e turismo. Para isso, resolvi criar um filme, entrevistando pessoas locais que moravam, investiam e trabalhavam aqui.”

Henrique chegou a apresentar a proposta para a empresa em que trabalhava, mas a ideia não foi aceita. Ele decidiu tocar o projeto sozinho — e conseguiu marcar uma reunião com a prefeitura.

“Quando comecei a apresentação do projeto, me disseram que, logo antes do nosso papo, tiveram uma reunião interna, pois iriam participar da concorrência para trazer a nova sede da Amazon para Miami — e precisavam desenvolver um filme exatamente com o escopo que eu estava apresentando”

Foi com o filme “The Real Downtown Miami” que a Elephant Skin nasceu. Segundo o empreendedor, o investimento inicial se resumiu a ir atrás desse primeiro projeto, que foi produzido em dez dias.

“Miami não ganhou a concorrência, pois a Amazon optou por Nova York”, diz. “Mas o vídeo foi um sucesso e é usado até hoje pela prefeitura, investidores e incorporadores para apresentar a cidade.”

A cidade pode não ter ganho a concorrência, mas a Elephant Skin ganhava mais um cliente logo na sequência, uma incorporadora atrás de um vídeo semelhante. E a empresa começava assim a dar seus primeiros passos como negócio estruturado.

COMO GERENCIAR PROJETOS E UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E GLOBAL

Além de Henrique e Giovana, André Ceschim faz parte da sociedade. Amigo de infância de Henrique, ele passou a ser o CFO da empresa em 2019 quando se mudou para os Estados Unidos.

“Nós o chamamos para trabalhar na área financeira da empresa e nos ajudar com a estruturação”, diz Henrique. “Em pouco tempo, o André percebeu o potencial que tínhamos e se interessou no processo de expansão para entrar como sócio investidor.”

Hoje, os três são responsáveis por coordenar um time com mais de 30 pessoas com experiência em computação gráfica, ilustrações 3D, design gráfico, produção cinematográfica, brand storytelling e realidade virtual – e de diferentes partes do mundo.

Estar à frente de uma equipe global e remota é um desafio, diz o CEO:

“Trabalhamos para o mundo — e na velocidade do mundo. Com o crescimento acelerado, tivemos que nos adaptar rápido, pensar em formas de gerenciamento efetivo, contratações e captação de talentos — e posso dizer que erramos bastante” 

Mas, claro, é errando que se aprende. “Também fizemos escolhas muito boas”, diz Henrique. “E achamos profissionais excelentes que hoje fazem da Elephant Skin o que ela é hoje.”

AO VIRAR A MADRUGADA TRABALHANDO, ELES “DESCOBRIRAM” O FUSO HORÁRIO

Outro desafio é trabalhar com clientes globais. O empreendedor conta que, em 2019, por exemplo, estava morando em Los Angeles e tinha um cliente brasileiro. 

Durante o processo de atendimento, os colaboradores tiveram que passar uma noite trabalhando para cumprir uma entrega. A respeito desse episódio, Henrique brinca:

“Mandamos o projeto às 6 horas da manhã. Às 6h30 já tínhamos recebido os comentários para revisão, já que no Brasil eram 10h. Assim, ‘descobrimos’ o fuso horário”

Atualmente, essa equipe atende projetos de alto padrão urbanos, comerciais, hoteleiros, de uso misto e até de navios. Ao todo, são 30 em andamento, sendo metade deles no Brasil e a outra metade no exterior, com previsão de faturamento para esse ano de 3 milhões de reais.

COM UM VÍDEO, AJUDARAM A VIABILIZAR UM PROJETO EM MIAMI BEACH

Mas quem são esses clientes? Henrique menciona o Ocean Terrace Streetscape entre os empreendimentos internacionais atendidos pela Elephant Skin. 

“O projeto já havia sido recusado pela comunidade e, portanto, precisávamos conectar a ideia e as pessoas. Criamos um roteiro para fazer com que os desenvolvedores e a comunidade de Miami Beach ‘falassem a mesma língua’” 

A iniciativa optou por criar um espaço público verde em Miami Beach voltado aos pedestres, ao longo de dois quarteirões — o que acabou convencendo a comunidade e evoluindo para uma parceria público-privada com a cidade.

Dentre os principais clientes nacionais, Henrique destaca Embraed, Tegra, Vitacon, Perkins & Will, Setin e You, Inc. Para esse último, o projeto mais recente é o vídeo do empreendimento Oscar by You, localizado na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo.

“Fomos chamados para trabalhar em um filme que saísse do comum, daquilo que o mercado imobiliário estava acostumado a ver”, diz Henrique. “O vídeo rodou pelo Brasil e pelo mundo e virou referência para outras empresas.”

A QUARENTENA MUDOU A FORMA DE SE VISITAR IMÓVEIS (E AUMENTOU A DEMANDA)

A pandemia não afetou diretamente os negócios da Elephant Skin, explica o CEO. Pelo menos não de forma negativa.

“Mantivemos nossos clientes e conseguimos outros. Não demitimos ninguém, muito pelo contrário, contratamos mais colaboradores para ajudar com o aumento da demanda”

O aumento da demanda durante a crise se deve ao fato de que, mais do que nunca, quem busca imóveis nesse momento precisa se basear em fotos e vídeos para realizar suas pesquisas e uma possível visita virtual.

Nesse sentido, a empresa passou a oferecer outro serviço. O LIVE é um sistema de tour virtual que permite ao usuário conhecer o imóvel internamente com realidade virtual.

“O LIVE nasceu de uma necessidade antiga de adaptar o passeio virtual. Ele já era um plano e com a pandemia a necessidade só ficou mais evidente.”

Sem a necessidade de óculos de realidade virtual, apenas com acessando um link pelo celular, tablet ou computador, o cliente consegue passear pelo imóvel e conferir detalhes dos móveis, pintura das paredes e sugestões de design de interiores.

“A ideia é levar o apartamento para fora do stand de vendas e criar a conexão do público com o projeto, usando a mesma qualidade realista das imagens estáticas — mas de forma interativa.”

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Elephant Skin
  • O que faz: Agência visual especializada em desenvolver campanhas para o setor imobiliário, de arquitetura e urbanismo.
  • Sócio(s): André Ceschim, Henrique e Giovana Driessen
  • Funcionários: 33
  • Sede: Miami, Nova York, Los Angeles, Vancouver e São Paulo
  • Início das atividades: 2017
  • Investimento inicial: Não houve
  • Faturamento: R$ 3 milhões (previsão para 2020)
  • Contato: [email protected]
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