Saiba como a TIM pretende reduzir o impacto ambiental da sua operação e neutralizar as emissões de carbono até 2030

Maisa Infante - 18 fev 2021
Mario Girasole, VP da TIM Brasil.
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O ESG (da sigla em inglês para Environmental, Social e Governance) vem se tornando um parâmetro incontornável para que as empresas atuem de forma mais sustentável e responsável. 

Parece ser mesmo um caminho sem volta. Hoje, toda corporação está sujeita ao escrutínio de consultorias e grandes fundos de investimento, que examinam esses parâmetros para entender o que as organizações estão fazendo pela sustentabilidade, pela sociedade e pela governança corporativa.

O tema também entrou já há um tempo na agenda das bolsas de valores. A B3 (antiga Bovespa), por exemplo, possui o IGCT (Índice de Governança Corporativa Trade), o ICO2 (Índice Carbono Eficiente) e o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial). 

As movimentações do mercado, portanto, mostram que já não basta plantar árvores e oferecer projetos sociais. É preciso encontrar soluções na estrutura dos negócios.

A TIM Brasil já faz parte do ISE da B3 há 13 anos. Mais recentemente, em 2018, a companhia estruturou uma área ESG, que atua de forma transversal em conjunto com todos os setores da companhia e sob o guarda-chuva da área regulatória e institucional, que tem Mário Girasole como vice-presidente. 

Mas qual a diferença entre sustentabilidade e ESG? Na visão de Mário:

“Sustentabilidade é um output, ou seja, você tem uma atividade econômica que produz impactos ambientais e sociais negativos e corrige isso com ações de sustentabilidade — é uma fase de correção. No caso do ESG, a grande diferença é o input, que é fazer com que preventivamente as suas atividades sejam definidas por princípios ambientais, sociais e de governança”

Simplificando, não basta correr atrás para mitigar os impactos negativos gerados pela sua empresa. É preciso se antecipar a esses impactos, provocando a corporação a reorientar seus processos na direção de um negócio mais saudável para as pessoas e o planeta.

PARA COMPENSAR O USO, A TIM GERA ENERGIA E DESCARREGA NO SISTEMA NACIONAL

Márcio Lino, diretor de Environmental, Social & Governance da TIM, explica que a área ESG busca soluções de negócios a partir da identificação de um problema (chamado internamente de matriz de materialidade). 

Foi assim que chegaram na autogeração de energia.

Com mais de 54 milhões de clientes e uma infraestrutura que alcança 3 877 cidades, a TIM é uma grande consumidora de energia, necessária para abastecer as antenas que por sua vez geram as ondas de rádio por onde os dados trafegam.

E quanto mais você faz uso do 4G no seu celular para disparar zaps ou navegar pela internet, mais energia as antenas demandam.

“Com o aumento do consumo de dados pelas pessoas, aumenta o nosso consumo de energia — e, consequentemente, o nosso impacto ambiental. Então, criamos um indicador de consumo de energia por tráfego de dados para podermos acompanhar o quanto está crescendo o uso de serviços de telecomunicação e o consumo de energia”

A partir daí surgiu a ideia de gerar energia e devolver para o sistema. O projeto começou em Minas Gerais, há quatro anos, com o arrendamento de quatro usinas hídricas que geram energia e descarregam dentro da rede pública. 

Essa energia compensa o que é consumido pelas antenas. A TIM ampliou o projeto nos últimos anos e, além das usinas hídricas, incluiu centrais de biogás, eólicas e painéis solares dentro dessa autogeração.

Hoje, a empresa opera 34 centrais geradoras, que conseguem retornar ao sistema elétrico 64% da energia consumida na sua operação.

“As premissas ESG não são iguais para todos os setores, cada um tem as suas questões materiais”, diz Mário. “Nós transformamos a energia em sinal, e esse sinal se transforma em comunicação. É por isso que, para nós, energia é um insumo chave a ser gerenciado.”

GRUPOS DE AFINIDADE PROMOVEM DEBATES SOBRE GÊNERO E QUESTÕES RACIAIS

A área de pessoas é outro ponto-chave quando se fala em ESG — o S, afinal, é de Social.

No caso da TIM, esse ainda é um trabalho em andamento. O foco por enquanto está em melhorar os processos para tornar o ambiente mais diverso. 

De acordo com a empresa, o RH está revisando suas políticas de seleção com o objetivo de garantir que as listas finais de candidatos contemplem a diversidade em todos os espectros possíveis. Nas palavras de Mário:

“Precisamos permitir que todos tenham visibilidade e se proponham com seus valores. Depois, a meritocracia tem que fazer o seu curso” 

Para ajudar na construção de um ambiente mais propício à diversidade, foram criados, em 2019, grupos de afinidade, em que colaboradores se reúnem voluntariamente para falar sobre questões como idade, gênero, questões raciais etc.

“Se não criarmos essa cultura, a diversidade e inclusão não saem do discurso. As pessoas precisam se envolver e se engajar”, diz Márcio.

A BUSCA PELA NEUTRALIDADE DE CARBONO

Dentro das ambições ESG da TIM está o plano de se tornar Carbono Neutro em 2030. 

Antes de partir para a compra de créditos de carbono, a empresa resolveu voltar o olhar para dentro. Segundo Mário:

“Ainda não temos uma estratégia de compra de créditos de carbono, porque achamos muito mais desafiador tentar atingir metas fazendo um esforço estrutural até onde for possível. Mas sabemos que chegará um ponto em que será preciso fazer algum tipo de investimento para chegarmos a 100% de neutralidade”

Neutralizar o carbono é um processo complexo porque envolve tanto as emissões diretas quanto indiretas. Exige um esforço conjunto de todas as áreas — incluindo a cadeia de fornecedores e colaboradores terceirizados.

Um exemplo é o projeto de virtualização do data center da empresa, já em curso. Entre os desafios está escolher fornecedores que também trabalhem para ser carbono neutro.

Por mais que a telecomunicação não seja uma operação super poluidora, há questões a serem observadas, como o uso de geradores movidos a diesel como backup, no caso de falha em concessionárias. 

O acionamento desses geradores gera um grande impacto ambiental; a ideia é encontrar formas mais limpas de backup. Uma alternativa é o uso de baterias de nova geração. Porém, neste caso o descarte dessas baterias deve ser levado em conta.

“Quando o assunto é ESG, é como ser pai: você nunca pode dizer que foi o pai que queria ser”, diz Mário. 

Em outras palavras: fica sempre uma sensação de que era possível fazer um pouco mais. 

“Mas é justamente o ‘nunca ser o pai que você queria ser’ que leva você a melhorar continuamente.”

 

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