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O que é possível fazer para incluir e acolher as mães dentro de uma grande empresa?

Cláudia de Castro Lima - 6 maio 2021
Vanessa Aranão e seu filho Dudu: na 3M, programa lançado pelo Fórum de Liderança Feminina e pelo departamento de Serviços Médicos amplia acolhimento e apoio oferecido às gestantes, bebês e filhos adotivos, e aos pais
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Em 2015, a especialista em Comunicação & Marca Vanessa Mendes Aranão andava, como grande parte das mães de primeira viagem, cheia de indagações. “São tantas as coisas que passam pela nossa cabeça”, conta ela. Grávida de um menino, Vanessa não apenas tinha dúvidas sobre sua saúde e a do bebê como questões em relação ao trabalho e à carreira.

“É muito comum que as gestantes tenham medos e vieses a respeito de coisas como: de que forma a notícia será recebida por seus chefes? Ela vai continuar tendo chance de progressão na carreira?”, afirma Vanessa.

“Sabemos que os homens não têm esse tipo de receio – e que, muitas vezes, a mulher nem corre risco na empresa em que trabalha, mas esses questionamentos estão na cabeça dela por causa do que vemos acontecer no mercado.”

O medo, de fato, não é infundado. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostrou, em 2017, que metade das mães que trabalhavam eram demitidas até dois anos após o fim da licença.

Para ampliar o acolhimento e, assim, evitar os medos tão comuns, o Fórum de Liderança Feminina da 3M do Brasil – grupo de afinidade do Comitê de Diversidade & Inclusão do qual Vanessa faz parte – e o departamento de Serviços Médicos criaram, em 2019, um programa com iniciativas voltadas a apoiar gestantes e pais.

Uma delas é a cartilha “Primeiros Passos”, oferecida a toda mãe, pai e grávida que trabalha na empresa – independentemente de sua configuração familiar, seja ela esposa de uma mulher ou homem.

“Ela responde a todas as possíveis dúvidas do maternar”, conta Vanessa. “Em 2015, sem a cartilha, eu tinha que sair perguntando tudo para as grávidas da empresa ou procurar no Google. Era uma daquelas mães de internet”, lembra, divertida.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS E DÚVIDAS TIRADAS NA HORA

A cartilha, repleta de infográficos e com linguagem fácil e fluida, informa desde quando é o momento de comunicar sobre a gravidez para a liderança até sobre os direitos da gestante, como de que forma solicitar a isenção de cobrança da coparticipação de assistência médica ou a vaga exclusiva no estacionamento.

Segundo Vanessa, um dos diferenciais do programa de acolhimento às gestantes é a assistência oferecida por equipes de enfermagem da consultoria Willis Towers Watson. “Há vários canais que ela pode acessar para tirar qualquer dúvida que tenha: telefone, e-mail ou WhatsApp”, diz.

“O objetivo é que toda a complexidade que é o maternar seja transformada em uma jornada mais clara e mais suave.”

Informações como os documentos necessários para a licença-maternidade e paternidade, inclusive para adotantes, e dados úteis para o retorno ao trabalho também constam na cartilha.

“O acolhimento é feito pelo serviço social, que oferece também um kit de boas-vindas para as mamães”, diz Marcela Barbai, analista de Saúde Ocupacional da 3M, referindo-se ao kit de produtos Nexcare, marca de cuidados pessoais da 3M, para as mães e pais, entregue no retorno da licença parental.

A empresa ainda envia para a casa do colaborador, antes do nascimento do bebê ou para pais de bebês adotivos com até 1 ano, o kit Bem-Vindo Bebê, composto por uma bolsa personalizada, brinquedo de pelúcia, babadores, toalha de banho com capuz, cobertor e saquinho impermeável.

Marcela afirma que, na volta da licença-maternidade, as colaboradoras lactantes que trabalham na unidade Sumaré têm à disposição uma sala de lactação. “Ela foi toda reformada no ano passado e conta com poltronas, bombas para extração, kits esterilizados e refrigerador para congelar o leite materno”, diz.

A sala de lactação da unidade de Sumaré da 3M: mães podem extrair e congelar o leite

UM PROGRAMA DIRECIONADO TAMBÉM ÀS LIDERANÇAS

As orientações do programa não são apenas voltadas para gestantes, lactantes e mães e pais. “Elas são para os líderes também”, explica Vanessa. “A liderança deve ser preparada a escutar, acolher e mostrar os caminhos para as grávidas e para as mães.”

Cabe ao gestor, por exemplo, orientar sobre o uso do Flexability, uma opção que as mães têm na 3M para adotar horários flexíveis caso seja necessário.

Dudu, o filho de Vanessa que acaba de completar 5 anos, acorda todos os dias às 8h. “Eu ficava aflita de ter que estar em uma reunião e, ao mesmo tempo, dar a atenção que meu filho precisa quando está despertando”, diz.

Seu gestor indicou, apoiado no Flexability, que Vanessa bloqueasse seu horário das 8h. “Ele está fechado até o fim do ano”, conta ela. “E agora posso esperar o Dudu levantar, dar café da manhã com tranquilidade enquanto conversamos e colocá-lo em suas atividades antes de começar a trabalhar.”

Para Vanessa, o papel da liderança é essencial para que as políticas que estão no papel realmente tenham eficácia. “A 3M trabalha para eliminar as diferenças de gênero”, diz ela.

Com escritórios e fábricas em mais de 70 países e cerca de 55 mil funcionários no mundo todo, a diversidade é um pilar estratégico da empresa para a criação de um ambiente inclusivo, essencial para a inovação.

“As palavras convencem, mas o exemplo arrasta. No último departamento que trabalhei, uma colega grávida foi promovida a gerente. Isso dá confiança para outras mulheres compreenderem que a equidade é cada vez mais uma realidade.”

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