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A pandemia mudou a forma como as pessoas percebem a ciência – e esta é uma boa notícia

Giovanna Riato - 30 out 2020 Ciência - 3M
3M divulga resultados do SOSI, pesquisa anual que mostra que em 2020 as pessoas estão mais propensas a confiar no conhecimento científico.
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O aquecimento global é uma farsa. Vacinas são parte de uma conspiração para causar outras doenças na população. A Terra é plana. Que atire a primeira pedra quem não se deparou com ao menos uma destas notícias falsas relacionadas à ciência nos últimos anos. O acúmulo de desinformação gera aumento da descrença no conhecimento científico, trajetória que felizmente começa a se reverter.

É o que mostra o Índice do Estado da Ciência (SOSI, do inglês State of Science Index). A pesquisa global é promovida pela 3M e realizada pela Ipsos há três anos para mapear a percepção da população em relação ao tema. Nesta última edição, mais de 25 mil pessoas responderam ao estudo em todo o mundo e foi a primeira vez que a pesquisa detectou queda no ceticismo em torno da ciência.

No Brasil, onde o levantamento foi realizado com mais de mil pessoas, a descrença na área caiu de 42% em 2019 para 33% em 2020. Paulo Gandolfi, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da 3M, diz que o movimento é consequência da ampla discussão sobre os caminhos para superar a pandemia de Covid-19:

“Antes, poucas pessoas entendiam as etapas do desenvolvimento de uma vacina, por exemplo. Agora, todos nós acompanhamos muito de perto, inclusive torcendo para dar certo”

O mesmo funciona quando se trata do esforço para conhecer o coronavírus, entender a dinâmica de contágio e as medidas eficientes de proteção. “Ao trabalhar na 3M, uma empresa que tem no desenvolvimento científico um de seus pilares mais fortes, vejo o aumento do interesse de diferentes públicos pelas discussões da área.” Enfim, a ciência voltou ao mainstream – e isso tem ajudado as pessoas a entenderem sua importância.

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?

E se a ciência ganhou os holofotes neste momento, a responsabilidade sobre quais elos da sociedade precisam conduzir os avanços científicos também conquistou espaço. O SOSI apurou que 92% dos brasileiros entendem que o apoio do governo à área é muito importante. Para 31% dos entrevistados no país, o setor privado também precisa participar do financiamento à pesquisa.

“Mesmo que os governos sejam fundamentais para a solução dos problemas da sociedade, as pessoas não esperam que eles abordem todo o desenvolvimento de pesquisas sozinhos”, diz Paulo. Segundo o estudo, 51% dos brasileiros contam com as empresas para trabalhar no preparo para futuras pandemias, surtos e doenças.

Parcela de 47% dos respondentes acreditam que as organizações privadas precisam atuar para criar oportunidades de emprego a grupos minoritários na sociedade. Já 46% avaliam que as corporações devem atuar com o governo para defender políticas que ajudem a resolver desafios globais.

EDUCAÇÃO PARA A CIÊNCIA

Já 45% dos participantes da pesquisa entendem que as empresas devem contribuir para fomentar o acesso à educação de qualidade em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – da sigla em inglês STEM. A formação e a carreira na área são, inclusive, desafios importantes para a ciência, conforme indica o estudo.

Entre os brasileiros, 87% responderam que ter mais pessoas em profissões STEM pode beneficiar o futuro da sociedade. Há, no entanto, a percepção de que falta representatividade nestas profissões: 27% das pessoas citam a baixa diversidade como um dos maiores obstáculos às carreiras na área.

Segundo os participantes do estudo, as pessoas ficariam mais interessadas em investir em carreiras científicas se o ensino destas profissões fosse feito de forma mais envolvente, se houvesse mais investimento em currículos de ciências e que o tema fosse tratado como uma plataforma para tornar o mundo melhor. Além disso, uma compreensão mais clara das possibilidades da carreira científica é outro ponto apontado como importante. Paulo, da 3M, acrescenta:

“Nos últimos anos, o Brasil conseguiu universalizar a educação, mas ainda temos o desafio da qualidade. Por isso, a questão do ensino da ciência está inserida em um contexto maior que é a qualidade da educação de forma mais ampla”

Outro desafio social que é visto como algo que deve ser endereçado pela ciência é a sustentabilidade. Para 51% dos brasileiros, a área precisa atuar no desenvolvimento de soluções para questões como a qualidade do ar e a redução da poluição nos oceanos.

Questões como a conservação de água, redução do desperdício e a diminuição da dependência de combustíveis fósseis também entram na lista de temas em que os brasileiros gostariam que fossem resolvidos pela área. A ciência, enfim, ocupa o lugar certo: longe do ceticismo infundado, focada na solução dos desafios da humanidade.

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