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Como a Be Flexy ajuda as mulheres a equilibrarem o tempo dedicado à família e ao trabalho

Fernanda Cury - 12 jul 2019
“Cerca de 48% das mulheres deixam o mercado de trabalho após a licença maternidade. Vimos que esta é uma questão global e entendemos que aqui havia uma excelente oportunidade atrelado a um grande propósito”, conta Manuela.
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Os caminhos de Flavia Najar Gusmão Pacheco e Manuela Brandão Borges têm vários pontos em comum. Baianas, mudaram-se para São Paulo há mais de 20 anos para estudar e investir nas suas carreiras profissionais. Em São Paulo também conheceram seus maridos, acabaram se casando e tornaram-se mães. E junto com a maternidade veio a angústia, tão comum entre as mulheres, de conseguir conciliar duas frentes tão importantes: a vida com o filho e a carreira.

Dessa dificuldade surgiu a indagação: e se tivéssemos a possibilidade de trabalhar com uma jornada flexível, que permitisse equilibrar o tempo dedicado à família e ao trabalho? Logo elas enxergaram uma oportunidade de negócio e começaram a planejar o que viria a se tornar a Be Flexy, uma plataforma que conecta mulheres a empresas com jornadas de trabalho flexíveis.

Nesta conversa elas contam como tudo começou, os desafios que têm enfrentado, suas estratégias e planos para o futuro.

Como surgiu a ideia de empreender?

Manuela: Eu sempre tive um desejo de empreender e, depois de sair do mundo corporativo, achei que seria um bom momento para por este plano em prática. Me dediquei a entender melhor este ecossistema de startups, participei de diversos eventos no Cubo Itaú, no Google for startups, no Sebrae, entre outros.

Procuramos uma ideia com a qual a gente se identificasse e que tivesse potencial para ser um bom negócio. Percebemos que este problema não era somente da Flávia pois 48% das mulheres deixam o mercado de trabalho após a licença maternidade.

Estudando o tema mais a fundo, constatamos que a diversidade nas empresas é necessária, não só como uma causa social ou inclusão, mas também do ponto de vista de geração de resultado uma vez que as equipes diversas se tornam mais criativas, dinâmicas e complementares. Vimos também que esta é uma questão global. E entendemos que aqui havia uma excelente oportunidade atrelado a um grande propósito.

O que vocês faziam antes?

Flavia: Sou administradora, tenho experiência de 20 anos nas áreas de vendas e marketing no ramo contact center. Atuei em empresas como Atento, Contax e Tel. Fiz MBA na FIA/USP e Insper. Trabalhei na Tel em uma jornada flexível e dessa experiência nasceu a Be Flexy. Hoje trabalho com propósito em uma jornada de 40 horas, mas com horários flexíveis. Acredito que o trabalho é uma fonte de vida e que é possível ser feliz e produtiva integrando vida pessoal e profissional.

Manuela: Sou administradora, atuei por mais de 20 anos nas áreas de vendas, produtos e projetos. Trabalhei em empresas como Ticket, Rede e Dupont com MBA na Insper e FIA/USP. Tive jornada flexível em uma startup de meios de pagamentos. Acredito que a flexibilidade no trabalho traz inúmeros benefícios para a empresa e para o profissional.

Como nasceu a Be Flexy?

Flavia: Sempre gostei muito de trabalhar, ficar 10 horas no escritório não era um problema. Trabalho para mim é vida! Quando tive meu primeiro filho em 2008, percebi que seria bem difícil manter o ritmo. No meu caso, foi ainda mais desafiador: o João Pedro nasceu com alguns problemas de saúde e eu tinha uma demanda grande de consultas médicas, exames e outros. Felizmente, tive líderes muito compreensivos, que me apoiaram nesta jornada. Com um pouco de flexibilidade, consegui conciliar essas duas frentes tão importantes para mim: minha vida com meu filho e minha carreira.

Em 2011, nasceu a Clarinha e, com ela, uma demanda adicional de tempo. Para completar, em 2012, o João Pedro passou por uma cirurgia importante. Tentei conciliar as frentes por mais um ano e meio, mas, em 2014, percebi que não dava mais e decidi sair do mundo corporativo. O Pepê precisava de mais apoio para o seu melhor desenvolvimento e tínhamos de buscar programas complementares. Depois disso, vivi 18 meses de dedicação exclusiva à família e ao tratamento dele. Foi um período importante e muito bem aproveitado.

Em meados de 2015, constatei que retomar a minha carreira era importante para mim e achei que era hora de buscar um novo caminho. Neste período, recebi três propostas excelentes, no modelo tradicional. Foi quando o dono de uma quarta empresa entrou em contato. Conversamos e fechamos um esquema de 25 horas por semana, pelo tempo que eu precisasse. Para ser vantajoso para a empresa, troquei dinheiro por tempo! Então, aceitei abrir mão de ter um carro e de um percentual do meu salário. Também aceitei um contrato de prestação de serviços.

Nesta empresa assumi a diretoria Comercial. Rapidamente percebi que eu poderia adotar alguns novos hábitos e me tornar mais produtiva. Construir uma relação de confiança com a equipe foi primordial, assim como fazer um acordo de expectativas com os sócios. Fiquei lá por 18 meses, quando recebi uma proposta de uma empresa líder de mercado na qual eu já havia trabalhado. Achei que seria possível voltar a um ritmo mais acelerado e aceitei.

Foi uma experiência muito rica, mas, ao mesmo tempo, exigiu uma dedicação praticamente exclusiva. Me sentia com as famosas “algemas de ouro”, ou seja, engajada nos desafios e benefícios da empresa, mas sem conseguir integrar a minha vida pessoal. Sem perceber, acabei me afastando da minha família e isso não era o que eu queria. E aí surgiu a ideia da Be Flexy.

Expliquem-nos como funciona o negócio?

Manuela: Somos a primeira plataforma no Brasil que conecta mulheres às empresas com jornadas de trabalho flexíveis. Atuamos com soluções específicas para a empresa, como divulgação de vagas, recrutamento de candidatos, workshops de sensibilização e consultoria para implantação desse modelo. Consideramos quatro tipos de jornadas de trabalho flexíveis: horários flexíveis, home office, trabalho remoto e jornada de tempo parcial (part time). Em novembro de 2017, a Nova Reforma Trabalhista regulamentou esses modelos, o que foi muito incentivador!

As principais vantagens para a empresa que possui jornadas flexíveis são a redução de custo, aumento de produtividade, aumento de satisfação e engajamento da equipe e incentivo à diversidade, além de promover um impacto positivo na sociedade, através da geração de novos empregos, melhoria da mobilidade e proporcionar mais “vida” ao tempo das pessoas.

Temos também uma abordagem direta para as candidatas, como o cadastro gratuito na plataforma da Be Flexy, realização de cursos e workshops relacionados a jornadas flexíveis, além de promover conteúdos com diversos temas e cases nas nossas redes sociais.

Por fim, nossos diferenciais são o fato de sermos pioneiras nesta abordagem e 100% focadas em oportunidades flexíveis. Construímos uma comunidade com profissionais que querem trabalhar com mais qualidade de vida e se identificam com o nosso propósito. Ofertamos às empresas um leque maior de opções na hora da contratação, além de mentorias jurídicas e de consultoria de como implantar modelos de gestão flexíveis.

Como é a atuação de cada uma na empresa? 

Flavia: Somos uma equipe bastante enxuta. Optamos por estabelecer lideres por área, mas trabalhando com um único time. Então Manuela é responsável pelas áreas de TI, Marketing e Produtos. Eu fico com as áreas financeira, relação com investidores, jurídica e comercial. E nos dividimos na operação em si.

Na opinião de vocês, quais os cuidados necessários para estabelecer uma boa relação em sociedade?

Manuela: Somos duas sócias à frente da Be Flexy. E uma terceira como investidora. Acredito que em primeiro lugar deve-se primar por ter uma relação de confiança, seguido de um alinhamento de objetivos e rumo da empresa. Também é importante ter combinados claros, para não haver desgastes desnecessários. Aprendemos com essa experiência que é primordial compartilhar ônus e bônus e principalmente trabalhar em time.

Quais estratégias têm dado melhor resultado nesta trajetória?

Flavia: Para nós, o que mais tem dado certo é a divulgação de cases de sucesso, como por exemplo da Marisa, que deixou um emprego convencional de 9 anos em uma multinacional para ter uma jornada flexível divulgada pela Be Flexy. Também temos o depoimento do Rafael, CTO da Coopark, que ficou muito feliz em contratar 2 profissionais de TI, através da plataforma da Be Flexy. Além disto, a participação em programas de aceleração e mentorias nos ajudaram bastante, como por exemplo, B2Mamy, SPstars, Concurso Fiesp, Startup Zone no Google for Startups.

Por outro lado, quais caminhos foram deixados de lado?  

Manuela: Logo no início da Be Flexy, recebemos uma proposta para licenciar a empresa em outros estados. Dedicamos um bom tempo avaliando esta oportunidade, mas por fim, entendemos que seria prematuro e deixamos este plano para o futuro.

Vocês são pioneiras nesse segmento ou têm concorrentes?

Flavia: Somos pioneiras. Nosso diferencial é o foco em jornadas flexíveis e em profissionais que buscam este tipo de jornada. Estamos construindo uma base de dados somente com profissionais que querem trabalhar com flexibilidade e este é um diferencial importante.  Além disto, temos pacotes de serviços bastante atrativos, com preços acessíveis e nível de atendimento diferenciado.

Na opinião de vocês, o que o empreendedorismo feminino tem de diferente? 

Manuela: O empreendedorismo feminino incentiva o protagonismo das mulheres, à medida que abre espaço para que elas se empoderem de todo o seu potencial realizador e inspirador. Há pesquisas que indicam que as mulheres empreendedoras tendem a investir mais na educação de suas famílias e possibilitam com isso que mais pessoas cresçam, contribuindo desta forma com uma sociedade mais progressa. Também a dados que demonstram que empresas lideradas por mulheres são mais rentáveis e geram mais receita.

Qual o maior objetivo de vocês?  

Flavia: Nosso maior objetivo é construir uma empresa global, escalável, com inteligência artificial, focada em conectar profissionais às jornadas de trabalho flexíveis. Queremos ser capazes de transformar, de forma positiva, a vida das pessoas, das empresas e as relações de trabalho na sociedade. Queremos ser referência neste tema e poder ajudar muitas pessoas e empresas, através da disseminação de cases de sucesso, de cases de produtividade, engajamento e de realização profissional.

Qual foi o maior desafio que enfrentaram na vida empreendedora? Como superaram?  

Manuela: No início estimamos que seriam 6 meses de planejamento e estruturação da empresa até nos lançarmos no mercado, mas, na prática, levamos um ano. Este atraso nos trouxe algumas preocupações financeiras. Tivemos que repensar nosso modelo de negócio e buscar outras alternativas para gerar uma receita adicional e recorrente de forma a nos possibilitar a seguir com nosso plano.

Qual a maior conquista até aqui? 

Flavia: Sem dúvida são os cases de sucesso que tivemos! São nossos clientes!  A vida de profissionais que conseguimos transformar e empresas que ficaram satisfeitas com todo o processo. Além disto, conseguimos engajar muitas profissionais formando uma comunidade Be Flexy, que acredita e apoia a nossa proposta.

Qual é o sonho de vocês? O que ainda falta realizar?

Manuela: Transformar de forma positiva a vida das pessoas e das empresas, à medida que oferecemos opções de jornadas flexíveis através das quais a profissional terá um dos seus maiores ativos, que é o tempo, sendo aproveitado com mais vida, integrando todas as suas demandas de forma mais equilibrada. E as empresas, transformando a relação de trabalho com mais produtividade, flexibilidade e propósito, poderão contar com times mais diversos, engajados, colaborativos e criativos. Falta muita coisa! Queremos ter mais cases de sucesso e escalar a nossa plataforma, para que esta passe a fazer parte do cotidiano das pessoas e das empresas.

Se pudessem voltar no tempo e refazer uma decisão, corrigir algum momento da trajetória à frente da Be Flexy, o que seria?

Flavia: Como falamos anteriormente, nós subestimamos o tempo de planejamento. Pensamos ser possível o lançamento da empresa em 6 meses, mas na prática, levou mais tempo. Se pudéssemos voltar no tempo, dedicaríamos mais esforço e foco para planejar o nosso go to Market.

Qual conselho você dão para quem está querendo empreender?

Manuela: Faça um bom planejamento financeiro. É importante combinar com a família do risco que implica a decisão de abrir um negócio, ter uma reserva financeira e cuidar para ter um bom equilíbrio emocional.

Quais seus planos para o futuro?

Flavia: Esperamos que o nosso sonho se realize! Sonho em ver a nossa plataforma fazendo parte da vida das pessoas, em todo o mundo, com muitas oportunidades flexíveis, gerando novos empregos e proporcionando mais vida e propósito ao tempo das pessoas!

 

Para saber mais:

Be Flexy

Depoimentos: Be Flexy / Cliente / Empresa / Candidata contratada

O que faz: Plataforma que conecta mulheres a empresas com jornadas de trabalho flexíveis.

Sócios: Manuela Brandão Borges e Flavia Najar Gusmão

Funcionários: 3

Sede: Morumbi – SP.

Início das atividades: Dezembro de 2017.

Investimento inicial: R$ 50 mil.

 

Esta matéria pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

 

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