Como a SambaPix fez do excesso de fotos que colocamos nas redes sociais uma oportunidade de negócios

Alessandra Braz - 9 nov 2015
Thais Ribas hoje é a única gestora da empresa, que já teve sócios mas preferiu seguir sozinha.
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A primavera chegou e com ela cerca de 10 graus a mais nas temperaturas em São Paulo. Foi numa dessas tardes quentes que encontrei Thais Machado Ribas, gestora da SambaPix, empresa especializada em imprimir fotos de maneira divertida — fazendo delas novos produtos, como quadros e ímãs de geladeira. Com 34 anos, Thais tem um curso técnico em Publicidade e Marketing, uma graduação em Propaganda e Marketing e pós-graduação em Administração. Além disso, é mãe de duas meninas e tem um relacionamento de 11 anos. Mesmo cumprindo uma carga horária tão grande quanto antes, quando trabalhava numa seguradora, ela conta que sua qualidade de vida mudou profundamente.

“A diferença entre o que eu tinha e o que vivo hoje talvez seja o prazer em falar do assunto. Como empreendedora, me aprofundo muito mais nos assuntos, estudo muito, porque é algo que na verdade eu quero fazer, não é uma coisa imposta. Hoje consigo fazer meus horários. Se preciso trabalhar em casa um dia, não sou julgada por isso. O fato de estar em casa me faz render igual ou até um pouco mais do que se estivesse no escritório e o tempo com as minhas filhas também é muito melhor”, conta Thais.

Foi o marido de Thais, Marco Ribas, quem fundou a empresa, no dia 12 de junho de 2012. Para isso, os dois investiram as economias que tinham acumulado desde o casamento, em 2006, e Marco saiu do mercado de trabalho para apostar na empresa. Depois, vieram mais dois sócios que o ajudaram a transformar a paixão em negócio. Hoje em dia, o SambaPix vende oito produtos diferentes para impressão das fotos, que podem vir tanto do Facebook como do Instagram dos clientes. O mais procurado de todos é o vintage, no qual a foto impressa imita as antigas Polaroids. Doze impressões custam 32,90 reais.

Também é possível escolher outros produtos, como a cartela de ímas de geladeira com nove fotos, que sai 24,90 reais; o pôster, que 189,90 reais; o Canvas (que é a impressão 30 cm x 30 cm) e custa 99,99 reais; o Canvas Panorama, que imprime fotos no formato 45 cm x 30 cm e custa 131,90 reais; o Wall Square, que já traz a foto num emoldurada no tamanho 20 cm x 20 cm e pronta para pendurar e sai 49,90. Por fim, o formato Square, 10 cm x 10 cm, que é a melhor opção para transformar fotos do Instagram em quadrinhos: dez deles custam 21,90 reais. Em média, a SambaPix recebe mil pedidos por mês.

A SambaPix amplia as fotos de modo que se pareçam com uma Polaroid: um dos produtos mais vendidos.

A SambaPix amplia as fotos de modo que se pareçam com uma Polaroid: um dos produtos mais vendidos.

As impressões são feitas com uma empresa parceira e o prazo para o recebimento dos pedidos é de cerca de dez dias úteis. Três para a produção e mais sete, que é prazo que os Correios dão para a entrega.

Thais conta que alguns pedidos também já vieram de fora do país. Uma vez uma moça surpreendeu o namorado no Dias dos Namorados enviando fotos da SambaPix para ele. Ela estava na Califórnia (EUA) e ele no Brasil.

Apesar de estar sozinha à frente da operação, ela conta que a ideia da empresa é do marido e não dela. “Ele montou a empresa depois de pesquisar nichos de mercado, buscando coisas diferentes do que se tinha na época. Era 2012 e o Instagram estava começando a pegar”, diz. Foi no sucesso do aplicativo que Marco enxergou a oportunidade. “Ele gosta muito de fotografia e vem do mercado de tecnologia, então viu a possibilidade de capturar imagens dessa rede social e do Facebook, que na época já estava bombando, para fazer produtos diferentes e tudo mais”, conta.

UMA EMPREENDEDORA POR ACASO

Thais caiu nesse samba meio que por acaso. Quando o marido lançou a empresa, era com ela que ele conversava sobre planos, vitórias e dúvidas a respeito do novo negócio. Ela conta que sempre dava “pitacos” e apoiava Marco: “A gente decidia as coisas juntos, então, mesmo eu não estando na empresa, participava bastante”. Depois, foi a vez dele apoiar a esposa. Quando ela ficou grávida da primeira filha do casal, hoje com três anos, Thais decidiu parar de trabalhar na seguradora para se dedicar à criança. Logo depois viria a segunda gravidez, da segunda filha, que hoje está com um ano.

Quando fez a primeira pausa, Thais ouviu muitas críticas, até mesmo de familiares, mas não se abalou. Ela queria ser 100% mãe, e assim o fez… Até as coisas mudarem novamente. Quando o marido resolveu deixar a SambaPix, para voltar ao mercado de trabalho, Thais também estava querendo fazer o mesmo. No entanto, ela acreditava que sua recolocação seria mais difícil e, por isso, a escolha natural foi que ela ficasse à frente do negócio familiar. “Eu me senti recebendo uma proposta de emprego mesmo e me senti muito lisonjeada pelo convite”, conta. A confiança uniu o casal. Agora ele é o conselheiro da SambaPix, papel desempenhado antes por ela.

Nesses três anos de operação, o grande desafio da SambaPix foi encontrar pessoas que estivessem em sintonia com a empresa. Eles tiveram dois sócios, mas ninguém ficou. É Thais quem comanda tudo neste momento, mas ela está à procura de alguém para dividir as responsabilidades. Segundo ela, a empresa ganhou tamanho muito rápido no começo, mas o caminho para o crescimento foi atrapalhado pelo “bate cabeça” entre os sócios. “O grande desafio foi a gestão. Nossa configuração de sócios mudou e isso atrapalhou um pouquinho. Às vezes uma decisão dependia de um dos sócios, acabava demorando, e a gente ia retardando um pouco os planos”, diz. Para Thais, ficou visível que quando trabalhar em direções diferentes atrasou o crescimento da empresa.

“A gestão foi nosso principal desafio. Sociedade é um casamento. Nem sempre você vai concordar, mas vocês precisam estar remando para o mesmo rumo”

O aporte de capital inicial para que o negócio andasse veio justamente desses sócios, que não estão mais no board. Thais conta que o ajuste contratual atrapalhou mas, ao mesmo tempo, foi o que ajudou a abrir a empresa. Além da pesquisa de mercado feita por Marco, antes de abrir formalmente a SambaPix, eles conversaram com amigos e pessoas próximas em busca de sugestões de uma empresa para ajudar na parte burocrática — documentação, pagamento de impostos, orientação com os funcionários, contabilidade etc. O plano era minimizar certos riscos. “O importante é ter a noção de onde você está pisando, não ter a insegurança de se jogar e fazer, porque o medo atrapalha muito. Hoje, mais do que nunca, eu diria isso: se quiser se arriscar, arrisque mesmo, porque vale a pena. Faça! Mas conheça, estude o que está fazendo, para não dar um tiro no pé ou um passo maior que a perna”, diz ela.

A SambaPix entrega cerca de 1 000 pedidos por mês, pelo correio, para todo o Brasil.

A SambaPix entrega cerca de 1 000 pedidos por mês, pelo correio, para todo o Brasil.

A sede da empresa fica na avenida Angélica, em São Paulo. Lá, quatro pessoas trabalham com Thais essencialmente no atendimento ao cliente. A sala também serve para organizar a distribuição do material. Se o cliente quiser, ele também pode optar por buscar a impressão direto no local. Thais conta que abriu essa possibilidade porque muitas vezes a pessoa tem pressa e não quer esperar o envio pelo correio.

Além de ter nascido para tornar físicas as fotos das redes sociais, a SambaPix também tem uma preocupação real com o meio ambiente. Eles trabalham com papel reciclado nas embalagens, usam apenas papel de reflorestamento para impressão das fotos e ainda operam com uma impressora especial que utiliza tinta à base de água e não gera descartes químicos no meio ambiente — diferente do que é feito normalmente no mercado fotográfico brasileiro.

“Essa consciência do nosso impacto, não apenas ambiental, vem de antes, do que a SambaPix quer ser. A gente trabalha com a proximidade com o cliente, buscamos sempre colocar o cliente em primeiro lugar. A gente se coloca muito no lugar do cliente, não deixamos nunca ninguém sem resposta. A gente não preza somente a venda em si, sabe? Existe um propósito e uma vontade de ajudar as pessoas a serem felizes. A gente compra os problemas deles. Se um cliente está desesperado porque tem uma festa e precisa imprimir uma tonelada de fotos, a gente se desdobra para dar diversas opções de solução. A gente bota no colo mesmo. Não daria para gente ser politicamente correto nas embalagens e insensível do outro lado”, diz Thais.

Essa preocupação tem se revelado em depoimentos fofos de clientes satisfeitos, que entram no perfil no Facebook da empresa para deixar comentários elogiosos, que Thais valoriza pessoalmente. Ela mesma explica o motivo: “A fotografia é emoção pura, na veia. Ninguém imprime uma foto para ter más recordações. Então a questão do prazo, por nós dependermos de um terceiro, às vezes se torna um probleminha sim. Mas como trabalhamos com isso, nós entramos em contato com os clientes para avisar sobre qualquer imprevisto”.

O universo das fotografias como recordação dos melhores momentos da vida ainda inspira Thais, que pensa em, no futuro, trazer novos produtos para a empresa, além de passar a vender acessórios para as fotos, como porta-retratos. Thais já percebeu que o empreendedor está sempre olhando para frente, que pode dar samba.

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  • Nome: SambaPix
  • Solução: Transformar fotos em quadros, imãs de geladeira e outros produtos
  • Proprietários: Thais Machado Ribas e Marco Ribas
  • Funcionários: 4
  • Sede: São Paulo
  • Fundada: 2012
  • Investimento inicial: economias de 6 anos do casal
  • Receita: NI
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