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De funcionária a empreendedora: como se preparar para essa transição?

Helaine Martins - 28 out 2019
“A ideia de uma vida nova é realmente empolgante e deixar tudo para trás pode ser uma tentação. No entanto, tenha calma”, alerta Sandra Machado, especialista em inovação e empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Helaine Martins - 28 out 2019
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Crédito imagem: Unsplash

 

O número de empreendedores no Brasil só cresce a cada ano. Segundo pesquisa realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor), o país chegou a 38% na Taxa de Empreendedorismo Total (TTE), ou seja, em cada cinco brasileiros adultos, dois são novos empreendedores ou donos de negócios já estabelecidos. Isso significa que, em média, 52 milhões de brasileiros possuem um negócio próprio. Os motivos são os mais diversos: muitos têm a necessidade de uma outra fonte de renda ou não conseguem uma vaga no mercado de trabalho, mas há, também, quem deseje independência financeira, quem busque mais qualidade de vida, ter mais controle do seu próprio tempo ou ficar mais perto dos filhos, por exemplo. Nestes casos, é cada vez mais comum encontrar quem deixou de vez o emprego formal para se dedicar ao seu próprio negócio.

Fazer essa transição de carreira, no entanto, não é fácil. Mergulhar no empreendedorismo depois de construir uma carreira no ambiente corporativo exige coragem, cautela e planejamento, como fez a Tainan Basile, que trabalhou por dez anos na área de Tecnologia da Informação. Formada em Análise de Sistemas e pós-graduada em Administração de Empresas, ela passou por grandes empresas e consultorias, chegando a ocupar cargos de coordenação, e alcançou a sonhada estabilidade financeira. Mas, apesar disso, nos últimos anos não estava feliz e começou a vislumbrar um futuro como empreendedora. Tirou férias, trocou de empresa e, ainda assim, a vontade de empreender persistia. “Sentia que faltava alguma coisa. Eu estava sempre muito cansada e descontente”, conta. “Foi quando lembrei de algo que gostava muito desde a infância: a fotografia”.

No início de 2010, Tainan se matriculou em um curso na área, enquanto, paralelamente, ainda trabalhava em uma consultoria. Além de estudar, se planejou financeiramente e, um ano depois, em janeiro de 2011, comprou os primeiros equipamentos, alugou uma sala comercial e montou o estúdio Tainan Basile Fotografia. Por três meses, fez dupla jornada até se sentir pronta para pedir demissão e se dedicar completamente ao próprio negócio. Hoje, Tainan é fotógrafa especializada no mundo da maternidade, atuando principalmente com recém-nascidos, gestantes e bebês de até 1 ano de idade.

Se, assim como a Tainan, você deseja fazer a transição de carreira de CLT para a abertura do próprio negócio, confira as dicas da especialista em inovação e empreendedorismo Sandra Machado, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e saiba o que considerar no período de mudança:

1 – Não chute o balde

A ideia de uma vida nova é realmente empolgante e deixar tudo para trás pode ser uma tentação. No entanto, tenha calma. Não largue o seu emprego formal, sua carteira assinada, se ainda não tiver estruturado seu negócio. Como diz o ditado, não troque o certo pelo duvidoso. Pelo contrário: aproveite a sua fonte de renda atual para impulsionar o seu empreendimento. Se você ainda não se sente segura o suficiente para se dedicar exclusivamente ao negócio, encare-o, inicialmente, como uma renda extra. Assim, mais despreocupada, é possível realizar pesquisas e se planejar de forma apropriada.

2 – Prepare-se financeiramente

Nessa fase de transição, e importante já pensar no planejamento financeiro da empresa, mas é ainda mais fundamental ter o equilíbrio das finanças pessoais para não comprometer os rendimentos iniciais do seu negócio. Para isso:

a) Faça um acompanhamento de receitas e despesas, de preferência diariamente, usando uma planilha ou aplicativo de finanças pessoais.

b) Separe suas despesas em fixas e variáveis, para ajuda a analisar quais despesas são supérfluas e podem ser reduzidas.

c) Tenha uma reserva de emergência porque imprevistos sempre acontecem.

d) Mantenha sua conta de pessoa física separada da conta de pessoa jurídica. Não misture contas pessoais com contas da empresa ou, logo você perderá o controle sobre suas finanças.

3 – Aprenda a gerenciar seu tempo

A rotina de quem é funcionária em uma empresa é de horário fixo para entrar e sair, certo? Isso facilita a gestão do tempo de trabalho na empresa. Mas e quando você se torna dona do próprio negócio? Mais que isso: como fazer quando você é funcionária e empreendedora ao mesmo tempo? O desafio é, sem dúvida, ainda maior, mas é possível vencer com disciplina e organização. Faça um planejamento diário de tudo o que você precisa fazer, escreva as tarefas na sua agenda, no bloco de notas do celular ou em um aplicativo de organização. Depois, destaque as tarefas prioritárias, para começar por elas. O ideal é que essa lista do dia seguinte seja feita sempre ao final do expediente. Uma boa forma de complementar, é fazer um planejamento a médio prazo, de pelo menos três meses, para pensar o negócio mais estrategicamente. Além de aumentar sua qualidade de vida, é a garantia de aproveitamento eficaz do tempo.

4 – Estude

A falta de qualificação é um dos três grandes motivos que levam ao fechamento de negócios no Brasil. No período de transição se preparar é muito importante, afinal, tudo ainda é muito novo. A constante qualificação é essencial para o crescimento e o desenvolvimento do seu negócio. Por isso, invista regularmente em capacitação, cursos e treinamentos para desenvolver ou aprimorar habilidades que você precisa dominar quando é dona do próprio negócio, como liderança, comunicação, capacidade de inovação e gestão de pessoas, por exemplo.

5 – Busque apoio profissional

O Sebrae é a principal entidade que pode auxiliar em diversos assuntos relacionados ao seu negócio, como a abertura e formalização; oferta de cursos, palestras, workshops e feiras; fornecimento de informações mercadológicas, estratégicas e orientação empresarial; e orientação de tipos de crédito e o melhor local onde o empreendedor terá acesso ao capital. Há, ainda, entidades como a Rede de Mulheres Empreendedoras (RME), que presta serviços de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil, com o propósito de empoderar empreendedoras economicamente, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas. Você pode contar, ainda, com mentorias especializadas que poderão orientá-la sobre os próximos passos nessa caminhada rumo ao seu próprio negócio.

Na Plataforma Itaú Mulher Empreendedora você também pode acessar vários conteúdos úteis, que irão ajudá-la a fazer as melhores escolhas:

Dá para abrir um negócio sem ter muito dinheiro?

O que você precisa saber antes de abrir um e-commerce

Você sonha em ter o seu próprio negócio e pensa em ter uma franquia? Veja por onde começar

Formalização oferece segurança para quem empreende

 

Esta matéria  pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

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