Draft, 6 meses: carta aos inovadores corporativos

Adriano Silva - 2 mar 2015 Viva os Inovadores Corporativos, que constroem a ponte (não raro às custas de muito desgaste pessoal) entre a economia industrial, tradicional, e a nova economia, pós-industrial, digital. Esse é um trabalho santo.
Viva os Inovadores Corporativos, que constroem a ponte (não raro às custas de muito desgaste pessoal) entre a economia industrial, tradicional, e a nova economia, pós-industrial, digital. Esse é um trabalho santo.
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O Draft acaba de completar 6 meses.

Nosso primeiro post é de 29 de agosto de 2014.

Nos últimos 30 dias, tivemos 226 mil usuários únicos. Desde que estreamos, já tivemos 646 mil UVs em nossas páginas.

50,5% deles são homens. E 48,37% têm entre 25 e 34 anos. (17,18% têm entre 18 e 24 e 12,46%, entre 35 e 44.)

95% dos usuários são brasileiros. Nossos demais leitores, pela ordem, vêm de Estados Unidos, Índia, Portugal e China.

56,7% deles navegam com Chrome. Seguidos de 23% que usam Safari.

44,7% leem o Draft no desktop. E, num empate técnico, outros 44,4% nos leem no smartphone. O resto prefere o tablet.

Gostaria de agradecer a todos que nos acessaram, leram, curtiram, comentaram, compartilharam e recomendaram até aqui.

Gostaria de agradecer a todos que nos escreveram sugerindo pautas, elogiando, fazendo sugestões e críticas.

Só cumpriremos a nossa missão – contar bem as histórias de quem está fazendo para inspirar e instrumentalizar outras pessoas a fazer também – com a atuação da comunidade de game changers brasileiros.

E gostaria de agradecer a Natura, pelo apoio desde o primeiro minuto, e a HP, a Intel e a Tecnisa, também nossos primeiros clientes.

Mas gostaria, hoje, de me dirigir aos inovadores corporativos – a face menos visível, embora seja uma das mais importantes, do ecossistema da inovação no Brasil.

Eis o ponto: não é preciso abandonar o emprego para inovar. Não é preciso virar um empreendedor para se tornar um maker. Não é preciso usar camisas xadrez, raspar o cabelo e deixar crescer a barba para adotar uma postura hacker e uma visão hacker sobre os negócios que administra ou sobre sua própria carreira.

É possível ser disruptivo dentro de uma grande corporação. É possível, como executivo, ser um transformador, um agente de mudanças, um desafiador dos velhos paradigmas estabelecidos. Não é preciso abrir mão do carro na garagem, do celular da firma e do holerite todo dia 5 e dia 20 para ajudar a inventar o futuro.

Não é só num espaço de coworking que a economia criativa acontece. A gente, aqui no Draft, se deu conta disso logo cedo. E abrimos uma tag específica – Corp Innovation – para cobrir a jornada dos inovadores corporativos. Inovar numa startup é desafiador e, por vezes, heróico. Inovar dentro de uma grande corporação também. Estão aí os cases de Whirlpool, Heineken, Mondeléz, Natura, Fiat (entre alguns que já contamos e outros tantos que ainda vamos contar) que não nos deixam mentir.

Você, que é um inovador corporativo, saiba disso: seu papel é fundamental para o ecossistema do empreendimento criativo e do empreendimento social no Brasil.

Você é o cara que primeiro confiou nos primeiros makers a surgirem por estas bandas. Você é o cara que ofereceu a primeira conta à Cubo.cc, o cara que contratou a primeira pesquisa da BOX 1824, o cara que encomendou a primeira caixa da Inesplorato, o cara que primeiro sentou para conversar sobre busca de propósito com a turma da Mandalah, o cara que contratou o primeiro curso da Perestroika.

Você é o cara, ou a cara, que mantem um programa permanente de cocriação na Natura, que produz um hackathon no Itaú, que está trazendo a Fiat para o protagonismo da discussão sobre mobilidade urbana no país, que engendrou na Samsung um manifesto sobre tecnologia, que implantou um demo day mensal na Tecnisa.

Você constroi a ponte (não raro às custas de muito desgaste pessoal) entre a economia industrial, tradicional, e a nova economia, pós-industrial, digital. Você é o cara que traz para dentro da firma conceitos como design thinking, trabalho colaborativo, lean startup, wisdom of the crowd, inovação disruptiva, design de experiências. Você faz essa tradução. Você conecta essa pontas. Você promove essa colisão criativa.

Você é o cara que, internamente, chama a atenção da turma, que está totalmente focada no que a empresa está vendendo hoje, para aquilo que as pessoas vão querer comprar amanhã.

Você trabalha no establishment, para o establishment, e no entanto você luta contra a poeira e a inércia do establishment. Empresas são estabelecimentos. Por isso operam inercialmente pelo que está estabelecido. Empresas são paradigmas que deram certo um dia – e portanto são avessas à ideia de bulir com o sucesso que obtiveram e que tentam conservar a todo custo. Por isso elas são entes conservadores. Por isso elas deixam de buscar novos paradigmas – e se dedicam perigosamente a repetir até a morte (às vezes literalmente) os modelos que deram certo no passado.

Você, no entanto, crê no novo. Acha que sempre dá para fazer melhor. Que a mudança é constante, que a tradição conta cada vez menos – e que nutrir uma mente aberta, alerta, voltada para o futuro, conta cada vez mais. Você tem a certeza de que se a corporação não reinventar o seu negócio, alguém o reinventará por ela.

Você opera adiante do seu tempo, está sempre empurrando adiante, tendo de convencer, catequizar, evangelizar. Isso tem seu preço. Isso cansa. Faz você muitas vezes pensar em desistir. Ou sair da corporação. Ou então se acomodar ali, raspar o fio da própria lâmina, se tornar mais confortável aos outros, e seguir com a manada, para onde quer que ela vá

Sua posição não é fácil. Mas é santa. A incompreensão que lhe fustiga é fruto, às vezes, de pura ignorância. E é fruto, às vezes, da defesa de interesses que estão, outra vez, estabelecidos. Você é o cara que prega no deserto. O cara que nada contra a maré. O cara que levanta a mão para dizer que o rei está nu. O desbravador que adentra territórios desconhecidos – antes que eles sejam conquistados pela concorrência.

Se o trabalho dos inovadores que estão fora da empresa é, muitas vezes, obsolescer a grande corporação e derrubar líderes, o trabalho do inovador que está dentro da empresa é ajudar a grande corporação a permanecer relevante, a se manter na liderança – mesmo muitas vezes tendo, para isso, que se reinventar inteira. (O que é a pior coisa que você pode pedir a uma grande corporação.)

Saiba, meu caro e minha cara, inovadores corporativos, que muito depende (e que muitos dependem) de você. Do seu trabalho, do seu tino, dos seus esforços. Seu suor é sagrado. Não apenas a corporação necessita da sua visão. Mas todo o ecossistema de inovação que está fora da grande empresa. Seu trabalho de conectar os revolucionários à causa da corporação, de atrair os rebeldes, nutrir esse relacionamento, confiar neles, contratá-los, muitas vezes contra o desejo imediato deles mesmos e contra os humores da própria corporação, é inestimável.

Se hoje temos um ecossistema pujante de inovação e de empreendedorismo no Brasil, como nunca tivemos antes, não devemos isso somente aos empreendedores criativos – devemos muito disso a inovadores corporativos como você.

Não desista. Porque é seu o nosso reconhecimento, o nosso agradecimento, a nossa admiração. Além, é claro, do reino dos céus.

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