Freelancers qualificados em até cinco dias: a Growyx conecta empresas a profissionais e quer revolucionar o modelo de trabalho

Marília Marasciulo - 12 jul 2022
Danilo Lombardi (à esq.) e João Paulo Araújo, dois dos sócios da Growyx.
Marília Marasciulo - 12 jul 2022
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A carreira do designer paraibano João Paulo Araújo, 34, começou cedo. Aos 16 anos, quando já morava em São Paulo, ele trabalhava como web designer freelancer para comércios locais. 

Anos depois, a experiência como prestador de serviços o fez perceber que havia uma dificuldade no mercado de preencher vagas de tecnologia e marketing com trabalhadores freelancers qualificados — o que custou 167 bilhões de reais nos últimos 10 anos à economia privada brasileira. 

A estimativa é da Growyx, startup que João fundou em janeiro de 2020 com os desenvolvedores Danilo Lombardi, 40, Reinaldo Gandelini, 45, e o empreendedor Fabio Yukio, 33.

A Growyx funciona como um marketplace de profissionais freelancers. O que a diferencia de plataformas concorrentes é a base de profissionais – atualmente são 4 mil cadastrados, mas somente um grupo seleto passou por um funil de qualificação – e o investimento na gestão desses trabalhadores. 

Segundo João, outras plataformas disponíveis no mercado “não ajudam na gestão, elas conectam os profissionais e você se vira”. 

“Na Growyx, as empresas se conectam com os melhores profissionais freelancers de forma rápida e segura, e têm acesso a um suporte onde podem fazer a gestão desses profissionais através da nossa plataforma, desde o onboarding até a validação das horas trabalhadas e o pagamento”

Nos últimos dois anos e meio, a Growyx atendeu mais de 70 empresas. Consolidou o plano de negócios em marketplace e SaaS e obteve, na metade de 2021, um investimento-anjo de 200 mil reais da Orgânica, além de faturar 1 milhão de reais. Agora, está com rodada aberta para alcançar 5 milhões de reais para cumprir os objetivos, resumidos por João: 

“Queremos ser a plataforma do futuro do trabalho, onde as empresas poderão contratar os melhores profissionais da nova economia em poucos cliques, sem barreiras, integrando-os de forma rápida e gerenciando-os através de uma plataforma completa.”

ANTES DA GROWYX, JOÃO PAULO EMPREENDEU (E VENDEU) UM E-COMMERCE DE VINHOS E ENTROU COMO SÓCIO EM UMA CACHAÇARIA

A primeira experiência de João com o empreendedorismo foi em 2013, quando fundou o Winefor, um e-commerce de vinhos. O projeto surgiu paralelamente ao emprego fixo, em uma emissora de TV, onde trabalhava com motion graphics. 

O Brasil estava muito no início do comércio online. No setor de bebidas, tinha a Wine e a Evino começando, então resolvi entrar nesse mercado”, conta.

Depois de três anos, vendeu a Winefor para a Ambev, que o incorporou a um produto digital da empresa. Mas João seguiu envolvido até dezembro de 2017, período em que ajudou no processo de branding da Winefor. 

A experiência seguinte foi curta. De dezembro de 2017 a setembro de 2018, foi gerente de marketing e vendas no UOL EdTech, ajudando a reformular o Portal da Educação. 

Depois disso, voltou a empreender. Dessa vez em uma cachaçaria, a Famigerada. Entrou como sócio investidor e, como CEO, ajudou a internacionalizar a marca para a Europa. Mas o foco da empresa era muito industrial, bem diferente de sua trajetória digital. Por isso, deixou a sociedade no início de 2020, com novos planos.

“Foi legal pela experiência, mas eu estava um pouco fora da minha casinha. Eu precisava de outro segmento que eu acreditasse e tivesse um propósito que me despertasse a ficar pelo menos dez anos, porque empreender é jornada longa e difícil”

Ainda durante o processo de levar a Famigerada à Europa, João percebeu um problema que poderia se tornar uma oportunidade de negócios. Morando em Portugal acompanhado da esposa, começou a ter dificuldades em encontrar e contratar profissionais de marketing e tecnologia. 

“Comecei a ver que de fato havia um problema, não só em Portugal, mas em outros lugares, de achar talento.”

ELES ENXERGARAM UMA LACUNA NO MERCADO DE TECNOLOGIA: A FALTA DE PROFISSIONAIS PARA PREENCHER MILHARES DE VAGAS

João e Danilo se conheciam da época em que trabalhavam com computação gráfica na emissora de TV em São Paulo. Tomaram diferentes rumos na vida e na carreira e se reencontraram em Portugal. João havia se mudado com a esposa, e Danilo já morava lá, trabalhando como desenvolvedor freelancer.

“Nós adoramos tecnologia, trabalho remoto e freelancer: é algo que sempre fez parte do nosso dia a dia como empreendedores e profissionais. Mas foi no final de 2019 que enxergamos um problema global que depois da pandemia viraria uma das maiores dores do mercado de tecnologia”

Segundo o estudo de mercado feito pelos sócios, a falta de profissionais qualificados representaria uma lacuna de mais de 408 mil vagas em aberto só no Brasil. Esse problema precisaria de uma solução.

Com a ideia da Growyx na cabeça, João convidou o amigo para ser cofundador e entrar como CTO. Desenvolveram o MVP e fundaram a empresa oficialmente em janeiro de 2020. 

Em junho do mesmo ano, Reinaldo, um conhecido do cunhado de João, entrou como sócio para cuidar da parte de operações. Em janeiro de 2021, outro amigo de longa data, Fábio, entrou para cuidar da parte de vendas.

A AMBIÇÃO DA STARTUP É ATRAIR BONS PROFISSIONAIS E TRANSFORMAR A CULTURA DE CONTRATAÇÃO NO BRASIL

A Growyx foi criada com a missão de mudar a cultura e a percepção das empresas brasileiras em relação ao trabalho freelancer ou part-time. 

“Se não buscarmos novos modelos de trabalho e de contratação de profissionais, iremos sacrificar os países com menor força de moeda, como o Brasil, e os seus maiores talentos irão migrar para países de moeda forte, como EUA”, diz João.

Antes do lançamento, eles fizeram pesquisas com CEOs e CTOs para validar a proposta. Também falaram com os freelas para entender o que as outras empresas do setor tinham de bom e ruim – uma das críticas era ao modelo mais vigente de bidding (leilão), em que ganha quem tem o menor preço. 

“Vimos que isso acaba precarizando muito a mão de obra e afastando os bons profissionais dessas plataformas. Minha ideia era atrair bons profissionais que tivessem contratos a longo prazo. Num ‘pensamento futurista’, a gente quer que eles vivam de projetos dentro da Growyx”

Disso surgiu a tese que orientou o MVP da empresa: 

“Mesmo quem trabalha full-time tem 4 horas por dia para fazer freelance. E a grande maioria das pessoas não trabalha oito horas diretamente. A média é de 5,5 horas de trabalho de fato intenso. E o trabalho remoto facilitou muito tudo isso.”

A GROWYX GARANTE O MATCH ENTRE EMPRESA E FREELANCER EM APENAS CINCO DIAS

Para as empresas, que sofrem com a falta de profissionais qualificados e a demora em contratá-los e capacitá-los, a plataforma se apresenta como um marketplace. 

Funciona assim: as companhias se cadastram e fazem a oferta das vagas, detalhando o escopo do projeto e quantas pessoas precisam. Então um algoritmo busca dentro da base de freelancers os mais qualificados para o trabalho, e o time de hunt faz a abordagem ou busca possíveis trabalhadores no mercado. 

Segundo João, o processo – do cadastro da vaga para o onboarding do profissional – leva cinco dias.

O serviço pode ser feito em duas modalidades: marketplace ou SaaS. Na primeira, a Growyx cobra uma taxa de 20% no valor da hora de cada freelancer contratado. 

Já no SaaS, são cobrados os 20% mais uma assinatura de 390 reais mensais por freelancer contratado, que garantem acesso a um atendimento premium, em que um gestor de contas oferece suporte e consultoria de performance dos profissionais contratados.

PARA GARANTIR A QUALIDADE DA ENTREGA, A PLATAFORMA IMPÕE UM LIMITE DE TEMPO E DE PROJETOS POR FREELANCER

Na outra ponta, o cadastro é gratuito para os freelancers. “Mas o funil é apertado”, diz João. 

Para se qualificar às vagas ofertadas na Growyx, o profissional tem o perfil avaliado em três etapas: um teste de soft skills, o preenchimento completo das informações e uma checagem que inclui entrevista e análise de redes sociais. 

“O problema do mercado de freelancer é que se você oferecer trabalho pagando bem, alguém vai pegar mesmo não tendo tempo. Por isso temos checklists para conferir e o cliente não se frustrar”

Dentro dessas condições, hoje a média paga por hora contratada na plataforma é de 80 reais. A Growyx recomenda que os freelancers não ultrapassem 80 horas de trabalho mensais. E impõe um limite de 160 horas e no máximo dois projetos por freelancer. 

O empreendedor não se preocupa com uma possível precarização do trabalho ou das relações trabalhistas: João afirma acreditar no livre mercado e na lei de oferta e demanda seguida por contratantes e contratados. 

“O que a gente faz é conectar dois lados, e esses dois lados vão negociar por eles. O que vamos garantir é que a empresa receba as horas que contratou e o freelancer, as horas que vendeu”, diz. “E espero que os profissionais cobrem caro, porque como eu ganho por taxa, quanto mais cobrarem, mais eu ganho.”

O OBJETIVO DA NOVA RODADA DE INVESTIMENTO É APERFEIÇOAR A PLATAFORMA E BUSCAR INTERNACIONALIZAÇÃO 

Atualmente, a Growyx funciona apenas para o mercado doméstico. Mas a meta é introduzir outros países no nosso mercado de trabalho. 

“O medo do Brasil de trabalhar com profissionais de outros países é um tabu que temos que quebrar para poder importar mão de obra. E a Growyx vai ajudar as empresas a contratarem profissionais de fora quando não encontrarem profissionais aqui dentro”

O plano começa com a evolução da plataforma, que consiste em um FMS (Freelancer Management System) totalmente integrado ao marketplace. 

“Será possível contratar trabalhadores e gerenciá-los pela plataforma, sem necessariamente ser os freelancers da Growyx”, diz João. “Por exemplo, agências, empresas de mídia, jornalismo, poderão ter toda essa parte de gestão de contrato, pagamentos, dentro da Growyx.”

Esse novo sistema, mais robusto, é que dará suporte às ambições de expandir as fronteiras da empresa. “Nosso objetivo é ser a plataforma líder de contratação de profissionais por hora no Brasil e na América Latina.” A internacionalização, porém, deve começar a partir do Canadá. A Growyx foi selecionada para o programa de incubação do governo canadense Start Hub, programado para começar em 2023. 

Até lá, a startup seguirá tentando manter o ritmo de crescimento de 50% ao mês, com a aposta de que o mercado de trabalho está aberto para um modelo baseado em flexibilidade, confiança e resultados.

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Growyx
  • O que faz: Plataforma que ajuda empresas a preencher vagas de tecnologia e marketing com freelancers qualificados
  • Sócio(s): João Paulo Araújo, Danilo Lombardi, Reinaldo Gandelini, Fabio Yukio
  • Funcionários: 16
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2020
  • Investimento inicial: R$ 700 mil
  • Faturamento: R$ 1 milhão no último ano
  • Contato: [email protected]
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