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Evento de inovação e criatividade da 3M: sete insights para você trabalhar melhor e ser mais feliz

Cláudia de Castro Lima - 4 nov 2021
Tela do Curiosity Boot Camp, evento virtual que aconteceu em outubro
Cláudia de Castro Lima - 4 nov 2021
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Em uma carta datada de 11 de março de 1952, o físico Albert Einstein descreve-se a seu biógrafo Carl Seelig. “Eu não tenho nenhum talento especial, sou apenas apaixonadamente curioso”, disse ele.

Considerada a inquietude que permite com que entendamos melhor o que nos rodeia, o desejo intenso de conhecer e experimentar algo novo e a motivação de ir sempre além, a curiosidade é a habilidade que nos fez chegar onde estamos.

Ela é a força motriz que possibilitou à humanidade criar. Grandes invenções, obras da arquitetura e de arte, ideias e teorias revolucionárias: nada disso existiria se não houvesse uma mente curiosa por trás.

Einstein que o diga (como, aliás, o disse) – para os curiosos, a carta original do físico mais famoso do mundo está nos arquivos da biblioteca da ETH Zurique, a universidade onde o cientista obteve seu diploma de graduação em 1900.

Foi para promover o pensamento crítico e curioso em seus colaboradores que a 3M Latam realizou nos dias 26 e 27 de outubro a segunda edição de seu evento de curiosidade e inovação, o Curiosity Boot Camp.

Com uma série de palestras curtas e cinco workshops com temas como “Criatividade e brincadeira”, “Tome decisões com impacto” e “Futuro e Tendências”, o Curiosity Boot Camp trouxe uma série de insights para os participantes. Selecionamos aqui sete dessas curiosas lições com potencial para nos ajudar a trabalhar melhor e sermos mais felizes.

Antes, no entanto, outra máxima que Einstein falou para a revista Life, em 1955 – apenas a título de curiosidade: “O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua própria razão para existir. Não se pode deixar de ficar maravilhado ao contemplar os mistérios da eternidade, da vida, da estrutura maravilhosa da realidade. Basta tentarmos apenas compreender um pouco deste mistério todos os dias.”

1. O medo é inimigo da inovação

Doutor em Biologia Molecular pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina, Estanislao Bachrach falou de “Como liderar mudanças no pós-pandemia”, avaliando a relação inversamente proporcional entre a intensidade emocional e nossa capacidade de raciocinar logicamente. Segundo ele, quando nos vemos frente a uma situação de mudança (seja ela uma alteração em algo na companhia ou uma pandemia mundial), um sinal dispara na parte mais primitiva de nosso cérebro, justamente a que lida com ameaças.

Conforme as emoções aumentam de intensidade, vamos perdendo nossa capacidade de pensar com clareza.

Assim, tomamos piores decisões. Para o cientista, para acabar com esse ciclo precisamos trabalhar nossas emoções. Quando baixamos a intensidade dela, aumentamos nossa percepção e temos uma performance muito melhor.

“Uma das ferramentas mais poderosas para isso é a interpretação: como consigo ver, significar e interpretar a mudança com pensamentos que não geram tanta ameaça”, explica. “Podemos pensar nela como uma oportunidade, um momento de aprender e de nos conectar aos outros. Se começarmos a pensar de forma diferente, a emoção baixa.” Pensamos então mais claramente o que nos ajuda a sermos mais inovadores.

2. Líderes: feedbacks positivos promovem mudança

Ainda de acordo com Estanislao Bachrach, nosso potencial de trabalho é sempre reduzido por interferências externas, especialmente em relação ao feedback negativo. São julgamentos, críticas, apontamentos do que estamos fazendo mal: tudo isso nos coloca na defensiva e nos faz querer parar de escutar.

“O que a ciência tem demonstrado é que o feedback positivo é uma ferramenta muito poderosa para a mudança”, diz ele.

“Claro que é preciso dar feedback negativo para o colaborador, mostrar coisas que precisam ser melhoradas, mas não nos esqueçamos do feedback positivo, que tem uma enorme potência para motivar e para promover mudança.”

O biólogo afirma que acentuar o que o colaborador faz bem e reconhecer o esforço é algo que deve ser feito constantemente, não somente depois do resultado final de um projeto, por exemplo.

3. Lidar com a aceleração tecnológica é um aprendizado constante

“O relógio, e não a máquina a vapor, é a máquina vital da era industrial moderna”, afirmou certa vez o historiador norte-americano Lewis Mumford. Citando-o, o jornalista, escritor e palestrante de inovação Marcos Piangers tratou, no painel “O futuro do trabalho e o trabalho do futuro”, sobre como estamos escravizados pelo tempo e como, hoje, estamos exauridos, esgotados e nos explorando uns aos outros.

“Vivemos em uma sociedade que não sabe como lidar com a aceleração tecnológica”, afirmou.

“Aquele ditado ‘enquanto os outros dormem eu trabalho’ não leva a lugar nenhum. Quanto mais trabalhamos, mais temos chance de termos morte precoce e menor produtividade”, disse, exemplificando que as empresas que têm funcionários mais motivados são mais lucrativas – e que um funcionário mais feliz é 30% mais produtivo.

4. Tenha um melhor amigo no trabalho

A empresa de Marcos Piangers, a Back to Humans, um laboratório de monitoramento de tendências e sentimentos em relação ao trabalho, fez mais de 600 entrevistas com trabalhadores de seis países diferentes com pessoas de destaque em 30 áreas. Descobriram que 80% delas estão ansiosas, 44% encontram-se esgotadas, 52% tomam medicamentos para depressão ou ansiedade e 40% sentem-se solitárias.

“A solidão é um problema moderno”, diz Piangers. “Ela tem o mesmo impacto na saúde do que fumar 15 cigarros por dia.”

Segundo ele, uma pesquisa feita em 1985 mostrou que 50% da população dizia ter um melhor amigo. Em 2004, a pesquisa foi refeita e mostrou que um terço da população deu a mesma resposta. “Esse melhor amigo tem poder no trabalho”, afirma ele.

A pesquisadora Jane E. Dutton, professora da Universidade de Michigan, mostrou que passar apenas 40 segundos com o melhor amigo no trabalho aumenta o engajamento e o bem-estar, além de diminuir o índice de acidentes e de afastamento. Mas apenas 20% dos colaboradores das empresas têm um bom amigo. A lição? Cultive amizades e afeto também na empresa.

5. Crie um grupo de WhatsApp com você mesmo

Especialista em estudos de futuro, a pesquisadora argentina Ximena Díaz Alarcón explicou, no workshop “Futuro e tendências”, como capta sinais que podem se transformar em ideias inovadoras. “Em relação às coisas que têm a ver com automação, evidentemente as máquinas são mais rápidas que nós, humanos”, afirmou.

“Mas nosso superpoder reside na curiosidade, empatia e criatividade.”

Para construir um “radar sensível” e captar os sinais de mudança que estão pelo mundo, Ximena usa uma ferramenta que pode ajudar todos nós a sermos mais inovadores. “Tenho um chat comigo mesma”, contou. Sim: ela envia mensagens, notícias, ideias, links, tudo para si própria. “Se aquilo me chamou a atenção, é porque para alguma coisa vai servir. O importante é analisar frequentemente esse chat.”

6. Siga a dica de ouro dada a palestrantes de sucesso

O consultor argentino Javier Yunes, especialista em treinar palestrantes de sucesso na América Latina, apresentou o workshop “Novos hábitos e hackear sua mente”. Segundo este entusiasta do estudo de hábitos, quando repetimos comportamentos, nossa memória de longo prazo é acionada, e esses comportamentos ficam interiorizados.

“O cérebro sente prazer em comportamentos repetitivos – e isso acaba gerando um hábito.”

Javier revelou os três conselhos que dá para os palestrantes que treina: “Ensaie, ensaie e ensaie”, disse. Segundo ele, quanto mais repetirmos uma frase, mais a internalizamos na memória, e então o organismo não gasta tanta energia naquele gesto e o palestrante pode se concentrar em melhorar outros aspectos, como o tom de seu discurso.

Seguindo essa mesma lógica, Javier aconselha que, quando queremos transformar uma atitude em hábito – como, por exemplo, ler mais –, devemos começar fazendo aquilo 5 minutos por dia, durante uma semana. Na semana seguinte, aumentar para 10 minutos. Aos poucos, nosso cérebro vai entendendo aquele sistema, o que facilita sua manutenção.

7. Tome consciência de seus hábitos – e saiba o que mudar

Javier Yunes usa algumas ferramentas para trocar maus hábitos por outros que ele deseja. Uma delas é escrever em uma folha de papel os que quer adquirir e personificar-se em relação a ele. Por exemplo: em vez de “ligar mais para os amigos”, ele escreve “ser um bom amigo”. Em vez de “fazer mais atividade física”, ele escreve “ser saudável”.

“Você assume comportamentos em relação à identidade que criou, em relação à imagem que tem de si próprio”, afirmou em seu workshop.

Javier também escreve, de cima para baixo em um papel, o que faz durante toda sua rotina diária. “Acordo, olho o celular, arrumo a cama, tomo banho, me visto, abro o WhatsApp”, e assim por diante. Em frente a cada um desses hábitos, ele escreve os sinais: + (para o que considera bons), = (quando o hábito lhe é indiferente) e – (para os negativos).

“Assim tomamos consciência dos hábitos que podem ser substituídos”, afirma. Em frente aos que considera negativos, ele escreve o que pode ser mudado. Uma ideia, nesse exemplo, é parar de olhar o celular logo que acorda e desconectar-se por alguns momentos. “Nosso cérebro é maleável”, acredita Javier. “Assim, conseguimos hackear nossa mente.”

Além desses aprendizados, outros pensadores como a mexicana Ali Guarneros Luna, o argentino Ramiro Fernández e a peruana Dá Sanchez compartilharam suas vivências sobre curiosidade, enfrentamento do medo do novo e a importância de projetarmos experiências para que os relacionamentos sejam mais ricos e memoráveis.

Toda essa experiência do 3M Curiosity Boot Camp 2021 está disponível clicando aqui. Ficou curioso?

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