Lucas Pretti, do Preto Café: o empreendimento e o movimento “pague quanto puder”

Joana Andrade - 2 fev 2015Lucas Pretti, do Preto Café, e a emergência do movimento “Pague quanto puder”, em que o preço é definido pelos consumidores
Lucas Pretti, do Preto Café, e a emergência do movimento “Pague quanto puder”, em que o preço é definido pelos consumidores
Joana Andrade - 2 fev 2015
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Em abril de 2007, motivada pelo sucesso da série americana The Office, a revista Wired trazia na capa uma garota nua, coberta por uma placa que dizia: Get naked…and rule de world!, algo como “Fique nu… e governe o mundo!” A publicação trazia à tona a discussão sobre a transparência radical nos negócios, teoria que defende que os clientes devem ter conhecimento total do funcionamento da empresa.

Oito anos depois, com data de abertura prevista para segunda quinzena de fevereiro, São Paulo deve ganhar o seu primeiro café “pague quanto puder”, o Preto Café. Inspirado no modelo de negócio do Curto Café, no Rio de Janeiro, a ideia é expor, sem nenhuma restrição, todas as informações financeiras do negócio, inclusive as despesas e os lucros.

“Acreditamos que a transparência total e absoluta, inclusive dos lucros, motiva o negócio a dar certo. A ideia é: estamos nus diante de vocês, tudo o que oferecemos e fazemos está detalhado naquela lousa. Você escolhe como e quando vai consumir. Trata-se de consumo realmente consciente, uma onda que cresce no mundo e que queremos surfar por aqui”, diz Lucas Pretti, um dos idealizadores do projeto, juntamente com Francele Cocco, Maurício Alcântara e Carol Gutierrez. Veja aqui o manifesto do Preto Café.

Com as chaves de um imóvel em Pinheiros recebidas da imobiliária no último sábado, dia 31 de janeiro, Lucas conta que a ideia passou por importantes redefinições (inclusive físicas) para chegar ao estágio atual da empreitada. O primeiro deles é que o Preto Café nasce juntamente com uma nova parceria: a cafeteria vai dividir o espaço e os ideais de vida com oGangorra. “É questão de lifehack: unir pessoas que estão na mesma trilha e que têm a mesma visão de mundo, e explorar essas sinergias, buscando viver e sobreviver honestamente, de forma sustentável, se divertindo muito no processo”, diz Lucas.

Além da nova parceria, Lucas afirma que houve um processo de maturação do conceito do Preto, nesses quatro meses desde a inauguração, até chegarem à definição de que, além de ser uma cafeteria aberta, colaborativa e transparente, o ambiente deveria ser também uma comunidade de ‘fazedores’.

“Vamos nos articular com outras pessoas que estão fazendo coisas bacanas por aí. Por exemplo, o pessoal do Roupa Livre, com quem estamos conversando para a produção dos aventais do Preto, por meio de oficinas de transformação de roupas usadas”, diz Lucas. “Também estamos consultando o pessoal do Rematéria, que faz mobiliário utilizando apenas madeiras descartadas em caçambas e lixos, para construir os móveis do espaço.”

A ideia de colaboração está presente também na escolha das comidas que serão servidas na futura cafeteria. A ideia é, semanalmente, trazer pessoas diferentes para divulgarem seus produtos na loja. Para isso, foi criado um espaço no site do Preto Café para que as pessoas indiquem pequenos produtores, cozinheiros, quituteiros e produtos ligados à cafeteria que possam ser vendidos no Preto, dando a oportunidade de usar a casa como uma vitrine e um parceiro, sem a hierarquia estabelecida entre compradores e fornecedores. “Trata-se de um lugar inteiro com o conceito ‘pague quanto quiser’. O café, as comidinhas, as festas que queremos promover, as oficinas e workshops que queremos realizar. Todos esses gastos serão discriminados em nosso espaço. Isso promove a autonomia de todas as partes envolvidas”, diz Lucas.

As contas do Preto são exibidas semanalmente em uma lousa afixada na parede. Nela também constarão dados como: valor do aluguel, salário da equipe, contas a pagar, valor arrecadado por semana e quanto falta para fechar os custos mensais.

Para Lucas, por mais que seja possível definir o que é o Preto Café, o divertido é que o negócio está sempre em construção, principalmente por ter esse caráter colaborativo. “Na concepção do negócio, muitas soluções nasceram dessa colaboração. A embalagem na qual decidimos vender o café, de vidro, foi definida por meio de uma discussão bacana que rolou nas redes sociais quando colocamos a questão em debate. Quando o espaço for inaugurado, é assim que pretendemos definir a programação da casa”.

 

DE EMPREENDEDOR PARA EMPREENDEDOR

 

Que apps de produtividade todo empreendedor devia usar?
Resolvo minha vida com os Google Apps + Asana.

Que sites/perfis de negócios e inovação todo empreendedor devia seguir?
Nenhum. Melhor ouvir música, ver filmes, ir ao teatro e contar com seus amigos: as notícias que te interessam vão chegar até você de algum jeito.

Que livros de negócio todo empreendedor devia ler?
Detesto livros de negócios. De todo modo, sugeriria a leitura de “The Wealth of Networks”, de Yochai Benkler, “Networked Disruption”, de Tatiana Bazzichelli e “Nowtopia”, de Chris Carlsson.

Que ferramentas (planilhas, softwares, hardwares etc) todo empreendedor deveria ter?
Além dos Google Apps e do Asana: WordPress.

Que eventos de inovação e negócios todo empreendedor deveria frequentar?
Também detesto “eventos de negócios”. Melhor trocar ideias com os amigos, abrir grupos de interesse nas redes sociais. “A arte é um grande bocejo”, como já dizia Mário de Andrade.

Que softwares você usa no seu computador pessoal?
Além dos já citados, o pacote Libre Office, o pacote CS6 da Adobe (que é muito possível de substituir por Gimp + Inkscape + Scribus) e Filezilla, Sublime Text, Skype e uTorrent.

Que acessórios você usa no seu computador pessoal?
Fone de ouvido e HDs externos.

Qual a sua opinião sobre cloud computing?
É vital. Mas precisa ser livre e aberto – devemos nos preocupar desde já com acesso, e garantir espaço de armazenamento para todos.

Como seria o computador dos seus sonhos?
Livre como um Ubuntu.

 

AssinaturaHP

Com esta série HP/Intel no Draft, vamos falar das ferramentas e tecnologias usadas pelos inovadores. Do lifestyle e dos novos jeitos de trabalhar dos game changers brasileiros. Dos novos espaços de trabalho e dos novos jeitos de gerir dos nossos makers. Do como pensam e como fazem negócios os empreendedores criativos do país.

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