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Um novo ano acabou de começar e traz consigo um marco global importante: 2026 foi escolhido pela ONU como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável.
O marco busca reconhecer e impulsionar o papel dos voluntários na aceleração da Agenda 2030 e servir como um chamado para governos, sociedade civil e setor privado apoiarem e incorporarem essa prática em seus planos.
No Brasil, o Atados se tornou referência quando se fala do tema. A plataforma, que recentemente completou 13 anos, conecta pessoas interessadas em voluntariar a organizações sociais, permitindo filtrar oportunidades por causa, disponibilidade, localização e habilidades, além de impulsionar o voluntariado corporativo.
O Draft conversou com seu fundador, Daniel Morais, 36, também idealizador do Dia das Boas Ações e cofundador do Abraço Cultural e da Casa Benjamina (uma creche com coworking para mães e pais). Ele compartilhou um pouco da história da organização, seus desafios e conquistas em mais de uma década e falou do plano de dobrar o número de voluntários no Brasil até 2035.
Daniel é formado em Administração pela USP e conta que, em 2012, ele e três amigos da universidade (André Cervi, Bruno Sepulcri e Luiz Madaleno) buscavam oportunidades de trabalho voluntário.
“Estávamos procurando causas sociais para se engajar, mas tivemos uma certa dificuldade em achar ONGs. A gente conhecia apenas umas cinco em um universo de milhares.”
Segundo Daniel, há dados que indicam a existência de cerca de 300 mil ONGs só no Brasil. O grupo resolveu estudar esse ecossistema e percebeu que havia uma demanda tanto de quem queria voluntariar quanto das próprias organizações por uma ferramenta que fizesse essa ponte.
“Queríamos quebrar o estereótipo em relação ao trabalho voluntário, mostrando que as pessoas podem usar suas habilidades e experiências para contribuir não só com o outro, mas também para seu próprio desenvolvimento, vivenciando um pouco o mundo por meio de outras realidades”
Na época, cada sócio trabalhava em uma empresa e tocava o projeto em paralelo. “Fomos surpreendidos por um setor com uma cultura de colaboração muito forte.” A plataforma foi idealizada em abril daquele ano e lançada em novembro, com 150 vagas de voluntariado de 70 ONGs paulistanas.
À medida que o projeto se consolidava, os fundadores deixaram seus empregos para se dedicar ao Atados. Hoje, apenas Daniel segue à frente da organização, mas os amigos permanecem próximos ao projeto.
Desde o início da operação, o Atados se preocupou em manter a proximidade com as ONGs cadastradas.
No começo, conta Daniel, a equipe visitava cada uma delas. Hoje, são 5 mil organizações sociais em 200 cidades, o que inviabiliza esse modelo. Mesmo assim, o fundador afirma que há um cuidado constante do time (atualmente com 40 pessoas) em relação à curadoria e ao relacionamento.
Nesses 13 anos, foram mais de 330 mil voluntários mobilizados, cerca de 600 projetos realizados e 321 mil pessoas beneficiadas. E o índice de sucesso do match na plataforma é grande: a cada dez vagas anunciadas, nove são preenchidas, diz Daniel.
“Para apoiar as organizações na gestão desses voluntários, a gente desenvolveu uma metodologia batizada de 6 Cs”
Tudo começa com a criação dessas oportunidades a partir do momento em que a ONG mapeia suas demandas e entende como transformá-las em vagas de voluntariado. Depois há a captação, com a divulgação da oportunidade, e a capacitação de pessoas interessadas, fase em que é apresentada a organização, as tarefas e as expectativas.
Em todo esse processo, explica Daniel, é preciso manter a coordenação, ou seja, o acompanhamento do trabalho, a comunicação e o suporte. Enfim, é preciso celebrar as conquistas do grupo para inspirar sua continuidade e também cuidar dessa relação para manter o vínculo e o engajamento.
As organizações sociais não pagam para divulgar vagas na plataforma e isso sempre fez parte da lógica do negócio. Quando o Atados surgiu, os fundadores ainda não sabiam de que forma monetizar a iniciativa. Com o tempo, entenderam que apostar no mundo corporativo era o caminho.
Naquele momento, a maioria das empresas realizava ações pontuais de voluntariado. A partir disso, o Atados passou a desenvolver soluções para ampliar e profissionalizar esse impacto, criando programas de voluntariado corporativo alinhados aos objetivos e à realidade de cada cliente.
“Para o Itaú, por exemplo, desenvolvemos um programa de mentoria para os jovens aprendizes, em que os colaboradores se tornam os mentores desse público que está ingressando na empresa”
O Atados também criou uma frente tecnológica, desenvolvendo plataformas de voluntariado personalizadas para empresas com atuação nacional e equipes espalhadas pelo país, como no caso da Heineken.
Daniel conta que o Atados também mergulhou em outras áreas para ajudar as empresas na parte de responsabilidade social:
“Hoje fazemos também diagnóstico social, mapeamento de organizações do entorno, estratégia de investimento social privado e projetos de lei de incentivo”
Nessa última frente, o Atados capta recursos por meio de leis de incentivo, como a Rouanet, para projetos próprios. Um exemplo é o Carta e Cor, iniciativa em parceria com ONGs e escolas que conecta funcionários de empresas a crianças e jovens por meio da troca de cartas manuscritas.
Hoje, entre 90% e 95% da receita do Atados vem de projetos com empresas, segundo Daniel. O restante é obtido por meio de doações.
Desde sua fundação, a organização destinou mais de 6 milhões de reais a instituições sociais, entre doações, reformas, capacitações e iniciativas financiadas por recursos incentivados.
Ao longo desses 13 anos de trajetória nesse universo, Daniel avalia que o cenário do voluntariado evoluiu no Brasil. “Antes as ONGs tinham mais dificuldade de captar voluntários, hoje a gente tem case de organização que passou de dois para 100 no time.”
O mundo corporativo também acompanhou a mudança, com maior engajamento social e entendimento dos seus benefícios.
“Antes, muitas empresas faziam voluntariado para preencher um checklist de coisas legais que envolviam a gestão. Atualmente, elas pensam o voluntariado para além de fazer o bem: como uma maneira de gerar impacto em frentes estratégicas”
O voluntariado, explica ele, pode ser um meio do RH desenvolver talentos ou das lideranças fazerem team building. “É uma forma também de se relacionar com o público do entorno ou do departamento de marketing comunicar o seu propósito de uma forma verdadeira.”
Apesar dos avanços, Daniel acredita que ainda falta aumentar o engajamento social:
“A taxa de voluntariado no Brasil ainda é baixa, cerca de 4%, contra 25% dos Estados Unidos”
Esse índice de 4% representa 7,3 milhões pessoas voluntariando no país, segundo a PNAD Contínua do IBGE (2022). Foi com o objetivo de melhorar esse cenário que o Atados criou a Estratégia Nacional de Voluntariado, lançada pelo no dia 5 de dezembro de 2025, Dia Internacional do Voluntariado.
Inspirado em experiências no Canadá e na Irlanda, o plano pretende dobrar a taxa de voluntariado no Brasil até 2035, articulando uma rede que envolve ONGs, a mídia, escolas/universidades, empresas, instituições religiosas, grupos de pessoas e o setor público.
“Hoje, não existe um incentivo governamental para que a população seja voluntária, enquanto em outros países isso acontece de várias maneiras. Há, por exemplo, portais de voluntariado financiados pelo governo e iniciativas para ampliar o voluntariado no funcionalismo público”
Entre os grupos, a ideia é estimular comunidades já existentes (como turmas de corrida, yoga ou torcidas esportivas) a enxergar o voluntariado como um meio para fortalecer vínculos. “Isso já acontece, de certa forma, mas ainda de modo incipiente, então a gente quer potencializar esse impacto.”
Após a divulgação dos princípios da Estratégia Nacional do Voluntariado e o lançamento de um e-book, o próximo passo é construir ações, encontros e ativações com cada um desses públicos.
Para quem pensa em aproveitar o início do Ano do Voluntariado e dar os primeiros passos nesse universo, Daniel sugere que, antes de acessar as oportunidades do Atados, a pessoa faça uma reflexão:
“Vale entender qual é a sua causa, a disponibilidade, se quer atuar presencialmente ou online, usando suas habilidades profissionais ou experimentando algo novo”
Entre as mais de 500 vagas disponibilizadas na plataforma, há inclusive a possibilidade de participar de ações de um dia, uma maneira de colaborar e sentir se a proposta faz sentido para suas expectativas.
Para o mundo corporativo, o fundador do Atados também deixa uma dica: “Entenda qual é a meta do ano da empresa e aposte no voluntariado como uma estratégia para ajudar a área, seja o RH ou o marketing, a atingir esse objetivo”.
Ao marcar seu casamento, Vivian Barreira fez um pedido aos convidados: em vez de comprar um presente, que tal ajudar uma ONG? Dessa ideia nasceu o GiftAid, plataforma que engaja pessoas e empresas a doar e promover impacto social e ambiental.
Falar inglês ainda é um privilégio raro no Brasil. A Storm Education quer ajudar mais gente a se virar no idioma oferecendo (por WhatsApp) um curso de nível básico, com conteúdos rápidos, bem-humorados e adaptados à cultura brasileira.
Tradição culinária e sustentabilidade nem sempre combinam. Fundada por Flávio Cardozo e Carolina Heleno, a ÓiaFia! reaproveita o azeite de dendê usado no acarajé para produzir sabonetes artesanais que celebram a cultura baiana.
