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O golaço de Regina Queiroz – usar o futebol como ferramenta de integração social

Regina Queiroz - 8 dez 2014 Regina Queiroz, do Um Passe para a Educação: futebol como ponte entre a favela e uma vida com mais perspectivas - para 160 garotos paulistanos
Regina Queiroz, do Um Passe para a Educação: futebol como ponte entre a favela e uma vida com mais perspectivas - para 160 garotos paulistanos
Regina Queiroz - 8 dez 2014
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“Sou corinthiana desde criancinha e adoro futebol. Jogava com meus irmãos – naquela época não era comum ver meninas batendo bola. Também praticava vôlei e até disputei alguns campeonatos. Na hora de escolher a faculdade, não tive dúvida: estudaria educação física.

“Sempre morei no Morumbi, bairro paulistano próximo a comunidade de Paraisópolis, entre as maiores da capital. Em 2007, o professor de educação física do meu filho contou que dava aulas de futebol a alguns meninos de lá e me convidou para participar. Assumi uma turma de 20 garotos entre 9 e 11 anos.

“No início, não tínhamos estrutura. Treinávamos em uma quadra emprestada e as chuteiras eram doadas por amigos dos meus filhos. A escolinha foi sendo cada dia mais procurada, até que uma amiga comentou sobre a Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, na qual empresas podem doar parte do ICMS a projetos sociais, e me inscrevi.

“Nossa proposta foi aprovada em 2013  e agora o projeto se chama Um Passe Para a Educação, com o apoio da Duratex e da Takeda. Conseguimos comprar uniformes e chuteiras e temos uma quadra própria. Atualmente, treinam 160 meninos entre 9 e 17 anos. No próximo ano, infelizmente, nossa verba foi reduzida e teremos que cortar alguns benefícios, como a assistência odontológica, e a participação em campeonatos fora de São Paulo. Mas não vou desistir e até pretendo abrir turmas femininas.

“A desigualdade social sempre me incomodou. Tenho consciência das oportunidades que eu e meus filhos tivemos. Por isso, procuro mostrá-los essa outra realidade. Eles até já fizeram amigos no projeto. Em Paraisópolis, há garotos com potencial que acabaram se envolvendo com o crime, mas sei que também há muita gente boa.

“Minhas recompensas com esse trabalho são a chance de mostrar um universo diferente aos meus filhos e, principalmente, saber que ajudo a proporcionar novas oportunidades aos meninos de Paraisópolis.”

Regina Queiroz, 40, é professora de Educação Física e Personal Trainer em São Paulo (SP).

 

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