Pequenas ações têm o poder de mudar o mundo? Ela acredita que sim e resolveu fazer sua parte para salvar o planeta

Sophia Nabuco - 5 nov 2021
Sophia Nabuco, idealizadora do projeto Perdão à Terra.
Sophia Nabuco - 5 nov 2021
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Prazer, sou Sophia Nabuco, idealizadora do projeto Perdão à Terra. Você provavelmente nunca ouviu o meu nome. Mas o que importa nessa história é o meu “porquê”.

Desde pequena, tenho uma paixão profunda pela minha família: a natureza. A considero como mãe, pai, irmão — e nunca me senti sozinha perto de uma árvore.

Ano após ano, chorei ao ver árvores derrubadas, documentários de desmatamento e mortes de animais. Até que, recentemente, em fevereiro de 2021, lendo o livro Simplicidade elegante, de Satish Kumar, senti que tinha chegado a hora de fazer algo em relação a essa dor.

EU NÃO PRECISAVA DE UM PROJETO IMENSO, APENAS DAR O PRIMEIRO PASSO

Satish é um ativista ambiental indiano britânico. Quando tinha 18 anos, ele decidiu fazer uma peregrinação pela paz em nome do desarmamento nuclear, caminhando sem dinheiro da Índia até a América do Sul, passando por Moscou, Londres, Paris e pela América do Norte. 

Foi lendo o seu livro que eu pensei: Por que um rapaz de 18 anos pode pedir para os maiores líderes do mundo a não usarem suas armas nucleares e eu não posso plantar árvores?

Ou até: Por que a Greta Thunberg pode faltar à escola para protestar fora do prédio do parlamento sueco e eu estou aqui esperando um milagre divino para começar?

Foi aí que nasceu o projeto Perdão à Terra, em março deste ano. A cada 15 dias, realizo um pedido de desculpas à Terra, com intervenções silenciosas a favor da Regeneração Planetária, onde eu estiver e com quem topar realizar a ação comigo

Você que está lendo esse artigo deve estar pensando (ironicamente, talvez): “Uau, que ousada! Regeneração Planetária…”.

Sim, meu caro. Aprendi que as pequenas ações podem mudar o mundo. E que as grandes ações são, no fundo, bem simples.

APRENDI A VALORIZAR CADA UMA DAS MINHAS INICIATIVAS EM FAVOR DA TERRA

Então, assim acontece meu projeto: a cada 15 dias organizo um ato a favor da proteção à minha família (sim, a natureza). Até o momento já realizamos 17 atos.

Um dos primeiros atos foi lançar 70 bombas com 500 sementes de árvores nativas da Mata Atlântica, em Carapicuíba, na Grande São Paulo

Bombas de sementes lançadas em Carapicuíba, na Grande São Paulo, no 2º ato projeto Perdão à Terra.

Distribuímos também 55 pés de graviola, acerola, pitanga e outras árvores frutíferas para os vizinhos da Granja Viana (bairro de Cotia, outro município da região metropolitana da capital paulista), convidando a comunidade a plantar com a gente.

Construímos casas para passarinhos, recolhemos lixos plásticos da praia de Barra de Santo Antônio, em Alagoas, numa extensão de 6 quilômetros… Plantamos até o momento, em diversos locais, 44 árvores, entre abacateiros, castanheiras, coqueiros, palmeiras imperiais, pitangueiras, oliveiras etc. E neste final de semana serão mais 30.

Sim, são iniciativas bem simples. E, no começo, eu tinha até um pouco de vergonha de minhas ações, por julgá-las pequenas demais e por isso demorei para começá-las. Mas no caminho aprendi a valorizar o que estou fazendo.

Comecei assim, sem grandes planos, mas com uma felicidade imensa em enfim estar ouvindo meu coração, e podendo caminhar nesta terra com a certeza de que estou cumprindo meu propósito

Em cada ação, sempre tenho bons companheiros: família, namorado, amigos e até desconhecidos (descobri que tem mais gente por aí querendo ajudar do que eu imaginava!).

AO LONGO DA JORNADA, DESCOBRI COMO COLOCAR OUTRAS IDEIAS EM PRÁTICA

Quando não tem ninguém, no entanto, isso não é um problema. Lá vou eu sozinha atrás da minha prioridade e do meu compromisso com a Terra. Faço disso meu compromisso mesmo, para não deixar que as tarefas do meu dia a dia ocupem todos os espaços.

Placa instalada pelo projeto para promover a conscientização em uma praia de Barra de Santo Antônio, em Alagoas.

As ideias surgem em momentos inesperados. Mas as principais sempre vêm logo quando eu acordo.

Me sinto guiada por seres invisíveis que parecem sempre plantar uma sementinha na minha cabeça.

O mais interessante nessa caminhada até aqui é aprender que quando você se abre a um propósito, o universo parece (de verdade) conspirar a seu favor — e conta com você para ajudá-lo 

Vocês acreditam que outro dia, até encontrei um bicho preguiça precisando de ajuda numa estrada? Algo fora de qualquer expectativa.

Mas aprendi que quando eu me coloco à disposição, as oportunidade aparecem.

É PRECISO DEFINIR PRIORIDADES. OU ENTÃO CONTINUAREMOS DE BRAÇOS CRUZADOS

Claro que nem tudo é tão simples. Vivendo no mundo em que vivemos, acabamos nos desanimando bastante diante da falta de prioridade à preservação ambiental. Tudo parece ser mais importante do que a natureza, né?

Minhas árvores já foram tiradas por “atrapalhar pedestres”, algumas das minhas ações ativistas não tiveram muito retorno, já fui criticada com frases como “mas você precisa mesmo fazer isso agora?”…

Mas é isso: eu preciso. Preciso urgentemente fazer isso agora.

Enquanto não escolhermos nossa luta (seja a sua em defesa dos animais, das crianças, das árvores, contra a fome e por aí vai) e a colocarmos como nossa prioridade, nunca conseguiremos seguir com firmeza em busca de nossa missão.

Eu não tenho um objetivo final com meu projeto. Vejo o Perdão à Terra mais como um caminho do que um resultado. E encaro cada ato como um passo nesta longa estrada.

PLANTAR NÃO É TÃO SIMPLES QUANTO EU IMAGINAVA, MAS CADA AÇÃO ESTÁ VALENDO A PENA

Descobri nessa jornada que sair plantando por aí não é tão fácil — e nem sequer permitido.

As árvores são caras, é difícil pra caramba cavar a terra e as mudas não são permitidas em todo lugar. Tenho estudado, observado, pesquisado e recorrido a pessoas com mais conhecimento do que eu para me ajudar.

Tem sido uma boa jornada, sabia?

Desiludida com o mundo, a maior lição que aprendi é que se eu mesma não colocar a mão na massa, nossos líderes não o farão por mim

No 14º ato do projeto, plantando 11 árvores frutíferas em Barra de Santo Antônio.

E vai saber (eu acho que já sei, mas tento combater esses pensamentos com minha positividade) qual mundo encontraremos lá na frente, não é?

Para você que chegou até o fim desta leitura, te agradeço pelo interesse em minha história. O apoio das pessoas me dá muito ânimo para os próximos atos.

Queria te dizer para começar (sei que às vezes isso é meio clichê) por onde seu coração disser que faz sentido… E não perder a oportunidade de aproveitar sua jornada de vida para sair daqui com aquela sensação de “eu fiz o meu melhor”.

Se quiser conhecer mais a respeito, compartilho os meus atos no Instagram do projeto. Caso você tenha uma ideia, queira fazer uma doação ou me ajudar de outra forma, por favor, me escreva!

Será um baita prazer continuar aumentando essa rede a favor da Regeneração Planetária.

 

Sophia Nabuco, 28, é formada em Rádio e TV pela FAAP. Criadora e dona da agência de comunicação Kiron e idealizadora do projeto Perdão à Terra, é apaixonada pela natureza, pelo sol, pela família e por esportes.

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