TODAS AS CATEGORIAS
Hoje em dia, a fotografia se tornou algo cotidiano, pois com um celular rapidamente registramos um momento. Mas a arte de fotografar é muito mais profunda. A começar por sua etimologia.
A origem da palavra vem do grego phosgraphein – ‘phos’ (luz) e ‘graphein’(registrar), e reflete exatamente o que fazemos, que é registrar na luz.
Tenho 44 anos. Comecei com a máquina analógica, daquelas com filme, que todas as famílias portavam nas décadas de 1980 e 1990. Na minha infância, eu era a responsável por eternizar os momentos importantes, principalmente as festinhas
Na adolescência, fiquei completamente entusiasmada quando conheci, por meio do meu tio, uma câmera com mais recursos, como o desfoque, que dá profundidade à imagem. Eu sempre pedia a câmera emprestada; minha vontade era ter o equipamento nas mãos e entender o seu funcionamento.
Na verdade, olhando para trás, consigo ver como sempre fui conectada com o desejo de trazer para o papel aquilo que via ou imaginava…
Embora eu não fosse uma grande desenhista, já percebia minha desenvoltura com o desenho à mão. Essa percepção, junto com o resultado do meu teste vocacional, me levou a cursar a graduação em arquitetura e urbanismo.
E foi ali, nos corredores da Faculdade Belas Artes, em São Paulo, que eu experimentei o primeiro contato com a profissão de fotógrafa de arquitetura.
Um dia, a caminho da aula, fui surpreendida por uma palestra do Nelson Kon, renomado fotógrafo de arquitetura e cidades, pelos corredores da faculdade – uma especialização que eu desconhecia até então.
Entusiasmada com a descoberta, parti em busca de cursos e foi em um deles que tive pela primeira vez nas mãos uma câmera digital. Daí por diante, me dediquei continuamente à minha formação, realizando vários outros cursos que expandiram os meus horizontes na fotografia
Minha atuação como arquiteta me concedeu as primeiras oportunidades de fotografar os projetos realizados pelas empresas onde trabalhei. Fui estimulada por meus colegas e fotografei para muitos amigos, pois eu sabia que essa vivência prática era primordial para o desenvolvimento que buscava.
Cheguei a ter um pequeno escritório de arquitetura. Porém, por mais que eu amasse aquela profissão, entendi finalmente que a fotografia me fascinava mais do que os projetos e as obras.
Em 2006, na companhia do meu pai, grande incentivador da minha carreira, realizei uma viagem à Itália que mudou minha vida.

Fotografia que tirei em Firenze, enquanto esperava a chuva passar.
Foram 25 dias fotografando cenas cotidianas em cidades históricas e a primeira vez que entendi que a fotografia falava mais alto do que a arquitetura.
Um momento, em especial, me despertou isso.
Passeando por Firenze, nos abrigamos dentro de uma sorveteria e, enquanto meu pai estava na fila do caixa, eu fotografava a chuva de verão que caía lá fora. Passei a observar uma mulher que corria para alcançar seu guarda-chuva que voava longe com o vento — e essa cena nunca mais saiu da memória
Nas fotos que fiz, consegui correlacionar a beleza da arquitetura e a interação do ser humano com os espaços. E esses elementos fizeram, para mim, aquela cena urbana se tornar arte.
Efetivamente, 2010 marcou o começo do meu período integral como fotógrafa, carreira que eu já levava em paralelo à arquitetura há anos.
Foi nesse mesmo ano que chegou uma ferramenta que mudou a vida e o comportamento social das pessoas: o Instagram.
Na rede social, que teve início com a postagem de fotos, vi a oportunidade para divulgar os meus trabalhos e conquistar novos clientes para fazer a transição de carreira (que nunca é simples)
Surfei nessa onda e foi incrível o alcance que obtive por meio da plataforma. E comecei a entender que o Instagram era o ambiente aberto e perfeito para que os arquitetos e designers de interiores pudessem mostrar os projetos que elaboravam para seus clientes.
Dessa forma, a fotografia de arquitetura ganhou notoriedade por retratar a beleza das reformas de casas e apartamentos e entregar a ideia de democratização, uma vez que todos podem desenvolver o seu espaço na rede.
Sempre defendi que a divulgação é o meio de inspirar e provocar a conexão entre os seguidores e os profissionais
Hoje esse conceito está bastante consolidado, mas há 15 anos eu participei desse processo que então ainda engatinhava — e foi ganhando força ano a ano.
Desde 2014, passei a me dedicar também à formação de arquitetos e empresas do setor por meio de cursos e palestras sobre a criação do storytelling e das postagens em stories e no feed do Instagram.
Em 2015, de forma despretensiosa, dei início ao ClickAPé, comunidade que há 10 anos reúne fotógrafos profissionais e amadores com o intuito de fotografar lugares emblemáticos muitas vezes inacessíveis ao público em geral.

ClickAPé realizado com mais de 550 pessoas na Catedral da Sé, em São Paulo (foto: Julio Acevedo).
Tudo começou quando senti a vontade de imortalizar o espaço urbano de São Paulo — cidade onde nasci, cresci e vivo até hoje —, assim como faço quando viajo para outras capitais pelo mundo.
Quando compartilhei essa vontade de reunir pessoas para o primeiro passeio, a reciprocidade foi tamanha que rapidamente o ClickAPé virou um projeto regular, com passeios fotográficos frequentes
Hoje em dia, em um único evento alcançamos a marca de 500 frequentadores, fazendo com que esse projeto se tornasse uma grande comunidade, que compartilha o prazer de registrar aquilo que vê.
Meu trabalho fotográfico autoral promove a documentação do espaço urbano visando a relação do ser humano com a cidade, em São Paulo e outras metrópoles.
As fotografias que fiz ao longo da minha carreira resultaram em uma série principal, chamada “Homem na Cidade”, que registra a figura determinante do ser humano nos espaços. Essa série continua a se desenvolver a cada novo ensaio.
A segunda série se chama “Tramas da Cidade”, que reúne fotografias com outra leitura e escala arquitetônica, retratando objetos que se entrelaçam como tecidos, trazendo uma indagação ao observador, que não percebe, em um primeiro momento, qual é o objeto retratado.
Hoje em dia, tenho trabalhado em outras séries, que serão lançadas em breve, com fotografias arquitetônicas de cidades como Vancouver, Amsterdam, Zurich, Lisboa e Milão
Recentemente, em outubro de 2025, na Semana Criativa de Tiradentes, promovi minha segunda exposição, chamada ECOS Tiradentes, em parceria com o arquiteto José Ricardo Basiches, com imagens da cidade histórica mineira feitas por mim e desenhadas pelo Basiches.
Esse lado artístico compõe o acervo da minha galeria própria, onde estão tiragens limitadas dessas obras. Hoje, refletindo a trajetória que construí por meio de um sonho e uma câmera na mão, posso dizer que me sinto feliz e realizada.
Mariana Orsi, 44, é fotógrafa especializada nos segmentos de arquitetura, urbanismo e arte, e criadora do projeto ClickAPé.
Natural do interior da Bahia, Eva Mota conta por que se desencantou com o jornalismo e como se reinventou no design de interiores e na marcenaria, criando uma oficina que ensina mulheres a produzir suas próprias peças em madeira.
André Vieira era gerente no ramo de telecomunicações e levava a fotografia como um hobby. Até que, em busca de flexibilidade e uma renda extra, começou a clicar treinos de corrida – e acabou criando uma agência que fatura R$ 1 milhão por ano.
A jornalista Monique dos Anjos vivia no Panamá quando começou a se aprofundar na leitura de obras antirracistas. De volta ao Brasil, transformou sua carreira e hoje trabalha como consultora especializada em letramento racial.
