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Sabia que dá para reciclar a esponja da pia? É o que a 3M e a TerraCycle fazem

Giovanna Riato - 11 set 2018
Emerson Mota e Renata Ross lideram o programa pioneiro no mundo ao engajar as pessoas em times de coleta, com recompensas à comunidade.
Giovanna Riato - 11 set 2018
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Comprar uma esponja, lavar a louça ou usar na limpeza por algum tempo e jogá-la fora diante dos primeiros sinais de desgaste e ineficiência. É mais ou menos este processo que todo mundo faz em casa, com pequenas variações aqui ou ali. Todos os anos são produzidas, usadas e destinadas aos aterros sanitários cerca de 600 milhões de esponjas no Brasil. Há quatro anos, no entanto, a 3M decidiu hackear este ciclo aparentemente tão bem fechado.

A empresa é líder em vendas de esponjas, detentora de quase metade deste imenso mercado com a marca Scotch-Brite. “Há muito tempo tínhamos um incômodo, uma vontade de fazer a logística reversa destes produtos e destiná-los à reciclagem. Sempre foi um desejo, mas achávamos impossível de realizar. Quem conseguiria passar de porta em porta recolhendo as esponjas?”, questiona Emerson Mota, responsável pela comunicação da marca Scotch-Brite na 3M.

Ele foi atrás de soluções e encontrou a TerraCycle, uma empresa especializada em desenhar fórmulas para dar nova vida a materiais de difícil reciclagem. Juntas as companhias entenderam que, como em muitos desafios de inovação, a questão não era responder à pergunta que Emerson fez lá em cima, mas sim reformulá-la: e se a própria população se mobilizasse para devolver as esponjas que comprou? Esta foi a proposta da TerraCycle, que já tem experiência em programas de reciclagem que contam com o engajamento das pessoas.

Renata Ross, gerente de marketing e relacionamento da companhia, fala a respeito: “Há muita dúvida sobre o que faz um resíduo ser considerado reciclável ou não. A resposta é sempre o aspecto econômico: as coisas não dão certo se os custos logísticos e de processamento forem superiores ao que conseguimos arrecadar com a venda do material fruto da reciclagem.” Assim, a empresa ficou com a missão de desenhar um modelo viável.

“Foi um grande desafio, a primeira vez em que alguém reciclou esponjas no mundo. É algo pioneiro e, para dar certo, desenhamos antes de tudo a parte técnica com o nosso time de pesquisa e desenvolvimento, nos Estados Unidos”

O resultado é um processo que transforma as esponjas descartadas em resina plástica industrial, uma matéria-prima que pode ser usada para fazer produtos como lixeiras, baldes e vasos, por exemplo. Nem precisa ser Scotch-Brite. “Recebemos material de qualquer marca”, diz Renata. Segundo ela, primeiro as esponjas passam por uma micronização para diminuir de tamanho. Depois, são derretidas em processo de extrusão e viram espaguetes plásticos, mais tarde cortados em pequenos pedaços para, enfim, se transformar nos chamados pallets – a resina granulada. Assim, é possível dar uma segunda vida às efêmeras esponjas, em um ciclo mais sustentável.

SEM AS PESSOAS NÃO TEM RECICLAGEM

As crianças são líderes de engajamento nos times de coleta de esponjas.

Apesar do refinamento do processo industrial, a mágica do programa desenhado pela TerraCycle está em fazer a logística reversa acontecer. Já que seria impossível recolher esponjas de porta em porta, o programa se baseia em um modelo de grupos de arrecadação. Qualquer pessoa pode ser um reciclador, basta se inscrever no site e estabelecer o ponto de coleta em um condomínio, centro comunitário, empresa, escola ou hospital. A ideia é concentrar ali a arrecadação, já que para fazer cada envio é preciso juntar, no mínimo, 60 esponjas (que podem ou não ser da marca Scotch-Brite). “É um volume que ninguém consegue acumular sozinho em pouco tempo. Por isso a importância de engajar outas pessoas na coleta”, lembra Emerson.

Depois de reunida a quantidade, as esponjas devem ser acomodadas em sacos plásticos e guardadas em uma caixa, etiquetadas com selo pré-pago oferecido pela TerraCycle que garante isenção dos custos de postagem às brigadas e, enfim, enviadas. O processo, aparentemente complexo, flui bem. Segundo a 3M, já são 4,8 mil times participantes espalhados pelo Brasil. “Em alguns casos um só ponto de coleta mobiliza 10 mil pessoas, transforma os envolvidos em líderes comunitários”, diz Renata. Ela calcula que, somadas, as brigadas mobilizam mais de 700 mil participantes diretos. “Recebemos todos os envios na nossa planta em Limeira, no interior de São Paulo, e fazemos o processamento. Precisamos de duas toneladas para ligar o maquinário, o que já aconteceu duas vezes. Agora estamos perto de fazer pela terceira”, conta.

Para mobilizar tanta gente, além do benefício ambiental de reduzir a geração de resíduos, o projeto oferece uma motivação extra para que as comunidades participem ao doar R$0,02 centavos por cada esponja enviada. “Os consumidores viram embaixadores do programa e geram estas doações para creches, escolas públicas, lares de idosos e outras instituições. Assim, as pessoas conseguem medir o que acontece com o material enviado”, diz Renata. Emerson complementa:

“É como se fosse um programa de milhagem. Os times acumulam este valor e depois escolhem uma instituição sem fins lucrativos para receber esta doação”

Samanta Campos da Silva, 38, trabalha no Parque Ecológico de São Carlos, um pequeno zoológico da cidade paulista. “Como a entrada é gratuita e recebemos muitas visitas escolares, passamos a pedir que as crianças colaborem ao doar esponjas usadas quando nos visitam”, conta. Com a iniciativa, a brigada arrecadou 21,7 mil unidades em quatro anos de trabalho. O material gerou doação de 540 reais à própria instituição. “É muito legal ver a curiosidade das crianças, que sempre querem saber o que faremos com as esponjas. Explicamos o processo, mostramos os pallets e eles sempre gostam muito”, conta.

Na cidade de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, há outra experiência interessante com o projeto. Credenciada desde 2017, a brigada Amigos de Antônio Prado já arrecadou 3 mil esponjas no município, que tem apenas 13 mil habitantes. O número indica que a quantidade de resíduos coletados pode estar muito próxima do total usado pela população. Grasiela Scudiero, 38, uma das líderes do time, diz que o grupo já participava de outros projetos e ficou receoso de começar a arrecadação de esponjas, que poderiam vir sujas ou com mau cheiro. “Nos surpreendemos ao ver que recebemos muitas unidades, todas lavadas e sequinhas, entregues com o maior carinho”, conta. Para garantir resultados tão bons, a brigada faz ampla divulgação com folders, grupos no Facebook e WhatsApp e na rádio da cidade.

Com pontos de coleta espalhados pelo município, ela diz que o movimento tem forte envolvimento da população. “Além do ganho ambiental com a destinação adequada das esponjas, temos o ganho social, com a ajuda financeira às instituições que desenvolvem um belo trabalho na cidade e o engajamento da comunidade, que se voluntaria para fazer o bem”, conta.

UM MILHÃO DE ESPONJAS RECICLADAS, 28 MIL REAIS DOADOS

De pouco em pouco, com muita gente envolvida, o sonhado projeto de reciclagem de esponjas da 3M com a TerraCycle parece ter chegado à maturidade. “No começo de setembro alcançamos a marca de um milhão de esponjas recicladas”, conta Emerson. Segundo ele, o volume já se converteu em 28 mil reais em doações e a meta é acelerar o programa a partir de agora, amplificando seu impacto:

“A principal barreira do programa é conscientizar as pessoas, convencê-las a destinar o material para a reciclagem. Queremos fazer isso de forma sustentável e, um dia, evitar o descarte dessas 600 milhões de esponjas todos os anos no Brasil”

A ideia é seguir a boa e velha filosofia de caminhar devagar e sempre. Em breve a 3M passará a usar a resina plástica gerada na reciclagem das esponjas para produzir os próprios displays da marca Scotch-Brite, fechando o ciclo de reuso. “Também queremos aumentar a divulgação. Estamos estudando a possibilidade de incluir as informações sobre a reciclagem na própria embalagem das esponjas, algo que chamaria a atenção de mais consumidores”, conta Emerson. Assim, passo a passo, já tem 1 milhão de esponjas a menos nos aterros sanitários.

 

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