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Saúde mental, bem-estar e o futuro do trabalho: por que líderes devem colocar os temas na agenda de prioridades

Caroline Marino - 1 out 2021
(Imagem: Freepik)
Caroline Marino - 1 out 2021
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Sete em cada dez pessoas tiveram algum sintoma de burnout desde que começaram a trabalhar em home office, segundo pesquisa feita pela plataforma Capterra com 418 profissionais.

Outro estudo, do Instituto Ipsos, mostra que 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou no último ano. O cenário fez muitas empresas repensarem sua atuação – e temas de saúde mental começaram a ganhar força nas práticas de gestão de pessoas.

Segundo a pesquisa “Revolução das Competências”, do ManpowerGroup, 61% dos líderes de RH no Brasil apontam a saúde e o bem-estar como prioridade na agenda não só deste ano, mas também dos próximos.

Isso quer dizer implementar um sistema de apoio, como disponibilização de terapeutas e psicólogos, e preparar a liderança para que os gestores tenham ferramentas e recursos para lidar com colaboradores que estejam enfrentando algum tipo de questão psicológica ou emocional. A ideia é garantir um ambiente seguro e inclusivo.

“O gatilho, para muitas companhias, aconteceu com a pandemia”, explica Mônica Torquato, gerente de Treinamento, Desenvolvimento, Recrutamento e Seleção da Sodexo Benefícios e Incentivos.

“A sensibilização aumentou e passou-se a disponibilizar mais programas de capacitação no tema e suporte a todo time – do operacional à liderança –, para lidar com questões de saúde mental e física.”

NÃO DÁ MAIS PARA SEPARAR ASPECTO PESSOAL DO PROFISSIONAL

Trata-se de uma mudança de paradigma no mundo corporativo. Há alguns anos, era muito comum, por exemplo, pensar no colaborador em duas esferas: a profissional e a pessoal.

“Era como se o funcionário tivesse de colocar uma ‘armadura’ no trabalho que só devia ser tirada quando chegasse em casa. Aí, sim, ele podia ser quem era e, em muitos casos, adoecer”, ressalta Mônica.

Mas, de acordo com ela, não há mais espaço para esse “check-in e check-out”. “Isso precisou ser ressignificado, pois os problemas pessoais e profissionais estão na mesma linha”, completa.

Na Sodexo, o tema ganhou ainda mais força em 2020, quando a empresa realizou uma pesquisa com o time que passou a trabalhar em home office por causa da pandemia.

“Percebemos um baixo fator de favorabilidade à saúde psicológica”, diz. Assim, depois de entender mais a fundo a situação e ouvir as pessoas, várias práticas foram implementadas.

O primeiro passo foi intensificar os programas de terapia. Mônica explica que além do plano de saúde, foram feitas parcerias com algumas instituições para o aperfeiçoamento do programa Apoio Pass, que oferece orientação de profissionais especializados em quatro principais áreas: psicológica, jurídica, financeira e social.

Agora, é possível, além da terapia tradicional e mais longa, realizar sessões de psicoterapia mais rápidas, de até seis conversas, para resolver questões mais pontuais.

Além disso, o funcionário também pode utilizar o YOU Club, que disponibiliza serviços de bem-estar e cuidados pessoais que ajudam na autoestima e no equilíbrio emocional.

Outra iniciativa foi a construção de um manual de boas práticas para o trabalho a distância. Nele há, por exemplo, a orientação para evitar reuniões às sextas-feiras e na hora do almoço. Tudo isso pensando no bem-estar dos colaboradores.

PROGRAMA CAPACITA LÍDERES PARA GESTÃO HÍBRIDA

Ciente da importância da liderança na saúde e desempenho dos profissionais, a Sodexo iniciou em julho deste ano um programa de capacitação para os gestores.

O mote principal é prepará-los para a gestão híbrida, já que a empresa está estudando a retomada do trabalho nos escritórios. “Estamos trabalhando os ‘3 Cs’ do trabalho híbrido: comunicação, colaboração e confiança”, diz Mônica.

Segundo ela, serão quatro meses que englobam a realização de seis workshops de três horas cada e três encontros de mentorias para os líderes. “Além disso, vamos realizar três webinars para todos os colaboradores com o objetivo de passar a eles tudo o que estamos discutindo”, afirma.

Entre os temas dos treinamentos, estão “Como trabalhar a comunicação para que as pessoas que não estão no escritório não se sintam distantes”, e “Como incentivar o trabalho em equipe e a colaboração com alguns em casa e outros no escritório”.

Além disso, a empresa está trabalhando para que os líderes sejam agentes de saúde e bem-estar. “São eles que estão perto dos times e vão notar quem não está bem, por exemplo”, diz.

Segundo Mônica, o incentivo é para uma gestão mais individualizada, na qual o gestor ouve o colaborador e tem a sensibilidade de saber quando algo não está bem.

“Isso é essencial para que o profissional tenha confiança para falar o que sente, para buscar ajuda”, afirma Mônica.

Nesse sentido, a empresa sugere que uma vez por semana o líder tenha uma reunião one-on-one com cada membro da sua equipe, além das reuniões semanais de time.

Isso tudo sempre medindo os indicadores, como os relacionados ao uso de serviços de terapia, e acompanhando de perto a atuação dos líderes.

Mensalmente, os gestores sêniores promovem um encontro com orientações da alta gerência. Entre os assuntos debatidos estão a forma como eles priorizam o bem-estar dos colaboradores e treinam as lideranças para serem mais humanizadas e praticarem a escuta ativa.

Além disso, a empresa ofereceu ao time apresentações com psicólogos e psiquiatras para falar sobre depressão, ansiedade, terapias e segurança psicológica e, em setembro, vai realizar uma semana toda dedicada à saúde mental.

Para Mônica, o principal objetivo de todas as iniciativas é um só: passar de uma ação reativa para uma preventiva. “É preciso tratar o assunto antes de os colaboradores adoecerem”, diz.

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