Se depender da Fit Anywhere, você nunca mais vai precisar ir à academia para se exercitar e manter a forma

Dani Rosolen - 18 out 2021
Pedro Kauffman, CEO e fundador da Fit Anywhere.
Dani Rosolen - 18 out 2021
COMPARTILHE

O rabino Pedro Kauffman, 37, sempre adorou esportes. Mesmo assim, quando era mais jovem ele tinha um problema sério com a balança. 

Em 2004, Pedro virou esse jogo. Graças a uma cirurgia bariátrica e à adesão firme a uma rotina de treinos, o peso dele caiu de 130 para 75 quilos. Mesmo com a grana curta na época, Pedro não abriu mão da academia e teve apoio de amigos para pagar as mensalidades.

Hoje, ele desbrava o mundo fitness como empreendedor. Pedro é o fundador da Fit Anywhere, um aplicativo com mais de 600 gravações de treinos em diversas modalidades, como pilates, step, footfit, zumba etc., além de consultorias com personal trainers e fisioterapeutas. O produto é voltado a pessoas físicas, empresas, administradoras e incorporadoras de condomínios.

Manter a forma física, como Pedro bem sabe, não é somente uma questão de “estética”. Trata-se de questão de saúde:

“Queremos que as pessoas enxerguem os treinamentos como uma mudança de estilo de vida e não [apenas] como sinônimo de uma barriga trincada”

Fundada em 2015, com o investimento de 1,1 milhão de reais, a Fit Anywhere tem hoje mais dois sócios, o desenvolvedor Rodrigo Dias, 33, e o professor de educação física Leonardo Dau Sein, 38. Na pandemia, com as academias fechadas, a startup viu o número de condomínios cadastrados no app saltar de 300 para 7 mil, totalizando 100 mil downloads.

A IDEIA DE EMPREENDER NO SETOR FITNESS VEIO POR SUGESTÃO DE AMIGOS

Pedro já empreendia na área de impacto social. Em 2003, ele fundou a ONG Espaço K, com foco em jovens da comunidade judaica (e na qual atua desde 2007 como diretor). 

Em busca de outras oportunidades de negócios, cogitou até importar produtos da China… Amigos, porém, deram a dica e fizeram a ponte com um empreendedor do setor fitness.

Em visita a essa academia, ele se deparou com totens de autoatendimento usados pelos clientes para imprimir seus treinos (ou visualizá-los na tela).

“Na academia, pode até funcionar, porque tem o professor acompanhando… Mas isso me fez lembrar de quando eu morava num prédio que tinha esse sistema [de autoatendimento] e, sozinho, eu não conseguia entender que exercício deveria fazer só pelo nome, como fazer e se estava certo”

Pesquisando, Pedro descobriu que aquela dificuldade não era só dele. Assim, entre 2015 e 2016, desenvolveu um software para tablets focado em condomínios com academia.

Além dos nomes dos exercícios, o sistema apresentava um vídeo e uma descrição da execução correta; contava, também, com um sensor de presença que indicava aos condôminos se um determinado equipamento estava ocupado e quando ficaria disponível. 

Nascia, assim, a primeira versão do que seria a Fit Anywhere.

ELE PRECISOU MUDAR O MODELO DE NEGÓCIO PARA SUPERAR A CRISE DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A empresa não engrenou logo de cara. A crise do mercado de construção civil dificultava a venda dos totens para os condomínios. “Além disso, às vezes a gente tinha problema de as pessoas utilizarem o tablet para outras coisas — e, sem querer, tirar nosso software do ar.”

Então, em 2017 ele pivotou o negócio: descontinuou o modelo e passou a vender a assinatura mensal de um aplicativo com orientações para os exercícios, com base nos equipamentos que o prédio possuía. 

“Nesta época, falava-se que, em média, de 10% a 20% dos moradores usavam as academias de seus prédios. Nós conseguimos elevar isso para 35%”

Até 2020, a Fit Anywhere listava 300 condomínios clientes. O valor de cobrança era embutido na taxa condominial.

A PANDEMIA OBRIGOU O EMPREENDEDOR A FAZER A “PIVOTAGEM DA PIVOTAGEM” E A OFERECER OS SERVIÇOS DE GRAÇA

Agora, sim, parecia que a startup decolaria de vez. Mas no meio do caminho havia não uma pedra, mas um coronavírus.

Quando a Covid-19 chegou ao Brasil, todos os prédios fecharam suas academias (que permaneceriam assim por vários meses). Pedro logo entendeu que teria de pivotar seu negócio mais uma vez.

“A primeira coisa que fiz, em março de 2020, foi disponibilizar o aplicativo gratuitamente para todo mundo poder treinar em casa na quarentena. Fomos a primeira plataforma a fazer isso”

Boa parte dos exercícios da plataforma não exigia equipamentos (ou podia ser adaptada). Por isso, diz o empreendedor, o novo esquema funcionou bem.

“Depois, entre março e abril, começamos a gravar as primeiras 50 vídeoaulas totalmente gratuitas em que não havia necessidade de aparelhos.”

O foco, neste período, deixou de ser apenas os prédios com academias. O app passou a receber registros de usuários que moravam em casas ou em condomínios sem espaço fitness; flexível, a ferramenta sugeria experiências diferentes de treino para cada perfil.

A FIT ANYWHERE HOJE TEM DIFERENTES MODELOS DE NEGÓCIO (E UMA MOEDA PRÓPRIA)

Entre o fim de 2019 e o fim de 2020, a Fit Anywhere recebeu dois aportes: o primeiro da Movement, empresa de equipamentos de exercícios físicos, e o segundo veio de Chen Gilad, CEO do Grupo Hagana, de segurança patrimonial.

Esses investimentos permitiram que a empresa se mantivesse na pandemia oferecendo os treinos gratuitos. Com o fim da gratuidade, a startup passou a cobrar por aulas avulsas. Funciona assim: os usuários finais alugam cada aula por 4 reais (com acesso por 30 dias) ou compram por 8 reais.

A transação se dá pelo app da startup, por meio de uma moeda própria, a Fit Cash (cada 1 real equivale a 1 Fit Cash). Segundo Pedro:

“A moeda foi desenvolvida para dar mais liberdade aos usuários, sem prendê-los a planos longos. Eles podem utilizar a Fit Cash como e quando quiserem, sem que ela expire”

A startup também lucra com as consultorias. O aluno pode realizar teleconsultas com um preparador físico (por 50 reais) ou um fisioterapeuta (60 reais), e tem acesso a um programa de treino e exercícios de reabilitação por 30 dias até a próxima reavaliação.

Outra forma de monetização é o “plano full”. Por R$ 22,90 mensais, o usuário recebe uma seleção de treinos (conforme seus objetivos), acesso a todas as aulas gravadas e à Fit TV, um canal com programação semanal (das 6h às 22h) e treinos em 23 modalidades.

EMPRESAS, INCORPORADORAS E ADMINISTRADORAS DE CONDOMÍNIOS TAMBÉM ESTÃO NA MIRA DA STARTUP

Desde 2020, a Fit Anywhere rentabiliza também no B2C. As empresas compram o acesso à Fit TV e repassam o benefício aos colaboradores e seus cônjuges. 

O plano custa 2 500 reais por mês para empresas com mil funcionários ou mais. Por enquanto, nesse formato, a startup tem três clientes: Grupo Farma Conde, Grupo Hagana e Santa Casa de Misericórdia de Araraquara. 

No B2B2C, a Fit Anywhere presta consultoria (para aquisição e criação de projetos de academias) a incorporadoras, que por sua vez oferecem um pacote de Fit Cash aos clientes na entrega de chaves do novo apartamento.

Por fim, a startup também permite que administradoras de condomínio sincronizem (sem custo adicional) seu app com o da Fit Anywhere. Quarenta empresas já operam neste formato, incluindo Apsa, BBZ e Gk.

AO ABRAÇAR A INCLUSÃO COMO UM NOVO PILAR DO NEGÓCIO, ELE ACABOU AJUDANDO NA RECUPERAÇÃO DO PRÓPRIO PAI

Pedro conta que sempre admirou o trabalho feito por sua mulher, a professora de dança israelense Bianca, junto a alunos com deficiência. E imaginava que um dia também colocaria aulas inclusivas no seu negócio.

Isso aconteceu em 2020, quando a Fit Anywhere passou a oferecer exercícios para cadeirantes. Logo de cara, o empreendedor sentiu o impacto dessa iniciativa na própria família.

No fim de 2020, o pai de Pedro pegou Covid e ficou internado em estado grave. Ele se recuperou, mas no meio do processo teve uma infecção que começou a tirar o movimento de suas mãos e pernas.

“Meu pai precisou fazer uma cirurgia às pressas e ficou na cadeira de rodas por um tempo. Neste período, ele fez fisioterapia, mas também treinou com as aulas inclusivas do nosso app, o que ajudou na sua recuperação”

Hoje, entre um dos 15 professores contratados pela Fit Anywhere para gravar as aulas está Melina Reis, bailarina com uma perna amputada e que facilita as aulas de “ballet+fit”, uma mistura de passos de balé com exercícios funcionais.

COMO FICARÃO OS TREINOS INDOOR NO PÓS-PANDEMIA?

Atualmente, o faturamento mensal da Fit Anywhere oscila entre 40 mil e 60 mil reais.

Como a empresa vai responder ao pós-pandemia? Segundo Pedro, ainda é cedo para saber como esse cenário vai impactar o setor fitness. Mas ele tem certeza de que muita gente aprovou a proposta da startup de viabilizar os treinos domésticos.

“Claro que as pessoas que são ‘ratas de academia’ já estavam contando a hora para poder voltar… Mas tem também gente que se adaptou bem se exercitando em casa” 

Os objetivos mais imediatos da startup são continuar subindo videoaulas no aplicativo, aumentar a equipe e encorpar o portfólio na frente de consultorias, trazendo mais clientes e mais profissionais.

Refletindo sobre as transformações provocadas pela Covid e sobre o impacto do seu negócio na vida das pessoas, o empreendedor sentencia:

“O mais importante para a gente, em termos de mudança, foi ter a adesão de quem não costumava se exercitar — e começou a fazer exercícios com a Fit Anywhere.”

782 Total Views 8 Views Today

DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Fit Anywhere
  • O que faz: Aplicativo de treinos gravados em diversas modalidades
  • Sócio(s): Pedro Kauffman, Rodrigo Dias e Leonardo Dau Sein
  • Funcionários: 15
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$1,1 milhão
  • Faturamento: R$ 200 mil (projeção mensal para os próximos 12 meses)
  • Contato: [email protected]
COMPARTILHE

Confira Também: