Sphere, um app que é sobre desconectar para estar mais conectado

Tania Menai - 10 Maio 2017 Dhaval é indiano e morou no Brasil antes de se mudar para São Francisco. De lá, está lançando sua nova proposta de negócio.
Dhaval é indiano e morou no Brasil antes de se mudar para São Francisco. De lá, está lançando sua nova proposta de negócio (imagem: reprodução Souls of Society).
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O indiano Dhaval Chadha, 30, tem um hábito curioso: desliga todas as telas da sua casa, incluindo a do smartphone, pontualmente às nove da noite. Tudo é ligado novamente doze horas mais tarde, às nove da manhã. O hábito não o deixa desconectado do globo terrestre — apenas mais saudável. Formado em Ciências Sociais em Harvard, e depois de viver quase sete anos no Brasil onde esteve mergulhado e foi um dos precursores da Economia Criativa por aqui, há dois anos ele se mudou para São Francisco. Como bom californiano, ali lançou o Sphere um aplicativo em inglês dedicado à prática da meditação.

Dhaval começou a meditar aos 17 anos, em um retiro, inspirado pelo seu avô, que aderiu à prática aos 65 anos e sempre falou ao neto sobre os benefícios. Mas a vida esta corrida, e Dhaval conta que deixou a meditação de lado por muito tempo – só passou a meditar diariamente há cerca de quatro anos. Agora, está empenhado em fazer o mundo inteiro meditar mais e melhor, fazendo disso um hábito.

Disponível na Apple Store há seis meses em versão beta (e, mais recentemente, no Google Play), o Sphere é resultado de sua parceira com o espanhol Javier Cadernete Morales, empreendedor da área de tecnologia que também morou no Rio de Janeiro e hoje está na Espanha. Eles se conheceram porque Dhaval apoiou a empresa Nativoo, na qual Javier trabalhou no Rio. O time fixo da Sphere resume-se apenas aos dois, e o app roda com a colaboração de designers, fotógrafos, profissionais de conteúdo e alguns conselheiros.

O empreendedor conta o Sphere surgiu baseado em duas premissas: pessoas se agrupam pelo mesmo interesse, pessoas precisam de apoio para meditar. Para tirar a idéia do papel, eles se basearam em pesquisas, e descobriram que um aplicativo seria a melhor plataforma para começar a agregar os interessados. Dhaval afirma que meditação feita em grupo, presencialmente, torna a prática mais profunda. “Mas pelo aplicativo ganha-se na frequência, porque você pode estar em qualquer lugar e fazer, mesmo que sozinho”, diz. Sem revelar valores, por razões contratuais, ele conta que o Sphere recebeu investimentos da NFX, aceleradora que investe em projetos na região de São Francisco, e também do investidor chinês Bo Shao, figura conhecida no Vale do Silício. Dhaval, que trabalha de casa e também em um escritório de coworking, fala sobre o produto:

“O Sphere permite que meditação possa ser algo mais social. Esta é a nossa intenção”

Essa visão está na página do Facebook do app, que diz “medite com os amigos: a melhor forma de criar um hábito duradouro”. Dhaval conta que foi também por intermédio de amigos, seus e de Javier, que os dois trouxeram professores “icônicos” do circuito californiano de yoga, mindfulness e budismo tibetano para elaborar e liderar as sessões de meditação à disposição no app, pensadas para trazer atenção, foco, estresse e ansiedade, mas também autoconsciência e reatividade. “Há muito ganho com a prática guiada, onde a qualidade do instrutor é o fator mais importante”, afirma Dhaval.

A ideia da Sphere, de Dhaval, é que juntos medita-se melhor do que sozinho.

A ideia da Sphere, de Dhaval, é que juntos medita-se melhor do que sozinho. A ideia de fazer parte de um grupo, diz, ajuda a construir o hábito.

O modelo de negócios do Sphere é um clássico do Vale: o freemium. O app é grátis num primeiro momento e oferece sessões guiadas, abordando temas como diferentes formas de respiração e formas meditação que incluem ajuda para relaxar, dormir ou se acalmar. É possível escolher um acompanhamento sonoro durante a prática, com sons inspirados no mar, mantras, e músicas de relaxamento. A parte social da experiência está na possibilidade de ver quem acaba de fazer a mesma sessão – e, diz o empreendedor, assim sentir-se parte de um grupo, mesmo não conhecendo as pessoas. Depois de testar o aplicativo gratuitamente, os usuários podem pagar uma taxa anual, mensal ou “para sempre” (esta, 199 dólares) para usar todos os recursos e avançar nos diversos níveis de personalização e socialização.

OBSERVAR, CORRIGIR, ANTES DE ESCALAR

Dhaval conta que acompanha em tempo real todos os aspectos da performance de seu produto: o número de usuários, as sessões mais populares, a acessibilidade para os iniciantes, a performance dos novos conteúdos para os níveis intermediário e avançado etc. Eles colocaram o aplicativo no mercado para testar sua receptividade e ajustar o que for preciso:

“Fizemos um MVP para aprender o máximo e, a partir daí, decidir o que vamos fazer, quais novos professores trazer, quais opções manter, quais tirar”

Como dissemos, a cada sessão completa, o aplicativo mostra outros usuários que fizeram a mesma prática, mesmo sendo desconhecidos. Dhaval e Javier notaram que a interação social entre os usuários não é tão grande quanto eles esperavam. “Trata-se de uma questão de densidade: quanto mais amigos você tiver ali, mais envolvido você fica. Ainda não estamos vendo isso acontecer, porque ainda não há gente o suficiente para encontrar um amigo no aplicativo”, diz Dhaval.

Na tela do app, espaço para encontrar e encorajar amigos.

Na tela do app, espaço para encontrar e encorajar amigos.

Ele conta que o número de usuários ainda é baixo de propósito por que, para os fundadores, o mais importante no momento é aprender sobre as melhores práticas e corrigir erros. A aposta deles é deixar para crescer depois de estarem mais seguros e robustos nestes aspectos. A próxima fase, diz, é desenvolver a versão para e desktop e, também, trabalhar na tradução para outros idiomas.

Fazer o Sphere vingar, ser capaz de se sustentar financeiramente enquanto ajuda o maior número de pessoas possível a aprenderem a se conectar é o desafio de vida do empreendedor. Ele sabe que não há pressa, que as coisas acontecem em ciclos, que precisam ser respeitados. Tem a ver com saber a hora de fazer e a hora de parar. Ele fala mais um pouco sobre o detox digital diário a que se submete.

“Quanto mais cedo você apagar tudo isso, mais oportunidade dá ao seu cérebro e ao seu corpo de desligar. O corpo leva um tempo para produzir melatonina e mudar do estado de alerta para o adormecido. Excesso de pensamentos e a luz azul das telas são os piores vilões para o sono. É importante se dar pelo menos uma ou duas horas antes de deitar, para que esta transição física e mental, seja feita”, diz, e prossegue: “Ao acordar, também precisamos de tempo. Antes, eu checava meu celular logo que abria os olhos, antes de o meu corpo despertar por completo. Eu estava inundando meu corpo de cortisol por causa de ansiedade. É importante preparar e otimizar o seu corpo e mente para o dia.” Até as nove da manhã, até o Sphere pode esperar.

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  • Projeto: Sphere
  • O que faz: Aplicativo de meditação guiada
  • Sócio(s): Dhaval Chadha e Javier Cadernete Morales
  • Funcionários: 2 (os sócios)
  • Sede: São Francisco, Califórnia (EUA)
  • Início das atividades: julho de 2016
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected]
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